O circo como veículo da publicidade
02 de novembro de 2007 às 00:01
Por Luiza Piffero - Amanhâ
Os circos brasileiros sempre usaram o patrocínio e o merchandising para cobrir parte de seus custos. Mas não é uma venda fácil de fazer, porque o picadeiro ainda é visto como um meio alternativo de veiculação de publicidade. Perdem os circos mas perdem, principalmente, as agências de propaganda que ainda não conhecem o potencial desta mídia, garante a paranaense Marlene Querubim, proprietária do Circo Spacial, um dos maiores do país.
“O circo cria um forte vínculo com a família, que durante os espetáculos está unida em um momento de lazer. Qualquer produto anunciado neste contexto adquire uma grande vantagem”, argumenta Marlene. “O público, quando relaxado e de bom humor, se torna mais receptível a mensagens visuais e auditivas”. Por isso, o Spacial apresenta sem medo anúncios publicitários nos intervalos e durante os espetáculos. Autora do livro Marketing de Circo, Marlene já colocou sua empresa de entretenimento a serviço da divulgação produtos da Nestlé, Unilever e Bauducco.
Até carros, jóias e cartão de crédito o Circo Spacial tem ajudado a vender. Há 22 anos atuando no ramo circense, Marlene é a única mulher a dirigir um empreendimento como este no Brasil. E para garantir a longevidade do negócio, ela faz questão de adotar métodos administrativos modernos. Um dos desafios é convencer o empresariado de que o circo é uma ferramenta promocional eficiente. “Hoje está cada vez mais difícil, porque concorremos diretamente com muitos shows. E com o advento da Lei Rouanet, as empresas direcionam os recursos mais para o teatro do que para o circo”, cobra Marlene. No próximo ano, ela pretende fazer um trabalho forte junto às agências de publicidade para oferecer o circo como mídia. O que falta para que o circo deslanche como mídia, no ponto de vista da empresária, é uma política pública que reconheça a importância do circo na sociedade. “Todos os circos brasileiros se equiparam muito bem, hoje garantem segurança para o público. A única falha que eu vejo é o olhar do poder público. Temos que ter um festival nacional que valorize a categoria”, opina Marlene. O Spacial extrapola as atividades características de circo. É composto por duas unidades: uma itinerante e outra fixa.
A unidade fixa está na cidade de São Paulo e abriga a Academia Brasileira de Circo, onde são formados profissionais circenses. Lá eles são estimulados a estudar e ingressar em um curso superior. Na ponta final deste processo saem colaboradores capacitados inclusive a ministrar palestras motivacionais para empresas e universidades. Marlene, por exemplo, ensina a “vender com alegria”. É comum também que as companhias levem seus funcionários para passar um dia no circo buscando, entre muitos objetivos, integrar a equipe. E o Spacial também investe em pesquisa: agora está desenvolvendo materiais flexíveis para evitar lesões musculares nos acrobatas.
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