A enxurada de abertura de capital de construtoras e incorporadoras, que ocorre há três anos, pode ter sido meramente especulativa. A avaliação é da pesquisadora do Núcleo de Real Estate da Escola Politécnica da USP, Carolina Gregório. Ela avalia que, diante de um mercado ainda muito prematuro, algumas companhias foram mais otimistas do que podiam e prometeram coisas que não tinham garantia de cumprir.
"Elas foram muito otimistas e agora não encontram os valores que elas usaram para sustentar o Ibovespa", conclui. De acordo com Carolina, que selecionou 15 ofertas de ações, apenas duas tiveram retorno sobre investimento em torno de 25%, enquanto o restante ficou abaixo de 8% - taxa setorial para investimentos de longo prazo de maturação, como edifícios de escritório.
"Isso significa que as ofertas foram colocadas na condição overpriced (supervalorizadas), quando analisamos a capacidade de geração de renda a partir dos desempenhos históricos das empresas. Assim, é mais rentável investir em um edificio de escritório do que em ações", disse.
A pesquisadora conta que as expectativas quanto à captação de recursos via IPO (sigla em inglês para oferta pública inicial) foram atendidas, já que as empresas obtiveram êxito nas ofertas. Porém, as ofertas (volume e preços) se apoiaram em cenários extremamente otimistas, bem diferentes do desempenho histórico das empresas e da conjuntura economica atual.
"As empresas amargam agora expressivas quedas nos preços de suas ações e os novos acionistas cobram resultados. Isso leva a uma busca acirrada por terrenos, com conseqüente aumento de seus valores, e elevação nos custos de construção. Tudo isso gera impactos negativos nas margens e taxas de retorno dos novos empreendimentos lançados", analisa.
De janeiro até 10 de setembro, as empresas do setor listas na BM&FBovespa registram quedas expressivas diante do Ibovespa (-19,7%), principal índice da bolsa brasileira, que reflete o clima de tensão que atinge as principais praças acionárias pelo mundo por conta da crise no segmento de crédito mundial.
Entre as empresas que acumulam desvalorização estão: Cyrela (-19,7%), Rossi (-64,2%), Gafisa (-29,2%), Company (-49,4%), Rodobens (-101%), Even (-%), Klabin (-%), PDG Realty (-29,5%), Tecnisa (-49,1%), CCDI (-52,5%), JHS (-3,2%) e Agra (-33,3%), conforme levantamento da Economática.