Previdência do filho = sonho dos pais
06 de outubro de 2008 às 14:11
Começar um plano de previdência para filhos, sobrinhos e netos está cada vez mais acessível a pais, tios e avós precavidos. As contribuições mensais mínimas exigidas são hoje tão grandes quanto o preço de uma pizza. Entre as maiores empresas de previdência do País, o depósito mensal mínimo é de R$ 25. Mas um valor tão baixo é capaz de dar conta dos projetos idealizados pelos adultos para seus pimpolhos?
“Pais que começam cedo, se não a integralidade, conseguem juntar ao menos uma boa quantia para preparar o futuro dos filhos”, diz o diretor-executivo da Bradesco Vida e Previdência, Lúcio Flávio de Oliveira. A “quantia” raramente é vislumbrada como reserva de aposentadoria da criança. “É vista como instrumento para evitar um desencaixe no orçamento. O objetivo é basicamente garantir educação e proteção.”
O objetivo básico é garantir educação e proteção, mas há ainda outros sonhos expressos na poupança feita com a previdência infantil. “Pesquisas mostram que o foco dos clientes está, além da educação, na possibilidade de bancar um intercâmbio ou a compra de um carro ou de um apartamento”, conta o diretor de Marketing e Produtos da Brasilprev, José Eduardo Vaz Guimarães.
Mas como realizar estes desejos custa caro, quem começa poupando pouco se vê obrigado (acaba se vendo obrigado) a elevar as contribuições mensais ou a fazer depósitos extras (aportes esporádicos) para chegar lá.
Cálculo
Para ajudá-lo a estimar quanto guardar na previdência das crianças, a Brasilprev, a pedido do AE Investimentos, mostra simulações para quatro projetos: a compra de um carro, de um apartamento, o custeio de uma faculdade e de uma especialização no exterior. Os cálculos indicam com quanto começar a contribuir, mas atenção: os valores mensais devem ser atualizados anualmente pela inflação, para evitar a perda do poder aquisitivo da reserva. Este reajuste normalmente já vem previsto no contrato de aquisição do plano de previdência, mas é bom checar com seu banco antes.
Outro alerta é que: as simulações não levam em conta a mordida do Leão que irá incidir no momento do resgate. A alíquota varia de acordo com o tipo de plano escolhido, como VGBL e PGBL, e o valor depende também da forma de incidência do imposto, regressiva ou progressiva, que também deve ser escolhida no momento de começar a investir.
Em geral, os especialistas aconselham o plano VGBL para quem faz declaração de Imposto de Renda simplificada e PGBL, para quem faz a completa. O segundo permite abater até 12% da renda bruta tributável anualmente, já o VGBL, não. Em compensação, o Imposto de Renda pago no resgate no caso do VGBL irá incidir apenas sobre os rendimentos, enquanto no PGBL a mordida é sobre o total acumulado. Vale a pena pesar o que é mais vantajoso de acordo com cada caso.
Quanto à tributação, progressiva ou regressiva, pelo tempo de contribuição, mais de dez anos, passa a ser mais vantajoso optar pela regressiva. Nessa forma de incidência de IR, prazos acima de dez anos passam a pagar taxa de 10%.
Carro ou apartamento
Se depender da funcionária pública Patrícia Ana Bastos D’Oran, de 51 anos, boa parte da família terá uma poupança nos próximos anos. Ela fez planos de previdência para o filho Matheus, de 10 anos, e para três sobrinhos, entre três e 12 anos. Patrícia poupa perto de R$ 80 por mês para os mais velhos e cerca de R$ 55 para os mais novos. “Quando sobra, coloco dinheiro a mais na previdência”, conta. “Penso que, no futuro, eles poderão usufruir, dando entrada num apartamento ou comprando um carro.”
Mas juntar o necessário para tais objetivos promete exigir mais de Patrícia, tomando como base o preço atual (cerca de R$ 30 mil) de um carro popular zero quilômetro. Se a escolha for pelo conservadorismo, direcionando as economias a um plano de previdência formado apenas por aplicações de renda fixa, seria necessário começar guardando R$ 64,72 por mês para chegar ao fim de 21 anos – do nascimento da criança à maioridade – com uma reserva suficiente. A simulação considera que o fundo alcance uma rentabilidade líquida (deduzidas taxas de administração e inflação) de 6% ao ano.
A economia para um carro pode diminuir se o poupador alocar uma parcela do investimento em ações e, com isso, conseguir elevar o retorno líquido para 10% ao ano. Nesse caso, a poupança precisaria começar com R$ 39,70 mensais(veja tabela).
Para guardar o valor de um apartamento, a poupança precisa aumentar. Juntar o equivalente a R$ 160 mil (preço estimado para um imóvel de 50 metros quadrados em São Paulo) exige iniciar o plano de previdência com contribuições mensais de R$ 339,93, no caso de um fundo de renda fixa, ou de R$ 209,92 se incluir ações.
Educação
Cada um dos dois filhos e também a enteada do baiano Lêuson de Freitas Pires ganhou um plano de previdência quando nasceu. “Meu foco é a educação”, diz o empresário, de 38 anos. Hoje com idades entre quatro e 11 anos, as crianças recebem cerca de R$ 300 por mês nos respectivos planos. “Se eu faltar, eles terão o dinheiro dos estudos.”
Pires certamente conseguirá bancar a educação das crianças. Para um curso superior de quatro anos, com mensalidades de R$ 1 mil, é necessário iniciar a poupança num plano de renda fixa com contribuições de R$ 133,50 por mês e seguir guardando por 18 anos, idade média de ingresso na faculdade. Se o fundo incluir renda variável e alcançar retorno de 10% ao ano, o valor passa a R$ 88,90 mensais.
Já para bancar um MBA de dois anos nos Estados Unidos (com custo estimado de R$ 64 mil, incluindo moradia e alimentação) é necessário começar a poupança – de 21 anos – com contribuições mensais de R$ 137,39 num plano de renda fixa. Incluindo renda variável e conseguindo um retorno de 10% ao ano, os aportes passam a R$ 84,38.
URL :: http://www.administradores.com.br/noticias/previdencia_do_filho_sonho_dos_pais/17748/