O termo burguês descende dos moradores que viveram nos burgos (cidades protegidas por muralhas) no fim da Idade Média, logo após o Feudalismo. Originalmente, uma classe social surgida na Europa Ocidental, a burguesia descreve uma classe social caracterizada por sua propriedade de capitais, sua relacionada 'cultura' e sua visão materialista do mundo. Na filosofia Marxista, o termo 'burguesia' denota a classe social que detém o meio de produção, e cujas preocupações sociais são o valor da propriedade e da preservação do capital, a fim de garantir a sua supremacia econômica. A burguesia desempenhou um papel revolucionário na história invadindo o mundo inteiro e essa expansão acabou por proporcionar uma epidemia de superprodução deixando a sociedade numa barbárie momentânea. Ela, ao sentir-se ameaçada, passa a destruir forças produtivas com violência, conquistar novos mercados e a explorar mais os antigos, forjando crises gerais e violentas. Mas a burguesia não forjou apenas as armas, ela também produziu os homens que as empunharam: Os operários modernos ou proletários. Com o desenvolvimento da história moderna, o trabalho dos operários homens passa a ser substituído por uma mão-de-obra mais barata: As mulheres e as crianças que passam a ser vistas como meros instrumentos de trabalho. A luta do proletariado contra o burguês é ferrenha uma vez que seus interesses e condições de existência igualam-se à medida que a máquina apaga todas as diferenças entre eles. A superação proletária frente à burguesia A história de todas as sociedades que existiram até os dias de hoje é a história de luta de classes em que opressores (homens livres, patrícios, senhores, mestres) e oprimidos (escravos, plebeus, servos, oficiais) travaram uma guerra ininterrupta, que acaba sempre revolucionando e transformando toda a sociedade. A sociedade burguesa recém-saída do Feudalismo não aboliu os antagonismos de classes, mas sim substituiu velhos costumes por outros novos. Contudo, o caráter distintivo da época da burguesia foi o de dividir a sociedade cada vez mais em dois vastos campos: a burguesia e o proletariado. A burguesia moderna é produto de um desenvolvimento longo, de uma série de revoluções no modo de produção e trocas. À medida que a burguesia evoluía, o processo político acompanhava essa evolução e só depois do estabelecimento da grande indústria e do mercado mundial, conquistou por fim a hegemonia exclusiva do poder político no estado moderno. Esse novo governo não é mais do que uma junta que administra os negócios comuns de toda a classe burguesa. A burguesia desempenhou um papel revolucionário na história, não podendo existir sem revolucionar constantemente os instrumentos de produção e o conjunto das relações sociais. A conservação do antigo modo de produzir era, pelo contrário, a primeira condição de todas as classes industriais anteriores. Uma revolução contínua na produção comove todo o sistema social, uma agitação e uma insegurança constantes distinguem a época burguesa de todas as anteriores. As antigas relações sociais dissolvem-se e as que surgem em seguida envelhecem antes de se solidificarem. Tudo o que era permanente, esfumaçam-se; o sagrado vira profano e os homens se veem obrigados a encarar suas novas condições de existência. Com a necessidade de dar cada vez mais saída aos produtos, a burguesia invade o mundo inteiro implantando-se, explorando e estabelecendo relações por toda a parte. Ao explorar o mercado mundial, ela deu um caráter cosmopolita à indústria e sua base nacional. As velhas indústrias nacionais são suplantadas por outras novas a cada dia; indústrias que já não empregam matérias-primas indígenas, mas sim aquelas vindas das regiões mais longínquas do mundo e cujos produtos se consomem não só no próprio país, mas em todas as partes do globo. As antigas necessidades satisfeitas com os produtos nacionais são substituídas por outras novas, que reclamam para sua satisfação produtos das regiões e climas mais longínquos. Ao invés de regiões isoladas que se bastavam, estabelece-se um intercâmbio universal, uma interdependência das nações. Preços baixos de mercadorias fazem capitular até os bárbaros mais hostis aos estrangeiros. Sob pena de corte, faz com que todas as nações adotem o modo burguês de produção, introduzindo-se assim a chamada civilização, ou seja, tornando-as burguesas. No interior da sociedade feudal é que foram criados os meios de produção e de troca em que se baseia a burguesia e que ao se desenvolverem esses meios, as relações feudais de propriedade, deixaram de corresponder às forças produtivas em pleno desenvolvimento. Travavam na produção em vez de fazer progredir, transformando-se em cadeias, cadeias essas que precisam ser quebradas e de fato são quebradas cedendo lugar à livre concorrência, com uma constituição social e política apropriada, com supremacia econômica e política da burguesia. Desde sempre a história da indústria e do comércio não é mais do que a história das forças produtivas modernas com as relações de produção atuais, contra as relações que condicionam a existência da burguesia e sua dominação. Basta mencionar as crises comerciais que, com seu retorno periódico ameaçam, cada vez mais, a existência da sociedade burguesa. Cada crise destrói tanto os produtos já criados quanto uma parte grande das forças produtivas gerando uma epidemia: a epidemia da superprodução. A sociedade encontra-se em um estado de barbárie momentâneo: a indústria e o comércio parecem aniquilados. E isso, devido a uma demasiada civilização da sociedade, onde as forças produtivas de que dispõe não servem mais o desenvolvimento, pelo contrário, tornam-se poderosas demais para estas relações, que constituem um obstáculo ao seu desenvolvimento; a cada superação de um obstáculo, uma desordem surge e ameaça a existência da propriedade burguesa e que acaba tornando-a estreita para conter as riquezas criadas em seu seio. Como a burguesia supera isso? Destruindo forças produtivas com violência conquistando novos mercados e explorando intensamente os antigos. A que conduz isso? A preparar crises mais gerais e mais violentas e a diminuir os meios de preveni-las. Mas a burguesia não forjou apenas as armas, ela também produziu os homens que as empunharam: Os operários modernos, os proletários. Quanto maior o desenvolvimento da história moderna, maior a produção em que o trabalho de homens é substituído pelo de mulheres e crianças, fazendo diferenças de sexo e idade perderem toda a significação social, sendo todos reduzidos a meros instrumentos de trabalho. Todo o escalão inferior das classes médias de outrora, caem nas fileiras do proletariado seja por depreciação de suas habilidades técnicas, seja por seus pequenos capitais não lhe permitirem empregar os processos da indústria. A luta do proletariado contra a burguesia começa com sua própria existência, uma vez que os interesses e as condições de existência dos proletários igualam-se à medida que a máquina apaga as diferenças e reduz os salários, tornando-se cada vez mais instáveis. O aperfeiçoamento da máquina acaba colocando o operário numa situação precária, fortalecendo colisões entre operário e burguês. Os operários começam a formar coalizões contra os burgueses para defesa de seus salários chegando a formar associações permanentes para assegurar os meios necessários na perspectiva de novas rebeliões. Aqui e além, a luta rebenta sob a forma de sublevações. Os meios de comunicação criados pela indústria favorecem esta união permitindo aos operários de localidades diferentes se contatarem. Isso faz com que as lutas sociais se tornem uma só, uma única luta de classes. O fato é que toda luta de classes trata-se de uma luta política e o que os burgueses levaram séculos para concretizar, os proletários realizam em poucos anos e aproveitaram as divisões da burguesia para obrigá-la a reconhecer alguns interesses da classe operária (a jornada de dez horas na Inglaterra). Essas colisões acabam favorecendo o desenvolvimento do proletariado que, através da própria burguesia se envolve nesses movimentos políticos ganhando com isso elementos da educação burguesa, que conseguinte, torna-se uma arma contra ela própria. O proletariado foi a única classe revolucionária que se opôs à burguesia sem perecer com o desenvolvimento da indústria. As classes médias, por mais revolucionárias, são conservadoras e racionarias, já que pretendem fazer andar pra trás a roda da história. Elas são revolucionárias unicamente quando visam sua passagem ao proletariado, defendendo então seus interesses futuros e não os atuais, acabando por abandonar seu ponto de vista e adotar o do proletariado. O trabalho industrial moderno, a sujeição do operário ao capital, despoja o proletariado do caráter nacional. Todos os movimentos históricos até agora foram realizados por poucos ou em prol de poucos, e o proletariado abrange uma maioria lutando em favor da maioria, o que não elimina o fato de que a burguesia ainda existe e precisa ser eliminada de dentro do proletariado de cada país. Assim descrevemos a história da guerra civil meio oculta, desenvolvida na atual sociedade, até que essa guerra se torne uma revolução aberta e o proletariado descubra a burguesia e implante sua dominação com violência. O que mantém a burguesia dominante é o acúmulo de riquezas, a formação e o crescimento do capital, esse só existe com o trabalho assalariado que gera concorrências entre os operários. O progresso da burguesia é um agente involuntário, substitui o isolamento dos operários gerado por essa concorrência, pela sua união mediante a associação, estabelecendo assim um sistema de produção e apropriação. Sua queda e a vitória do proletariado são de fato, inevitáveis. As lutas constantes entre as classes sociais existem desde a antiguidade. O trabalho de Marx traz exemplos claros da evolução burguesa através dos séculos, seus estudos mostram a importância dessa classe para a implantação do capitalismo mundial. A rivalidade constante entre burgueses cria uma crise comercial que traz ainda mais prejuízos à classe proletária, que vive em guerra permanente com a burguesia, na busca de melhorar suas condições trabalhistas e sua vida num âmbito geral. A instalação de maquinários cada vez mais evoluídos gera desemprego e insatisfação ao trabalhador, criando novas crises ao sistema, fazendo com que os burgueses procurem sempre novas soluções para inovação capital, buscando assim evitar o fim do capitalismo e com isso, seu próprio fim pelas mãos proletárias.