Estudo elaborado pela Serasa aponta que de janeiro a março de 2008 as empresas atingiram um índice de investimento de 7,4%. O indicador, que analisa o investimento das empresas a partir da relação entre o valor do incremento do imobilizado e o faturamento líquido, é bastante expressivo para o período, já que no primeiro trimestre do ano não é comum as empresas aplicarem muitos recursos em imobilizado. Para todo o ano de 2007, o indicador atingiu 9,2% do faturamento, recorde histórico da série.
O indicador de investimento em imobilizado é um termômetro da política de expansão das empresas, que vem ocorrendo em função do crescimento da economia, iniciado em 2004. Com o ambiente favorável, as empresas direcionaram maiores recursos para atender as necessidades adicionais de consumo. Tanto os investimentos em novas tecnologias e novas plantas, quanto a simples ampliação das já existentes decorreram de decisões estratégicas, baseadas no bom momento da economia.
O estudo da Serasa foi elaborado a partir de uma mostra de cerca de 800 demonstrativos de empresas, divulgados este ano, dos setores da indústria, do comércio e de serviços.
O setor de serviços, mais uma vez, destacou-se entre os demais setores da economia, investindo neste trimestre 9,7% do faturamento, frente aos 12,7% de 2007. Os investimentos realizados pelo segmento de energia e telefonia contribuíram fortemente para esse resultado. Com a expansão do nível de atividade que vem ocorrendo no país, a carga de energia elétrica gerada e consumida vem crescendo, levando as empresas de energia elétrica a se destacarem como as que mais investiram no início deste ano.
Por outro lado, o segmento de telefonia fixa vem investindo menos, em função da redução no tráfego de chamadas locais e de longa distância, face à incorporação de novas tecnologias, como a internet banda larga. Em contrapartida, a telefonia celular vem ganhando escala, com grandes inovações tecnológicas, além da migração de clientes da telefonia fixa. Visando a satisfação e a manutenção de seus clientes, as empresas do segmento vêm concentrando investimentos na ampliação da capacidade da rede e na ampliação da cobertura.
A indústria mostrou um indicador menor que o dos serviços, de 7,8% de janeiro a março deste ano, ante 8,1% em todo o ano de 2007, com destaque para os segmentos de papel e celulose, alimentos, siderurgia e química. O setor de papel e celulose teve grande parcela neste desempenho, já que a demanda interna e a externa aquecidas mais o aumento da cotação internacional da commoditie levaram as empresas a expandir sua capacidade produtiva e a fortalecer suas bases florestais.
Os setores de alimentos, siderúrgico e químico seguiram a mesma tendência, com significativa parcela de contribuição nesse indicador, devido à expansão da economia nacional, com maior nível de emprego e aumento do crédito.
O comércio, devido à natureza de sua operação, não apresentou expressivos investimentos em imobilizado, situando-se em torno de 1,3% no trimestre, pois a maior parte de seus recursos são destinados ao capital de giro. Mesmo assim, alguns segmentos apresentaram maior representatividade, tais como os de produtos para vestuário e de alimentos com 3,5% e 2,5% respectivamente.