O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta segunda-feira (27), em São Paulo, que "não há subprime na economia brasileira", referindo-se aos problemas com derivativos cambiais enfrentados por empresas como Aracruz, Sadia e Votorantim. Ele admitiu, porém, que existe um problema. "Não sei o tamanho. Pode ser US$ 10 bilhões, US$ 15 bilhões ou US$ 20 bilhões, mas é perfeitamente absorvível. As empresas têm caixa", ressaltou.
De acordo com o ministro, a perspectiva é que essas empresas equacionem seus problemas nos próximos dias. Conforme Mantega, não haverá "nenhum subsídio, nenhuma concessão especial" para quem perdeu dinheiro com operações de câmbio. Mas ele confirmou que o governo terá de fornecer crédito para as empresas como um todo, uma vez que há escassez para alguns segmentos.
Guido Mantega participou nesta segunda-feira de uma reunião, no escritório da Presidência na capital paulista, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles. Eles fizeram uma avaliação do quatro internacional e, nas palavras do ministro, constataram que "não há uma melhora substancial" no quadro.
Panorama sombrio
O ministro disse que a situação envolve perdas de ativos em diversas bolsas de valores mundiais e afirmou que agora existe uma certeza que haverá recessão em diversas economias. No caso do Brasil, Mantega que "o impacto o continua o mesmo". Segundo ele, existe falta de crédito, especialmente para os setores de exportação, da construção civil e automobilístico.
De acordo com ele, o governo está tomando ações para irrigar o sistema financeiro com liquidez, com mudanças nas regras dos empréstimos compulsórios. Nesta segunda-feira, o Banco Central anunciou novas medidas neste sentido, com o objetivo de injetar R$ 6 bilhões na economia. Com essas ações, o BC, diz Mantega, já reverteu R$ 50 bilhões para o sistema financeiro.
Entre os problemas mencionados por Mantega no panorama econômico brasileiro estão os fundos de hedge, que estão retirando dinheiro de mercados emergentes, como o Brasil, e o processo de desvalorização de diversas moedas perante o dólar e o yen - o que redirecionaria o dinheiro antes investido em países emergentes para nações desenvolvidas.
Questionado se compraria um imóvel ou carro a prestação neste momento, Mantega respondeu: "Estou comprando um imóvel em oito ou dez parcelas. Acho que devemos procurar ter uma vida normal. Não podemos deixar que haja contágios da crise na economia."