Carreira em Y: mobilidade de ascensão estimula desenvolvimento profissional

Número de cargos gerenciais desmotiva funcionários, mas novo planejamento pode beneficiar quem tem apenas perfil técnico

Roberta de Matos Vilas Boas, InfoMoney,
Grande parte das empresas funciona com estruturas definidas e com cargos gerenciais limitados. Porém, essa rigidez pode ser prejudicial e ocasionar um desequilíbrio na organização.

Isso porque profissionais altamente especializados, mas sem perfil gerencial, podem se sentir desprestigiados e desmotivados com essa estrutura. Para evitar isso, algumas empresas já começam a adotar, como estratégia de retenção desses especialistas, o planejamento de carreira em Y, também chamada de gestão de carreiras paralelas, que possibilita a mobilidade de ascensão profissional tanto na área técnica quanto na gerencial, sem sobreposição entre ambas.

"Essa nova visão, por um lado, incentiva as pessoas e cria condições para que planejem seu desenvolvimento profissional. Por outro, permite às empresas conciliar as expectativas individuais às necessidades e estratégias empresariais, evitando-se ao máximo a perda de capacidade técnica e gerencial", explica o presidente do 1º Fórum Nacional de Departamentos Jurídicos, José Nilton Cardoso de Alcantara.

Como adotá-la?

Para adotar essa nova linha funcional, Alcantara recomenda o mapeamento das áreas estratégicas da empresa, especialmente aquelas que envolvem especialidades técnicas e de conhecimento.

"Feitas essas considerações iniciais, entendemos ser viável a utilização desse modelo pelos departamentos jurídicos, pois se inserem perfeitamente nesse contexto apresentado. Para isso, um plano adequado deve ser proposto à unidade de gestão de pessoal da empresa demonstrando os gap's (exatidão do potencial e das aptidões técnicas necessárias) existentes entre os perfis técnicos e gerenciais", afirma.

Segundo ele disse, podem seguir essa metodologia áreas jurídicas de valor estratégico para o negócio, como planejamento tributário, contratos específicos, propriedade industrial, ambiental, direito marítimo e aeronáutico. Já as demais áreas devem seguir a estrutura hierárquica da empresa.

Alcantara explica que a aplicação prática na carreira em Y deve ocorrer sob dois aspectos: no primeiro, o profissional técnico deve determinar o rumo de sua trajetória na área de especialização, buscando seu desenvolvimento por meio de uma formação educacional especializada e operacional.

Já o segundo consiste no monitoramento e na avaliação do desempenho do profissional em relação às estratégias da empresa. Esse aspecto deve ser realizado pelo gestor da área jurídica juntamente com a unidade de gestão de pessoas. Caso a avaliação não apresente resultados, o próprio gestor deve negociar com o profissional uma forma de readaptar o modelo hierárquico da empresa.

"Na criação do plano de carreira da área técnica pode se criar cargos como analista, técnico e consultor e, se necessário, níveis para esses cargos. As promoções podem ser alcançadas por meio da avaliação de suas competências, expertises, formação acadêmica, maturidade e experiência, notoriedade na área, além, é claro, do cumprimento de metas determinadas", ressalta Alcantara.


Tags: ascencao carreiras estrategia gestao y

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