Pequenas empresas de Minas utilizam pouca Tecnologia Industrial Básica

As pequenas empresas de Minas Gerais pouco utilizam as ferramentas de Tecnologia Industrial Básica (TIB). Essa é a conclusão do diagnóstico ‘Perfil das Funções de Tecnologia Industrial Básica no Estado de Minas Gerais’, que contou com parceria do Instituto Euvaldo Lodi (IEL-MG), da Rede Metrológica de Minas Gerais (RMMG), da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sectes) e do Sebrae em Minas Gerais.

Para a confecção do documento foram entrevistados 526 empresários dos setores de biotecnologia, cachaça, calçados, eletroeletrônicos, fruticultura, fundição, laticínios, móveis e vestuário. As funções TIB reúnem um conjunto de ferramentas fundamentais para os processos de inovação tecnológica e de conquista de mercados e compreendem as áreas de metrologia, normalização/regulamentação, avaliação da conformidade, propriedade intelectual e gestão da informação.

“São ferramentas básicas para garantir a qualidade dos produtos e a sobrevivência das empresas no mercado”, explica a secretária executiva da RMMG e coordenadora do diagnóstico, Laura Gomes França. Trata-se do acesso a laboratórios de testes de produtos, processos e matéria-prima, instrumentos de medição e práticas de controle de qualidade.

“Queríamos chamar a atenção para esse aspecto e dar subsídio para elaboração de políticas que aumentem o acesso das pequenas empresas às ferramentas”, explica França. A conclusão, segundo ela, é de que realmente é preciso empenho para fomentar a área que tem impacto direto na competitividade dos negócios. "Sabíamos que o empresário de micro e pequena empresa não tem intimidade com o assunto. O estudo serve para balizar o planejamento de ações e políticas para melhorar", explica o analista de tecnologia do Sebrae em Minas Gerais, Flávio Baeta. Segundo ele, agora é o momento de informar e educar o empresário a respeito da TIB para garantir a competitividade.

Nos últimos dois anos, foram realizados investimentos em controle de processos e produtos por apenas 25% das empresas. Nos próximos dois anos, esse percentual deve subir para 32% segundo o diagnóstico. A maior parte (70%) não fizeram treinamentos para uso da TIB e 41% pretendem fazer nos próximos dois anos. No entanto, 64% das empresas atuam em mercado regulamentado, ou seja, existem normas ou regulamentos para a comercialização do produto.

Alto grau de importância é atribuído aos serviços de avaliação da conformidade por 47% dos entrevistados, mas apenas 32% reconhecem como elevado o grau de utilização dentro da empresa. Os ensaios na matéria-prima são feitos por apenas 36% dos empresários, 26% não o fazem em seus processos produtivos, 23% não realizam testes no produto acabado e 47% não fazem ensaios das embalagens utilizadas.

A conseqüência, também apurada pelo estudo, é que apenas 12% das empresas exportam, 90% delas enfrentam barreiras técnicas para colocar seus produtos em outros mercados e 44% têm dificuldades também no mercado interno. “O mercado está cada vez mais exigente e se não houver uma melhora da qualidade as empresas podem perder mercado”, alerta Laura Gomes França.

O uso das ferramentas TIB, segundo o diagnóstico, está vinculado às exigências da cadeia produtiva de cada segmento. Assim, o setor de biotecnologia tem grau de utilização das ferramentas considerado entre médio e elevado, enquanto no setor de cachaças artesanais ele é considerado baixo.




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