O Brasil se acostumou a ser um país muito caro

Graças às comunicações internacionais e instantâneas o mundo se globalizou. Sabemos o que está acontecendo no outro lado do planeta de forma imediata e cada evento pode ser divulgado, atingindo todos os países, num quadro real de democratização das notícias e informações. Thomas Friedman, em seu livro "O mundo é plano", analisa isso, privilegiando o ângulo das oportunidades para gerar novos negócios e iniciativas!


Do mesmo modo, e pelos modernos sistemas de conexão eletrônica, podemos acompanhar o quanto um país é caro ou barato, como vivem suas populações e, em função da remuneração típica que recebem o quanto um cidadão pode comprar e transferir para sua família o melhor em qualidade de vida.


Um comentário sobre o quanto o Brasil é pobre foi feito recentemente por um brasileiro que mora há anos nos Estados Unidos: "Como você, meu conterrâneo, pode se chamar de pobre, quando você é capaz de pagar por um metro cúbico de água mais do que o dobro do que eu? Quando você se dá ao luxo de pagar tarifas de eletricidade ou telefone, pelo menos 60% mais caras do que eu? Quando, pela gasolina, você paga mais do que o dobro que eu? E olha que a gasolina por aqui é excelente. Quando por um carro que me custa US$ 20 mil, você pode pagar US$ 40 mil? Isso só é possível porque você pode se dar ao prazer de presentear seu governo com US$ 20 mil em impostos e nós aqui, na pobre América, não podemos nos dar a esse luxo. Pois é, meu amigo, não consigo entender."


Nestes momentos, é possível atravessar a rua das casas brasileiras e comprar produtos asiáticos, europeus, americanos, além de outros. Sabemos que o inverso não é verdadeiro. Tais estrangeiros, cruzando as ruas, não encontram produtos brasileiros. Nem poderiam, dizem muitos analistas! Os custos de produção de bens e de utilidades no nosso País são anormalmente caros, por problemas que vão desde a baixa produtividade generalizada dos sistemas de fabricação, de distribuição e de vendas, afetados como são pela burocracia, alta tributação e taxas de juros, entre as mais altas do mundo.


Desde o século XX, hoje passado, acostumamo-nos a pagar mais caro por produtos que são oferecidos a preços bem mais baixos, mesmo nos países vizinhos da América do Sul. Cruzamos um novo século, também um milênio e nada indica que esse quadro seja alterado. Sai governo e entra governo, completa-se o quadro de uma nova eleição, com novos dirigentes e novas políticas, mas os parâmetros que mantêm nossa sociedade pagando mais caro pela satisfação de suas necessidades, tradicionalmente não se altera.


Continua nosso amigo americano: "O governo estadual da Flórida leva em conta nossa precária situação financeira, e nos cobra somente 2%, além dos 4% do governo federal, dando o total de 6% de impostos como Imposto ao Valor Agregado (IVA parecido com o ICMS), e não quase 18% como vocês, os ricos que vivem no Brasil, pagam".


Diagnósticos feitos, cabe a pergunta: precisa ser assim? Isto não poderia ser modificado permitindo que a atual renda per capita disponível para cada brasileiro levasse cada cidadão a gastar menos para assegurar sua vida na sociedade e em família? Claro que é possível, mas este cenário de sonho, pensado por uma pequena parcela da população brasileira, dependeria claramente de novas posturas, culturas, cuja geração não tem sido materializada, quem sabe, pela pequena participação da sociedade nas grandes decisões do País. Muito ao contrário do desejado, as decisões nacionais são, tradicionalmente, tomadas nas repartições do governo, pouco tendo a ver com o que ocorre hoje no mundo.


A Organização das Nações Unidas (ONU) assegura que o mundo está enriquecendo, ou seja, os cidadãos e suas famílias estão sendo crescentemente mais bem atendidos pelos sistemas de produção locais, secundados pela crescente quantidade de produtos de todas origens colocados no mercado internacional. Isto remete a um conceito fundamental que se torna cada vez mais amplo e global. Nossos concorrentes não mais estão dentro das nossas fronteiras. Eles podem estar em qualquer país do mundo, colocando um desafio crescente para nossos negócios e mesmo para nossos profissionais.


Em 1778, Adam Smith, publicou seu famoso livro, discutido até hoje, sobre "A Riqueza das Nações", o qual se centra em análises e teorias sobre o funcionamento das sociedades comerciais e sobre os problemas associados à divisão do trabalho, ao valor, à distribuição da renda e à acumulação de capital. A obra tem sido lida como uma defesa irrestrita do individualismo e do liberalismo.


Independentemente das teorias econômicas e em face do crescimento do mercado global, de competição aberta e irrestrita de produtos, capitais e de pessoas, estamos vivendo momentos importantes da história da humanidade, com crises ou sucessos, aqui e acolá. Tudo está a indicar que o nosso País precisa realmente mudar, de atacar de frente as mudanças necessárias, para se armar com as condições básicas de infra-estrutura, tanto a material como a humana, visando a capacitar nosso sistema produtivo e nossos empreendedores para agir e participar, de forma competitiva, no mundo amplo e aberto da atualidade.

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