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6 características comuns às startups que fracassam

"Toda startup deve ter um plano comercial e, de preferência, pelo menos um dos sócios ser um vendedor nato", orienta o economista Richard Rytenband

Redação, Administradores.com,
Istock

Segundo dados da Associação Brasileira de Startups (ABStartups), 9 em cada 10 startups encerram suas atividades antes mesmo de seus negócios entrarem de fato no mercado.

Com base nisto, o economista e investidor Richard Rytenband analisou as principais características comuns entre startups que fracassaram na busca pelo sucesso. Segundo ele, um dos fatores surpreendentes é que as empresas iniciantes apresentavam ideias incríveis e muito promissoras, mas algo, infelizmente, deu errado, já que não bastam apenas boas ideias para construir grandes negócios.

O economista listou 6 características principais que devem ser analisadas pelos empresários na tentativa de evitar o mesmo futuro de fracasso de algumas startups tão antes promissoras:

1. Custos fixos elevados

Segundo ele, escritórios decorados e bem localizados, uma grande quantidade de funcionários, o "salário do empreendedor" e uma estrutura imensa, daquelas de fazer inveja a empresas grandes, pode até parecer o sonho de negócio perfeito. No entanto, não há investimento inicial que aguente uma empresa com custos fixos muito elevados e sem receitas.

2. Excesso de reuniões

As decisões são engessadas e a rotina de trabalho se resume a longas e tediosas reuniões. Muito "blá blá blá" e pouca ação não trazem resultados. Segundo o especialista, é preciso sair da teoria e colocar a mão na massa.

"Conheci pequenas startups que tinham seu charmoso conselho de administração que se reunia em datas específicas e qualquer ideia ou decisão tinha que respeitar todos os tramites e formalidades e teve seu fim, antes mesmo da última reunião.", relata Richard.

3. Muitos sócios

"A ideia de compartilhar riscos entre muitos sócios pode se tornar em uma clássica situação de muitos caciques para uma tribo só. No final, ninguém se entende e os conflitos internos se propagam, com a formação de animosidades e rivalidade dentro das próprias equipes.", diz Rytenband.

4. Área comercial fraca

"Boa parte das startups se foca em outras rotinas e despreza justamente a essencial, VENDER! Não há como sobreviver e gerar receitas sem vender seus produtos e/ou serviços. Toda startup deve ter um plano comercial, e de preferência, pelo menos um dos sócios ser um vendedor nato.", relata o economista.

5. Ausência de estratégia de marca

"Há muitas vezes um plano de negócios, com projeções de fluxo de caixa, tabela e gráficos. No entanto, muitas vezes falta consciência sobre a missão do negócio como marca, sobre público alvo, mercado de atuação, estratégias de diferenciação, presença em mídias e relacionamento. É essencial definir uma estratégia de marca e ter consciência sobre o propósito do negócio.", orienta Rytenband.

6. "Pedeworking" no lugar do Networking efetivo

"O networking efetivo ocorre numa situação de ganha-ganha, quando ambas as partes saem favorecidas daquela conexão. Nas startups condenadas o mais comum é o "pedeworking", quando os participantes se limitam a ter acesso a determinadas pessoas apenas para "pedir" algo, mesmo sendo o contato de outra pessoa. Isso pode, inclusive, queimar o filme. Aqui a ilusão é que ter acesso a determinado nomes é garantia de bons negócios e favores. Sendo que o principal é construir relações de negócios sólidas e profissionais e não uma troca de favores.", destaca Rytenband.