Presença de mulheres e negros nas grandes empresas cresce pouco

A presença de mulheres e negros entre os cargos mais altos das maiores empresas do país continua pequena e tem crescido pouco nos últimos anos. Segundo a terceira edição da pesquisa Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 Maiores Empresas do Brasil e Suas Ações Afirmativas, desenvolvida pelo Ibope Inteligência em parceria com o Instituto Ethos, o empresariado brasileiro não tem conseguido reverter o quadro de uniformidade nas empresas, em que predominam homens e brancos.

No estudo conduzido por Helio Gastaldi, diretor de atendimento e planejamento do Ibope Inteligência, foi diagnosticada a necessidade das empresas reverem a eficácia das ações afirmativas empregadas, pois estas não estariam surtindo qualquer efeito significativo. “A maior parte das empresas não faz este esforço e, mesmo aquelas que o fazem, não conseguem traduzir isso em resultados efetivos”, diz.

Quadro executivo


Segundo os dados da pesquisa, a participação de negros e mulheres no primeiro escalão das empresas foi incapaz de crescer acima de um ponto percentual (p.p). Frente ao levantado em 2005, os negros avançaram 0,1 p.p. enquanto as mulheres, apenas 0,9 p.p.

Participação no Quadro Funcional

De acordo com o estudo, mesmo no quadro funcional – no pé da pirâmide hierárquica – a igualdade de raças e gêneros ainda está distante de ser atingida, e mantém-se relativamente estagnada desde 2003. Embora o número de negros tenha subido 3,0 p.p de 2003 a 2005, recuou novamente, em 2007, 1,3 p.p. Já as mulheres, conseguiram apenas recuperar a marca que possuíam em 2003, avançando 2,4 p.p.

Opinião dos presidentes

Ainda de acordo com a mesma pesquisa, é expressiva a quantidade de presidentes das empresas que declaram ser “adequada” a proporção de negros nas empresas. Da mesma forma, é alto o número daqueles que julgam o mesmo quanto à presença de mulheres na corporação. Para 39% dos presidentes, está adequada a proporção de uma mulher entre cada grupo de dez diretores. Já para 34% destes, não há problema em ter quatro negros para cada grupo de 100 executivos.

Para Gastaldi, o cenário constatado pode prejudicar o desempenho das empresas na nova realidade do mundo globalizado, que pressupõe a adaptação das empresas às diferentes culturas. “Num país heterogêneo como o Brasil, a uniformidade destas empresas reduz a capacidade delas em se relacionarem com os diferentes públicos existentes aqui”.


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