Micro e pequena empresa é gigante desconhecido dos bancos

Apesar de constatar que há um movimento dos bancos para segmentação e preparação para atender micro e pequenas empresas, reconhecendo o grande potencial que representa, as grandes instituições financeiras demonstraram que esse é um caminho recente, marcado pelo desconhecimento. Essa foi a principal conclusão do do 3° Congresso de Cartões e Crédito ao Consumidor – C4, que termina nesta sexta (31), no Centro Fecomércio de Eventos em São Paulo.

“Conhecemos esse segmento das micro e pequenas muito pouco, apesar de investir desde 2004 em pesquisa. A cada hora eu descubro coisas novas”, disse Regina Rocha, vice-presidente da MasterCard do Brasil. A declaração foi dada após sua participação no painel ‘Como o mercado financeiro pode atender às necessidades dos micro e pequenos empresários'. “As micro e pequenas ainda não percebem, mas os bancos estão buscando essa segmentação. É um processo que está em evolução”, informou.

Para Regina, o cartão de crédito ainda é uma coisa muito recente para os empreendedores. Segundo pesquisa desenvolvida pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e apresentada pelo Sebrae durante o congresso, a maioria das micro empresas utiliza o dinheiro como principal instrumento de pagamento: 67% preferem esse meio. Já o cheque é preferência de 22% e apenas 6% usam o cartão de crédito empresarial.

As companhias de pequeno e médio porte, por sua vez, preferem o cheque: 55% e 63%, respectivamente, direcionam os pagamentos por esse meio. O dinheiro aparece em segundo com 31% e 19%. Depois, a transferência eletrônica, com 7% e 12%, e por último os cartões com 5% em ambos setores.

“Nós, da MasterCard, sabemos que temos que investir muito em divulgação para esclarecer sobre a utilização do cartão. Cabe aos bancos e às bandeiras fazer o trabalho educacional para desmistificar a idéia do descontrole e medo de se endividar com o cartão. Essa utilização tem que ter valor para eles”, completou Regina Rocha.

Neste sentido, Regina acredita que a bandeira precisa promover mais ações e aumentar a rede de estabelecimentos credenciados para atender esse segmento. "A micro quer comprar matéria-prima para seus negócios e a aceitação do cartão em redes de atacado é pequena. Conseqüentemente, esse empresário desconhece ou nunca vai querer ter um cartão".

Rafael De La Vega, vice-presidente da Visa Internacional, comenta as dificuldades da bandeira em desenhar produtos que atendam às necessidades das micro e pequenas empresas. "Quando o setor de cartões resolveu entrar no nicho da pessoa jurídica a impressão foi de que as despesas com viagens seriam o melhor caminho para disseminar o instrumento de pagamento". Ele explica que apenas 1% utiliza o plástico para pagar esse tipo de gasto.

Participação intensa

A presença do Sebrae foi intensa e determinou a oportunidade de colocar as demandas das micro e pequenas empresas na agenda do congresso. “Evoluímos, mas os desafios continuam para que mais empresas tenham acesso ao cartão para utilizar como instrumento de fortalecimento e desenvolvimento dos negócios”, explicou Alexandre Guerra, gerente da Unidade de Acesso a Serviços Financeiros do Sebrae.

“Hoje estamos inaugurando um novo capítulo dessa história, que deve se aprofundar ao longo de 2008 para buscar entendimento e consenso entre oferta e demanda. É inconcebível que uma demanda desse segmento tão expressivo ainda não seja atendida”.

Guerra apontou alguns fatores que afetam a adoção do cartão, como o desconhecimento do produto, tanto de quem oferta como de quem adquire, o limite pouco atrativo em comparação com o cartão pessoal que o empreendedor possui e os custos contratuais elevados.

Por outro lado, há a possibilidade de regular o fluxo de caixa e a eliminação dos custos de emissão dos boletos bancários como fatores positivos para adoção do cartão. "Além disso, outro argumento forte é a questão da segurança no movimento monetário nas compras realizadas pelos funcionários, pois pelo plástico é possível estabelecer limites diferenciados de crédito para cada colaborador da empresa", disse Guerra.





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A economia não irá se recuperar em 2009.





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