UE abrirá centro de emprego na África para conter imigração

A União Européia (UE) deverá abrir seu primeiro centro para imigração fora da Europa, na capital do Mali, Bamako. Milhares de jovens da África Ocidental tentam entrar na Europa ilegalmente todos os anos, e muitos morrem no caminho.

A UE espera que o novo centro ajude as pessoas a encontrarem trabalho legalmente no bloco, e reduzir, assim, a imigração ilegal. Não está claro quantos empregos serão anunciados, mas acredita-se que ele será como uma gota d'água no oceano em comparação ao número de africanos desesperados para trabalhar na Europa.

A Comissão Européia, órgãos executivos da UE, disse que o novo centro oferecerá orientação sobre migração legal e ajudará candidatos a empregos no exterior a conseguir treinamento e buscar vagas. O centro também vai conscientizar os que pensam em emigrar à Europa sobre os perigos da migração ilegal.

Subsídios ao algodão

Há uma boa razão para que Mali tenha sido o país escolhido. Ele está no centro de rotas migratórias estabelecidas. Milhares de jovens da África Ocidental partem do norte de Mali todos os anos e cruzam o deserto do Saara rumo à Europa.

Eles costumam estar mal preparados para a jornada e muitos morrem no caminho. Viajar por mar da costa oeste da África para as ilhas Canárias também é uma rota popular e que também acarreta grandes riscos.

Rapazes de países como Gana e Nigéria costumam passar pelo Mali em seu caminho para o Senegal e a Mauritânia, onde são colocados em barcos de pesca superlotados.

Só na semana passada, a guarda costeira espanhola resgatou um grupo de 230 jovens africanos --o maior em um único barco de imigrantes ilegais a atingir território espanhol.

Um recente aumento acentuado no custo de alimentos e combustíveis tornou a vida ainda mais difícil para as populações da região.

Em muitos países da África Ocidental até jovens recém saídos de universidades lutam para encontrar emprego e acreditam que um trabalho na Europa que não exija qualificações seja a melhor forma de sustentar a sua família.

O Mali é um dos países mais pobres do mundo e o cultivo de algodão é uma fonte de sustento popular. Mas subsídios pagos aos fazendeiros de algodão dos Estados Unidos tornam quase impossível a competição no mercado internacional.



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