Segurança alimentar e crise do petróleo

O Brasil tem que se preocupar com o surto de alta no preço internacional do petróleo. Embora o País tenha alcançado a auto-suficiência na produção do combustível, se faz urgente a elaboração algum plano que facilite a produção nacional de fertilizantes, produtos feitos à base de petroquímica, sem os quais a agricultura nacional pode sofrer sérios danos.

Para a política tradicional, a construção da estratégia é de responsabilidade do Estado, possuidor de instrumentos para construir um projeto de segurança nacional. Mas, nos últimos quinze anos, parte da comunidade política e intelectual brasileira foi receptível à sugestões cujo mote é o de que o poder nacional não é mais primordial para pautar o desenvolvimento energético, como fator de segurança.

Sob ideologias cosmopolitas, os partidários da reforma institucional pregam que, na globalização, segurança e estratégia perdem importância em virtude da emergência de outros atores internacionais. Trata-se de uma projeção idealista, que não corresponde à realidade.
Ora, é grande, para o Brasil, a necessidade de adoção de medidas coerentes de segurança. Sobretudo num momento em que o País ganha relevo como produtor de energia. Por isso, é, sim, necessário que se entenda a estratégia, ainda, como um atributo do Estado, bem como a necessidade de adoção de medidas que reforcem o poder político da nação.

Desde 2005, o preço do barril de petróleo tem subido em grande escala. Agora, seu valor está perto dos US$ 140 e os custos dessa alta são sentidos nas classes sociais de menor ganho salarial. Isto porque parte substancial da cesta básica – ou de outros produtos necessários, como os de higiene – carrega o aumento nos custos do combustível, ainda que o Brasil tenha se tornado auto-suficiente em sua produção, desde 2007.

Mais do que isso, a alta que o preço do “ouro negro” tem passado nas praças internacionais de negócio acarretam, também, a carestia dos insumos agrícolas, sem os quais as culturas importantes não podem prescindir. Tem sido o caso dos fertilizantes à base de nitrato, potássio e fósforo.

Perto de 70% dos fertilizantes usados no Brasil são importados dos países industrializados, com agricultura de ponta, caso dos Estados Unidos. Entretanto, não só a escalada de preços do combustível líquido natural é responsável pela alta no preço destes produtos. Também é preciso considerar o salto do consumo destes compostos na Ásia, sobretudo China. Aliás, este fator é algo a se considerar na análise do aumento de preços de muitos produtos.

A questão é que o Brasil já teve alguma importância na produção de fertilizantes na década de 1980. Contudo, por ter sido produzido em caráter nacional, com parceria entre o governo e o empresariado. Porém, diante da oferta no mercado internacional a baixo preço, a produção foi considerada desnecessária e sem propósito. Valorizaram-se as expectativas de curto prazo, sem planejamento estratégico, resultando na complicada situação que vivenciamos hoje. Faltou freio nas preocupações ideológicas e empenho que culminasse no crescimento econômico de modo contínuo e sólido.

Cabe, agora, o estabelecimento de uma nova parceria entre empresas nacionais com colaboração internacional e instrumentos públicos para que o Brasil tenha, mais uma vez, condições de superar as crises fomentadas por ações que, nem sempre, tem no País ator responsável ou participante. Se conseguirmos imprimir respeitabilidade, via empresariado nacional, no aço, nos minérios variados, nas carnes etc, há como fazer o mesmo no campo da petroquímica, principalmente em se tratando de fertilizantes.

José Alexandre Altahyde Hage
é doutor em Ciência Política, consultor do núcleo de Negócios Internacionais da Trevisan Consultoria e professor do curso de Relações Internacionais da Trevisan Escola de Negócios – SP.



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O Presidente Barack Obama conseguirá reverter os efeitos da crise americana?

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