A crise no espaço aéreo brasileiro, principalmente na alta temporada, tem tomado tempo de autoridades, companhias aéreas, operadoras de turismo e, claro, dos passageiros.
Só na cidade de São Paulo, dos 26% das pessoas que estarão de férias em dezembro, apenas 19% vai viajar, e isso não significa que será de avião.
O medo de passar horas e horas no aeroporto tem feito com que turistas desistam das viagens e tem causado enormes prejuízos ao setor, com perdas na hotelaria e agências de turismo.
O que esperar para este fim de ano?
Operação horário de pico
Como alternativa de amenizar o problema na época mais importante para o Turismo brasileiro, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) quer restringir os horários de vôos charter (fretamentos) para diminuir o congestionamento no espaço aéreo em horário de pico na alta temporada.
De acordo com o presidente da Anac, Milton Zuanazzi, entre dezembro e fevereiro estão concentrados 70% dos vôos charter do País.
Entre os fretamentos domésticos, 80% partem de São Paulo e, entre os internacionais, a grande maioria vem da Europa para o Nordeste do Brasil.
Para Zuanazzi, o impacto dos vôos charter fora de temporada não são relevantes, no entanto, com a proximidade das festas, o ideal seria uma restrição entre 7h e 9h e das 17h às 20h, de segunda a sexta-feira, e aos domingos, a partir das 17h.
Os vôos já autorizados não devem sofrer mudanças. Segundo a assessoria de imprensa da Anac, o ideal seria que esses fretamentos ocupassem as madrugadas ou outros horários com menos movimento.
Comissão
Representantes das companhias aéreas e operadoras de turismo, além da Anac e Decea (Departamento de Controle do espaço Aéreo), devem apresentar uma proposta com relação ao assunto para chegar a um ajuste e evitar transtornos no período.
De acordo com a assessoria da imprensa da Abav (Associação Brasileira de Agências de Viagens), a associação não participou do encontro e ainda aguarda comunicado a respeito do assunto.
Alternativas
Turistas que não querem ter problemas nas férias estão optando por formas alternativas de viajar, seja de carro, ônibus ou navio.
De acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati), já houve incremento de 30% de passageiros somente no trecho entre as cidades de Rio de Janeiro e São Paulo.
O Porto de Santos deve receber até 700 mil turistas durante esta temporada de cruzeiros marítimos, que começou em 11 de outubro, segundo levantamento da Alfândega.
Além disso, em todo o ano, já foi registrado aumento de 50% nas vendas de pacotes para viagens de navios, de acordo com o presidente da Abav.