Trabalho do Sebrae fortalece empreendedorismo

O empreendedorismo no Brasil ganhou destaque em Paris (França) nesta quinta-feira (6). O senador Adelmir Santana, que também preside o Conselho Deliberativo Nacional do Sebrae, proferiu palestra sobre o tema no 2° Salão do Brasil durante o Fórum Brasil 2007.

O senador Adelmir Santana que está em Paris desde quarta-feira (5) participando do salão que é presidido pelo embaixador Rubens Ricupero. Nesta quinta-feira (6), o senador ministrou palestra no 'Forum Brasil 2007', que se realiza no Lê Palais Dês Congres, a convite do professor Ignacy Sachs, diretor da escola de Ciências Sociais de Paris.

O tema da conferência de Santana, em função da sua condição de Presidente do Conselho Deliberativo Nacional do Sebrae e vice-presidente da Confederação Nacional do Comércio (CNC), foi 'O Empreendedorismo no Brasil'. O senador considera o tema como "um caminho seguro para a consolidação do desenvolvimento, a partir das micro e pequenas empresas".

Na sua palestra, Adelmir Santana fez referências históricas sobre o surgimento e os conceitos do empreendedorismo no mundo e no Brasil. No século XVI, destacou, empreender significava a ação dos envolvidos na coordenação de operações militares ou em associações de camponeses. O único objetivo era vencer ou lucrar a qualquer custo.

Só depois da Segunda Guerra Mundial, o empreendedorismo começou a ser compreendido sob diferentes enfoques e por uma enorme gama de áreas de conhecimento, como Administração, Engenharia, Ciências Jurídicas e Sociais e até a Psicologia. “Hoje podemos conceituar empreendedorismo como arte de planejar, de ousar, de imprimir coragem aos atos profissionais, usando de criatividade, conhecimentos e recursos tecnológicos para a construção de ambientes estratégicos e cenários de negócios exemplares, honestos, sólidos e com visão de futuro”, disse o senador.

“Para nós brasileiros, sul-americanos, a referência histórica moderna começa em 1947 quando o tema foi objeto de disciplina na Escola de Negócios da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. O tema ganhou status quando o economista americano Peter Druker instalou uma cadeira de empreendedorismo na Universidade de Nova Iorque em 1953”, acrescentou o senador.

De acordo com ele, o Brasil seguiu a ótica de tratar o Empreendedorismo e a Gestão de Empresas, como ciência, no campo da administração e foi a Fundação Getúlio Vargas que instalou em 1947 na cidade do Rio de Janeiro a disciplina no nível de pós-graduação, como especialização no curso de Administração de Empresas. Hoje existem mais de 200 instituições de educação superior no Brasil que oferecem o ensino da matéria.

Em nosso País, a aplicação prática de empreender se deu, de forma mais significativa, a partir da década de 70 e, atualmente, é visível o interesse dos empresários em conhecer e se adaptar às novas fórmulas que explicam a origem do sucesso das empresas, cujas gestões nelas são baseadas.

“É importante destacar que Brasília, a capital do Brasil, construída no tempo recorde de 1000 dias e inaugurada em 1960, é o resultado dos sonhos de um empreendedor que foi o presidente da República Juscelino Kubitschek”.

O senador destacou na ocasião a atuação do Sebrae. “Por tratar-se de uma entidade privada de interesse público e que tem como principal receita a contribuição recolhida pelas empresas, o Sebrae tem a missão transparente de oferecer às micro e pequenas empresas condições necessárias para que possam sobreviver, prosperar e contribuir ativamente para o crescimento do País, por meio da geração de emprego e renda.”

O Sebrae tem 750 pontos de atendimentos nas 27 unidades da Federação, conta com uma rede de 4.433 colaboradores e 9.223 consultores externos, desenvolve atualmente mais de 1.380 projetos que beneficiam 65 mil micro e pequenas empresas e 33 mil empreendimentos.

Empreendedorismo brasileiro

Adelmir Santanta ressaltou informações constatadas pela última pesquisa GEM - Global Entrepreneurship Monitor. Segundo o estudo, o Brasil é 7º colocado mundial em empreendorismo entre os países pesquisados pelo GEM. A taxa de crescimento do empreendedorismo inicial é de 11%. São aqueles empreendimentos com até 42 meses de existência. Desses empreendedores, 6% o são por oportunidade e 5% por necessidade. E significa em números absolutos 15 milhões de novos negócios.

O perfil pessoal do empreendedor brasileiro não difere muito dos empreendedores dos demais países do mundo. Na faixa etária dos 25 aos 34 anos eles são 16,6%. Dos 35 anos 44 anos de idade, são 14,7% e na faixa de idade entre 45 e 54 anos estão os empreendedores já estabelecidos que somam 14%.

As pequenas e micro empresas somam aproximadamente 5 milhões de estabelecimentos formais, são responsáveis por 20% do Produto Interno Bruto (PIB) a geração das riquezas - 56% da força de trabalho urbano no Brasil, isto é 16 milhões de empregos da área privada, de um total de 28 milhões dos postos de trabalho existentes.

Essas 5 milhões de micro e pequenas empresas se dividem em 56% delas no comércio, onde existem aproximadamente 1,4 milhões unidades que ocupam 7 milhões de pessoas. Na área dos serviços estão mais 30% delas com 1,9 milhão de estabelecimentos ocupando cerca de 8 milhões de pessoas.

E, na indústria onde estão 14% do total dos pequenos empreendimentos, incluindo-se a área da construção civil, são 630 mil unidades que empregam aproximadamente 3,7 milhões de pessoas.

A grande massa da atividade rural também é constituída de pequenos e micronegócios. Eles estão representados em pelo menos 4,1 milhão de propriedades familiares. O agronegócio representa 28% da riqueza nacional e é responsável por 37% das exportações, o equivalente a 32 bilhões de euros anuais. Os empreendedores rurais de pequenas propriedades são responsáveis pela maior parcela desta atividade econômica tendo a agricultura familiar como maior expoente da produção e geração de empregos no campo.

Depois de apresentar os dados do perfil socioeconômico das micro e pequenas empresas brasileiras, o senador fez referência à recente pesquisa do jornal americano US Today que coloca o Brasil entre os países mais empreendedores do mundo, embora até o ano de 2003 as taxas de mortalidade das novas empresas ultrapassasse os 50%, pela falta de conhecimento da gestão dos negócios e do mercado. Isso impedia que os empreendimentos chegassem ao terceiro ano de funcionamento.

Mas de acordo com nova pesquisa divulgada pelo Sebrae em agosto, 78% dos empreendimentos abertos entre os anos de 2003 e 2005 permanecem no mercado, contra índices de 50% de sobrevivência para as empresas abertas entre nos anos s de 2000 e 2002.

A pesquisa também indica que houve um aumento crescente no número de empregados com carteira assinada. Em 2003 e 2004 esse número se manteve estável com 64%. Já em 2005 e 2006 o número de brasileiros com carteira assinada saltou para 85%. A elevação desses percentuais deve-se, em parte, ao trabalho do Sebrae, que ao longo dos anos atua na capacitação dos empreendedores.

“Mas ainda temos problemas”, destacou o senador. As causas impeditivas do melhor desempenho do empreendedorismo no Brasil concentram-se em três condições: Políticas Governamentais, Apoio Financeiro e Educação e Capacitação. Os especialistas consideram quatro fatores como mais favoráveis para as atividades empreendedoras: clima econômico, programas governamentais, normas culturais e sociais e capacidade empreendedora.

A todas essas questões, o Sebrae está atento, reforçou o senador. Ele lembrou que o maior problema existente, que precede todas as questões impeditivas ao desenvolvimento pleno do empreendedorismo no Brasil é a informalidade.

Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) detectou que esta informalidade é de 51% aproximadamente, considerado todo o universo de negócios. O estudo indica uma tendência crescente. Ele destacou que, se não for feito um amplo trabalho de mobilização nacional a situação se agravará ainda mais. Também de acordo com essa pesquisa, a forma mais correta de combater a informalidade é a retomada do crescimento econômico e um ambiente favorável às empresas, com redução da carga tributária e das taxas de juros.

As empresas informais são responsáveis por aproximadamente 30 milhões de postos de trabalho, com o mesmo número de brasileiros sem amparo legal, tanto no que diz respeito à legislação trabalhista quanto à Previdência Social. O faturamento desta informalidade está estimado em aproximadamente R$ 20 bilhões.

Há hoje um consenso de que esta situação tem que mudar para se conseguir, de maneira mais ágil e justa, atingir o sonhado desenvolvimento econômico. Este fato mobilizou o Sebrae e o Parlamento brasileiro. Setores produtivos e suas corporações representativas e a sociedade também uniram-se na tentativa de diminuir a informalidade, tendo como resultado concreto a aprovação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, sancionada em dezembro do ano passado.

Esta nova lei é uma das principais ferramentas para mudar positivamente o ambiente de negócios no Brasil, pois traz a simplificação dos processos de gestão, a redução da carga tributária, a facilitação do crédito e outras vantagens capazes de evitar a mortalidade precoce dos pequenos negócios e motivar a inclusão de milhares de futuros empresários à formalidade.




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