Joseph Stiglitz analisa situação financeira mundial na ExpoManagement

Dono de uma das agendas mais disputadas do planeta, por ser um dos principais analistas da crise financeira mundial, Joseph Stiglitz realizou, nesta segunda-feira (10/11), a primeira palestra da ExpoManagement 2008, organizada pela HSM.

Além de ter a credencial de ganhador do Prêmio Nobel de Economia em 2001, Stiglitz tem sido muito requisitado porque sempre se posicionou contra o neoliberalismo que, atualmente, está na berlinda. Conselheiro de Barack Obama, esse professor de economia da Columbia University foi um dos que anteviram o momento atual, uma crise que ele atribui, em grande parte, à falta de mecanismos regulatórios da economia. Ao público presente na Transamérica Expo Center, em São Paulo, falou do futuro e revelou por que está pessimista.

“O grande desafio de cada país é gerenciar os riscos e adaptar idéias às circunstâncias específicas”, diz Stiglitz. Enquanto as oportunidades são diversas, as coisas ruins também cruzam fronteiras. “É o caso do problema das hipotecas, que foi exportado pelos EUA para o mundo, bem como do fundamentalismo de livre-mercado”, exemplifica.

Para Stiglitz, o mais importante efeito da globalização foi o acesso às tecnologias e às idéias. Mesmo assim, não houve um estreitamento da lacuna entre os países em desenvolvimento e os desenvolvidos. “O crescimento dos Estados Unidos não foi compartilhado e grande parte do conhecimento foi para o topo da pirâmide. Mesmo lá a pobreza aumentou e a renda média caiu em relação há oito anos”.

Com firmeza, Stiglitz ressaltou o desafio imposto pelos acordos internacionais de comércio, que contribuem para a desigualdade, pois são reflexos de interesses de lobistas e não acordos de livre comércio na essência. Mesmo assim, países como Índia e China crescem, respectivamente, 8% e 10% ao ano e vêm reduzindo a sua distância dos países mais ricos. Para o economista, esses países são exemplos de sucesso da globalização.
A tempestade começou
“O futuro é sombrio”, anuncia Stiglitz, ao falar sobre o momento atual da economia. Os números já mostram que um milhão de empregos foram perdidos nos Estados Unidos e as vendas estão em queda. “Se tudo for feito corretamente, a desaceleração pode durar de 12 a 18 meses. Mas não estou otimista de que tudo será feito corretamente. Até aqui, tem sido um desastre e a tempestade está apenas começando”, prevê.

O palestrante ressalta que a crise não é só econômica, mas social, porque as famílias norte-americanas colocaram todas as suas economias na compra de suas casas e agora estão devolvendo essas casas, estão sem emprego e, muitas, sem seguro-desemprego. Outro problema é que os norte-americanos não fizeram poupança, estimulados fortemente a consumir e a tomar empréstimos. “Os Estados Unidos têm vivido além de seus meios há muito tempo”, diz Stiglitz. Agora, diante do pessimismo, o crédito será arrochado. As famílias, então, começarão a poupar mais e consumir menos, o que pode ter conseqüências dramáticas.

“O governo Bush não se preocupou com as pessoas”, afirma Stiglitz, que explica que o que vige em seu país é o assistencialismo corporativo. “Crê-se que as migalhas da ajuda às empresas ajudarão o restante da economia, mas isso nunca funcionou. Esta é a razão de eu estar tão pessimista”.

O setor privado também falhou, ao estimular a vida com base no cartão de crédito, ao alocar mal o capital e ao não pensar em produtos financeiros que ajudassem as famílias a gerenciar os riscos que assumiam. Além disso, há uma falta de transparência no sistema de incentivos ao setor financeiro, que remuneram o desempenho de curto prazo.

Com a desconfiança disseminada, a economia se desacelera. “Com o plano de socorro, o governo virou acionista de um sistema bancário fracassado”. Além disso, a dívida interna americana é alta (passou de US$7,5 trilhões para US$10 trilhões), o que torna o cenário mais difícil.

Há algo de bom

“Mesmo países como o Brasil, que administraram bem a economia, já sentem o reflexo da crise”. Para Stiglitz, os preços das commodities e os investimentos estrangeiros serão negativamente impactados. “Mas estamos vendo mudanças no FMI e o Brasil tem um papel importante nesse processo. A desaceleração global vai estimular o debate econômico em âmbito mundial, o que é bom”.

O economista aposta em novos padrões de comércio e de fluxo de capitais que trarão oportunidades de crescimento, bem como novas idéias. Para Stiglitz, é preciso que os países enxerguem que o “consenso de Washington” não funcionou e que o redesenho da governança pode encorajar a inovação, por meio da criação de mecanismos regulatórios e da proteção ao consumidor.



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A economia mundial irá se recuperar em 2009?

Completamente.
Moderadamente.
A economia não irá se recuperar em 2009.





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