Imagine entrar e sair no trabalho na hora que você quiser. Esta é a proposta que muitas empresas estão adotando. O nome dado a este sistema é 'Modelo Flexível de Trabalho'. O modelo funciona assim: o colaborador ou funcionário possui um banco de horas de trabalho onde ele pode ajustar sua vida profissional à pessoal. Assim quem preferir pode trabalhar até meia-noite, entrar e sair mais cedo por conta do trânsito ou não ir trabalhar na sexta-feira para viajar ou ir ao médico, sempre ajustando seus horários no banco de horas. O proprietário da agência Multicom e professor de Comunicação Virtual na FGV, Fábio Medeiros, 34 anos, que adotou este modelo com seus colaboradores, diz que se inspirou em empresas modernas com o Google e as Start-ups e afirma que a liberdade proposta não traz prejuízos à produtividade da empresa, 'No mercado que busca profissionais criativos e o diferencial é a inovação, criar um ambiente de trabalho onde as pessoas gostem de estar e tenham liberdade é fundamental para que todos sintam fazer parte da empresa, e com isso expressem suas opiniões e contribuam com ideias. A maioria dos profissionais, principalmente os da geração Y, adoram assumir desafios com flexibilidade, por isso adotamos a teoria do banco de horas, onde compramos o dia para ganharmos bem estar', falou o empreendedor. O publicitário Fernando Blum, 28 anos, é judeu e nos feriados judaicos pode optar em não ir à agência, 'Faço meu planejamento semanal de trabalho e sei quantas horas tenho que trabalhar. Sempre prefiro vir para cá, pois o ambiente é muito bom, mas em casos emergenciais faço home officee entrego o job dentro do prazo. Às vezes fico até mais tarde, produzo mais no turno da noite e ainda não pego trânsito', disse Fernando que ainda concilia o trabalho na agência que trabalha com uma Start-up própria também na área de publicidade e diz que aplica algumas práticas de gestão onde trabalha no seu próprio negócio. O seu chefe Fábio Medeiros fala que não vê problema algum dele conciliar os dois trabalhos e não o vê como um futuro concorrente, 'A nossa geração não fica 20 anos numa mesma empresa como a geração de nossos pais e não temos medo do sucesso do outro. Brincamos que a relação da equipe com a Multicom é um relacionamento aberto', fazendo uma analogia das novas relações de trabalho mais permissivas onde o colaborador possui o direito de almejar novos desafios externos. Outra vantagem é que ninguém no ambiente de trabalho precisa ficar dando aquelas velhas desculpas quando chega atrasado, encara a cara feia do patrão ou perguntas sobre o que aconteceu. Mas se engana quem pensa que só a geração Y está em busca de liberdade, os profissionais mais experientes também se sentem atraídos pelo novo modelo, é o caso de Elizabeth Figueiredo, 58 anos, analista financeira, 'O que mais me atraiu foi poder conciliar a vida familiar e a profissional, tenho marido e filhos que ainda moram comigo. Preciso de mais tempo para família, inclusive para ajudar minha filha a tocar o negócio dela também. Na minha idade as prioridades são outras, mas queremos liberdade para poder usufruir a vida também. Sou a primeira a chegar e saio mais cedo que todos, às 15 horas já estou em casa. É muito bom, assim não preciso ficar dividida entre minha vida profissional e pessoal como já fiz no passado e concilio com outras atividades', fala Elizabeth.