A falta de engajamento no trabalho é um problema crônico nas empresas do mundo inteiro, não apenas no Brasil. E este problema afeta diretamente a produtividade, bem como a qualidade de vida das pessoas, pois quem não está satisfeito com o trabalho acaba sentindo um grande estresse. Uma recente pesquisa da consultoria Deloitte, por exemplo, chamada 'Tendências Globais do Capital Humano 2014' realizada com 2,5 mil líderes de recursos humanos de 94 países, sendo 40 brasileiros, mostrou que no mundo apenas 13% dos funcionários estão ativamente engajados. 'Um caminho para melhorar o índice de engajamento é entender que as pessoas estão ou não comprometidas, ao invés de serem comprometidas. Sendo assim é possível trabalhar para reverter este cenário', comenta o coach Riccardo Oliveira, que realiza palestras profissionais nas áreas de liderança, vendas/atendimento e carreira em várias empresas e eventos pelo Brasil. A pesquisa aponta ainda que 86% dos líderes de RH e negócios no mundo acreditam que não há um sistema adequado de liderança nas empresas e 79% deles dizem que existe um grande problema de engajamento e retenção. No Brasil os dados são ainda mais alarmantes – 98% dos gestores disseram que é necessário desenvolver a liderança e 95% estão insatisfeitos com os programas da empresa na área de retenção e engajamento. Riccardo Oliveira diz que a raiz do problema está nas falhas de comunicação. 'Na raiz deste problema estão a falha de comunicação na hora de selecionar as pessoas, o foco distorcido do profissional e a liderança pouco desenvolvida nas empresas'. Outro problema inserido na retenção de talentos das empresas é a falta de desenvolvimento em habilidades do gestor, comenta o especialista. 'O principal problema dos líderes para reter talentos é o baixo grau de desenvolvimento de certas habilidades fundamentais na liderança como relacionamento interpessoal, comunicação, planejamento e gestão de pessoas. A grande maioria dos lideres são colocados em cargos de gestão por serem bons técnicos, especialistas em sua área, mas sem preparo para liderar. Uma das formas de desenvolver estas habilidades é participar de um processo de Coaching executivo com foco em liderança. Neste processo, o líder vai se autoconhecer, perceber seus pontos fortes e as melhorias que precisa trabalhar'. Ter um profissional desengajado pode causar inúmeros prejuízos à empresa, destaca Oliveira. 'Manter um profissional desengajado é prejuízo 2 vezes pois, além de produzir pouco, a empresa vai precisar de mais pessoas para realizar as atividades que os desengajados não fazem. Além da influência negativa para equipe, o que chamamos de talento negativo, a própria pessoa acaba perdendo tempo na vida e na carreira deixando de aproveitar oportunidades no mercado que a deixariam mais realizada'. Confira algumas dicas dadas por Riccardo Oliveira que podem contribuir para a mudança desse cenário atual; – Afine a seleção de profissionais investigando melhor o perfil da pessoa, para evitar colocar um zagueiro como atacante em um time de futebol, por exemplo; – A própria pessoa considerar seus talentos além do salário e benefícios que vai receber. É preciso clarear o foco de seu trabalho para sentir- se realizada com suas tarefas, caso contrário vai estar desengajada e sentir obrigação ao invés de satisfação com o trabalho; – As empresas investirem em seus líderes, para que habilidades sejam desenvolvidas e a relação com os colaboradores seja mais saudável para ambos; – Para quem se sente desengajado fica a dica: faça uma pontuação de 0 a 10 em três áreas, quanto está aprendendo com seu trabalho, o quanto se sente desafiado a progredir e quanto se sente reconhecido pelo seu trabalho. Se a soma destas 3 áreas for menor que 10 de um total de 30 é hora de procurar outro emprego. Se o resultado for maior que 10 é possível mudar algumas coisas em sua atitude e negociar melhorias com a empresa através do seu líder.