Queda de ações de bancos brasileiros está com dias contados, diz Morgan Stanley

"2008 deverá ser um ano de sólidos resultados aos bancos brasileiros, com elevação nas margens e a continuidade da robusta demanda por crédito". A frase sintetiza bem a visão do relatório do Morgan Stanley, divulgado nesta quinta-feira (3), sobre o setor financeiro brasileiro.

De acordo com os analistas, a trajetória de desvalorização dos papéis das principais financeiras do país nos últimos pregões deve estar com seus dias contados. Isto porque os elementos que a sustentam não encontram respaldo e as ações, agora excessivamente penalizadas, devem voltar a ser procuradas pelo mercado.

A começar pelo diferencial dos bancos brasileiros frente a seus pares globais. Segundo o Morgan Stanley, os temores em torno da crise financeira internacional de certa forma vêm afetando o desempenho dos papéis por aqui. Contudo, a equipe destaca que, diferentemente do que ocorre no resto do mundo, o setor financeiro brasileiro vive um bom momento.

Para os analistas, enquanto as instituições financeiras estrangeiras sofrem com baixas contábeis e deterioração na qualidade de suas carteiras, os bancos no Brasil vêm aproveitando as declinantes taxas de inadimplência e a sólida expansão do crédito, que por sinal, deverá crescer entre 20% e 22% neste ano, abaixo de 2007 mas ainda assim um número extremamente favorável.

Aumento na Selic seria favorável
Outro elemento responsável pela penalização dos ativos do setor nas últimas sessões seria o clima de incertezas que ronda o rumo da taxa básica de juro do país. Embora concorde com o consenso do mercado de que uma elevação na taxa Selic seja altamente provável para este ano, o Morgan Stanley não vê grande impacto de tal cenário sobre os bancos.

Pelo contrário. "Desde que o aumento fique entre 100 e 200 pontos-base nos próximos 12 meses, acreditamos que o impacto seja positivo sobre a performance das instituições financeiras e, conseqüentemente, sobre seus papéis", afirmam os analistas do Morgan Stanley.

Na leitura do banco de investimentos, apenas um aperto monetário superior a 300 pontos-base pelo Banco Central seria suficiente para exercer pressão negativa sobre o setor. "Acreditamos que muito mais que um acréscimo de 200 pontos-base seja necessário para reduzir o apetite dos consumidores e a propensão das instituições de oferecer empréstimos".

Riscos regulatórios são desmentidos
Por fim, para a equipe do Morgan Stanley, a percepção de alguns investidores de que o governo vem tentando reduzir a lucratividade do setor bancário por meio da elevação de impostos e maiores regulações quanto à cobrança de tarifas se comporta como o terceiro fator negativo sobre o desempenho do setor no mercado acionário.

Percepção esta errada, na visão dos analistas do banco de investimentos, para quem a implementação de medidas regulatórias por parte do governo brasileiro visa, na verdade, elevar a eficiência do setor, e não reduzir a lucratividade dos bancos, como temido pelo mercado.

BB e Unibanco são mais atrativos
A visão otimista dos analistas do Morgan Stanley estende-se às ações das maiores instituições financeiras do país, ainda que em medidas distintas. A equipe reforçou sua recomendação de overweight - desempenho acima da média do mercado - aos papéis do Banco do Brasil (BBAS3) e Unibanco (UBBR11).

De acordo com o banco, tais ativos apresentam maiores descontos em relação aos papéis do Banco Itaú (ITAU4) e Bradesco (BBDC4), e por isso, oferecem oportunidades melhores de retorno. Contudo, a visão do Morgan Stanley às ações dos dois maiores bancos privados do país não deixa de ser positiva, e com isso, a recomendação é de equalweight - desempenho em linha com o do mercado.


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