A fusão do Itaú e do Unibanco anunciada hoje trará mudanças no cenário econômico mundial. A associação contemplará uma reorganização societária, com migração dos atuais acionistas do Unibanco Holdings e Unibanco, mediante incorporações de ações, para uma companhia aberta, a ser denominada Itaú Unibanco Holding, atual Banco Itaú Holding Financeira.
Segundo dados divulgados pelos dois bancos, a nova holding contará com 4,8 mil agências e 14,5 milhões de clientes, o equivalente a 18% do mercado e 19% do volume de crédito do sistema financeiro brasileiro. O total de depósitos, fundos e carteiras administradas chegará a 21% do mercado. A participação no mercado de seguros será de 17% e no de previdência privada, de 24%.
Essa nova holding terá operações de "corporate" (empresas) que somam R$ 65 bilhões, atendendo dois mil grupos econômicos, ativos sob gestão de R$ 90 bilhões na área de "private bank" (administração de fortunas) e R$ 575 bilhões em ativos, o que representará a maior instituição financeira do Hemisfério Sul.
O Conselho de Administração do Itaú Unibanco Holding será composto por 14 membros, sendo seis deles indicados pelos controladores da Itaúsa e pela família Moreira Salles, de acordo com fato relevante sobre o acordo para união dos bancos Itaú e Unibanco, divulgado esta manhã. Os demais oito membros do conselho serão independentes. De acordo com as instituições financeiras, o presidente do Conselho de Administração do novo grupo será Pedro Moreira Salles e o presidente-executivo será Roberto Setubal.
"Para propiciar uma transição eficiente e eficaz será criado um Comitê de Transição no Itaú Unibanco Holding que definirá a forma e o ritmo de integração entre as operações do Itaú e o do Unibanco", informaram as duas instituições, acrescentando que as operações e negócios realizados com clientes, credores e fornecedores não sofrerão nenhuma alteração. "O Itaú e o Unibanco continuarão operando no Brasil e no exterior, nos moldes atuais."
O controle dessa holding, por sua vez, será compartilhado entre a Itaúsa e os controladores da Unibanco Holdings, por meio de holding não financeira a ser criada no âmbito da reorganização. A conclusão da reorganização societária depende da aprovação do Banco Central e das demais autoridades competentes.
Além disso, o Itaú e o Unibanco informaram que as assembléias para deliberar sobre a união dos bancos serão realizadas "entre a última semana de novembro e a primeira de dezembro". Em fato relevante, as instituições financeiras informaram que o tema será levado aos acionistas assim que forem concluídos os laudos de avaliações contábeis e a mercado.
A empresa resultante da fusão entre os bancos Itaú e Unibanco, anunciada hoje, tem ativos superiores aos do Banco do Brasil, conforme levantamento realizado pela consultoria Economática. O banco fica na nona posição do ranking dos maiores bancos de capital aberto por ativos dos Estados Unidos e América Latina, com US$ 324,041 bilhões. O Banco do Brasil fica em 10º lugar, com US$ 261,639 bilhões em ativos.
Já o Bradesco figura em 12º, com US$ 220,815 bilhões, e Santander em 15º no ranking de ativos entre os maiores bancos de capital aberto dos EUA e América Latina, com US$ 171,410 bilhões. Na primeira colocação desse levantamento está o Citigroup, com US$ 2,1 trilhões.
Em termos de valor de mercado, a nova instituição financeira torna-se a sexta maior de capital aberto entre os bancos da América Latina e Estados Unidos, com US$ 41,323 bilhões na data de 31 de outubro. Esse ranking é liderado por JPMorgan Chase, com valor de mercado de US$ 141,778 bilhões. O Bradesco aparece na nona posição, com US$ 34,162 bilhões em valor de mercado, o Santander em 14º lugar, com US$ 20,020 bilhões, e Banco do Brasil em 16º, com valor de mercado de US$ 17,751 bilhões.