No ano passado, um projeto chamado “The DAO” levantou mais de 150 milhões de dólares, se tornando um dos maiores crowdfundings da história. O propósito da DAO, sigla para Organização Autônoma Descentralizada (Descentralized Autonomous Organization), era construir entidades que são autoadministráveis sem intervenção humana. São comunidades, negócios ou sistemas que possuem instruções pré-programadas que não podem ser alteradas. Uma vez pronta, a organização autônoma seria imutável, o que poderia acabar de vez com erros humanos e corrupções em qualquer tipo de sistema. Para desligar uma DAO, somente desligando a internet como um todo. Na teoria, algo impressionante. Mas na prática, o projeto que deveria ser impenetrável, acabou sendo hackeado. De alguma forma, hackers conseguiram desviar 50 milhões de dólares dos fundos arrecadados com o financiamento coletivo. Segundo a Folha de São Paulo, para conseguir atacar a rede, “hackers criaram divisões e subdivisões consecutivas do dinheiro, extraindo recursos a cada rodada”. Para contornar a situação, os criadores do projeto The DAO, se viram em um dilema, já que voltar atrás no sistema, para devolver o recurso roubado, implicaria em ter que alterar a DAO, o que vai contra sua própria essência. Parte do grupo, que inclui o desenvolvedor brasileiro Alex Van De Sande, resolveu então atacar o hacker, usando as mesmas técnicas que ele havia usado. O time “Robin Hood”, como foi chamado, já conseguiu reaver parte do dinheiro, mas alguns entusiastas das organizações autônomas agoram questionam a credibilidade do The DAO.