Grau de investimento muda rotina das PMEs

Muito se tem falado sobre o grau de investimento, concedido ao Brasil por duas das principais agências de classificação de risco do mundo, a Standard and Poor's e a Fitch Ratings, que elevou o rating do país na última quinta-feira (29/05). Embora tudo isso já fosse esperado, permeou imenso otimismo no mercado de capitais brasileiro, atraindo mais investidores para a Bolsa de Valores de São Paulo, que, por sua vez, bateu novos recordes, informou o site InfoMoney.

A experiência internacional mostra que os países que são grau de investimento possuem economias mais estáveis. Trata-se de um 'selo de garantia que reforça os avanços da economia brasileira nos últimos anos e melhora suas perspectivas para o futuro', nas palavras do coordenador dos cursos de Administração da Faculdade Módulo e consultor em finanças, Cláudio Carvajal.

A classificação de risco leva em consideração, basicamente, a capacidade de pagamentos das dívidas por parte dos emissores - bancos, empresas ou governos - e somente países que apresentam baixo risco ao investidor são grau de investimento. Os ganhos por parte das grandes empresas, neste novo cenário, são visíveis. Mas e quanto às pequenas e médias empresas? O que muda para elas?

Qual é o cenário para pequenas e médias empresas?
De acordo com o professor e coordenador de cursos executivos do IBMEC São Paulo, David Kallás, os efeitos do Grau de Investimento também poderão ser sentidos pelas empresas de pequeno porte. Em primeiro lugar, haverá redução do custo de financiamento, com uma possível queda na taxa de juros, porque o fluxo de capital para o País deve aumentar.

Além disso, as empresas passarão a ter maior potencial de atração de investimentos externos para o negócio, uma vez que existem muitos grupos de investidores que limitam os investimentos a países com grau de investimento.

Impacto em cadeia
Já o professor de governança corporativa da Trevisan Escola de Negócios, Roberto Gonzalez, acredita que o reflexo do grau de investimento nas pequenas empresas acompanhará toda a cadeia das grandes companhias que sofreram impacto. 'Por exemplo, as organizações do setor de construção civil foram impactadas positivamente. Com isso, todas as empresas que prestam serviços ou vendem produtos a essas empresas saem ganhando', explica.

Ele diz que não acredita no aumento do número de operações de private equity (investimento em empreendimentos de capital fechado com potencial de crescimento). Neste caso, a expectativa do investidor é que a empresa dê, futuramente, retornos superiores à média, em sintonia com o risco que apresenta e a baixa liquidez do investimento. 'Eu, particularmente, não acredito que o investidor estrangeiro irá procurar uma pequena empresa brasileira'.

Contrariando a teoria econômica que diz que, com mais capital circulando no País, a tendência é de baixa dos juros, Gonzalez analisa que 'o cenário ainda não está claro'. 'A entrada de capital pode até mesmo motivar o aumento do consumo e da inflação, forçando o governo a aumentar a taxa de juros. Porém, é lógico que o Estado quer atrair o capital produtivo, e não o especulativo', pondera.

Ele também não descarta a possibilidade de valorização do real, causada pela maior entrada de investimentos estrangeiros, o que poderá prejudicar ainda mais as empresas exportadoras, que já vinham sofrendo com o dólar desvalorizado.

Governança corporativa
Vantagem ou não para as pequenas e médias empresas, uma coisa é certa: o grau de investimento somente será aproveitado pelas organizações que se preocupam com a governança corporativa. 'A lógica é clara: ninguém investe em quem não confia. Por isso, é necessário cultivar um processo de gestão transparente. Os empresários precisam prestar contas do que fazem e mostrar suas estratégias', explica Kallás.

'Quando o empreendedor começa o negócio do zero, ele não precisa dar satisfação a ninguém, porém, à medida que ele deseja que sua empresa cresça, deve tornar públicos os resultados que obtém'.


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