SÃO PAULO - De acordo com estudo realizado pela Ipsos Public Affairs, e divulgado pela ACSP (Associação Comercial de São Paulo), em outubro, a média de gastos dos consumidores com prestações/crediários aumentou 3,49% entre o nono e o décimo mês de 2008, ficando em R$ 89.
O valor de outubro deste ano é um dos maiores da série, desde 2005, e o maior para o mês, na mesma base de comparação. Em 2006, a média de gastos com prestações/crediários era de R$ 81 e, em 2007, de R$ 73, o que mostra que neste ano foram registrados acréscimos na ordem de 9,88% e de 21,92%, respectivamente.
Segundo o economista da ACSP, Emílio Alfieri, o aumento no valor pago por prestação mostra que, para o consumidor, a crise ainda não chegou. "O consumidor ainda não percebeu a crise, pois, para ele, não interessa o que é falado nos jornais e sim quantas pessoas ele conhece que perdeu o emprego. Então, se ele tiver seguro no emprego e se houver crédito, ele vai comprar", disse.
Redução de prazos
Alfieri disse, ainda, que somente uma drástica redução no prazo de pagamentos faria com que o consumidor diminuísse o ritmo de compra. Para o economista, o aumento da média de gastos em outubro pode sugerir uma pequena redução no número de parcelas aplicado pelo fornecedor (comerciantes, bancos e financeiras). Entretanto, o economista prefere esperar os dados do Banco Central para ter maior clareza nesse sentido.
"Poderia refletir algum encurtamento de prazos, por exemplo, de 24 para 20 prestações. Contudo, precisamos esperar os dados do BC referentes a outubro para ter maior clareza neste aspecto."
Quanto ao futuro, o especialista também prefere ser cauteloso para fazer projeções, pois, segundo ele, a proximidade do Natal pode modificar o cenário.