Em situações de tensão econômica como a que vivemos agora, como as empresas podem fazer para não serem tão prejudicadas? Segundo o diretor de marketing da Produto do Ano, Rui Amaral "dificilmente uma empresa sairá ilesa da atual conjuntura econômica porque o sistema é interativo e ao menor sinal de crise generalizada o consumidor tende a retrair o consumo."
Em épocas de colapso financeiro o fator preço adquire uma relevância superior se não houver uma relação sustentada com a marca e o produto ou uma "vantagem diferenciadora". Facilmente se opta por um produto em função do outro por apenas meia dúzia de reais. Outra situação comum é o consumidor tornar-se mais cauteloso nas compras, procurando racionalizar mais o processo de compra, comparando as características técnicas dos produtos e valorizando mais o processo de pós compra.
Para minimizar a crise, as empresas devem investir no seu consumidor a longo prazo, ter programas de retenção e fidelização bem estruturados, serem inovadoras.
A inovação é "o" diferencial para uma empresa sobreviver às crises, uma vez que estas companhias terão a possibilidade de se destacar em um mercado em que a retração de consumo é a tônica. "No caso de uma empresa menor, por exemplo, que dificilmente compete em preço, a forma de sobreviver à crise passa necessariamente por ter um valor acrescido que justifique a sua compra.", acrescenta Amaral. Por parte do consumidor, haverá menos espaço para a compra por impulso e como tal a inovação passa a ser um fator ainda fundamental.
Uma empresa que apresente produtos inovadores e reconhecidos como inovadores pela opinião pública de consumo, não colocará as suas vendas em perigo. Por seu lado, o consumidor, ao sentir-se afetado pela crise, irá diminuir o seu consumo e, em alguns casos, poderá inclusivamente deixar de consumir determinado produto. Assim, a inovação é fundamental para permitir na mente do consumidor marcar a diferença frente aos concorrentes. A empresa inovadora não terá a necessidade de baixar preço, pois ela é procurada pelos seus atributos físicos inovadores e posicionamento.
Verifica-se que existem segmentos de mercado na indústria, onde o investimento em I+D (investigação e desenvolvimento), representa até 20% daquilo que é o faturamento da empresa. Isto acontece sobretudo em mercados altamente competitivos, onde é vital inovar por forma a não perder terreno face a um consumidor exigente e a concorrentes altamente sofisticados.
Em todo o investimento ponderado existe um ROI, ou seja, o retorno do investimento. Em alturas de crise, existem mais espaços abertos para marcar a diferença porque a maioria das empresas, por receio, opta por não fazer nada. E nesta indefinição de mercado, onde não existem novidades, qualquer empresa que inove, por menor que seja a inovação, irá despertar a atenção do consumidor. E, portanto, irá vender mais.
É nestas alturas que as grandes empresas não podem parar de investir em inovação sob pena de perderem terreno perante a concorrência. Porém, também é nestas alturas que as empresas menores podem arriscar no investimento em inovação – porque devido à crise e retração na inovação – farão a diferença, é inquestionavelmente o momento mais propício para o crescimento de uma pequena empresa.
A vantagem competitiva é tudo aquilo que distingue o player pela positiva no mercado. Poderá ser por custo (mais baixo); diferenciação (sendo o melhor a fazer a sua função) e por nicho (atingindo segmentos para os quais não existe concorrência).