Não é a dificuldade de instalação ou de utilização, tampouco a alegada “falta de informação” a respeito. Para o pesquisador indiano da Universidade das Nações Unidas (UNU-MERIT), Rishab Aiyer Ghosh, o que realmente impede a difusão global do software livre é um “vício” do usuário – que age como se fosse dependente dos aplicativos-proprietários, tais como os da plataforma Windows. “Não existe nenhuma resistência ao software livre propriamente dito. As pessoas simplesmente têm medo de mudar para qualquer outro sistema”, argumenta Ghosh. Um exemplo é o Mac OS, como é conhecido o sistema operacional da Apple. Embora tenha código fechado, a plataforma enfrenta o mesmo conservadorismo que mantém os usuários distantes do software livre.
Ghosh desembarcou nesta semana em Porto Alegre, onde participará do 9º Fórum Internacional de Software Livre (FISL 9.0), que começa nesta quinta-feira (17), na PUCRS. Na manhã desta quarta-feira (16), ele esteve na sede da Amcham, onde realizou uma pequena palestra sobre a penetração do software livre entre grandes empresas e governos. Na ocasião, destacou que as organizações públicas e privadas têm muito a economizar com os softwares de código aberto, que dispensam a compra de licença. “Não se ganha dinheiro vendendo software. O que acontece é que se economiza dinheiro quando não se gasta com eles”, afirmou o pesquisador indiano a AMANHÃ Online. Ele projeta que, até 2010, a Europa deixará de gastar cerca de 100 bilhões de euros com aquisição e manutenção de softwares da plataforma Windows – graças a sua substituição pelo sistema operacional Linux e seus respectivos aplicativos. Atualmente, diz ele, o Linux é utilizado em 5% a 7% dos computadores do mundo todo.