A confiança, também é conhecida como Capital Social. Por que capital social? Porque se trata do valor das relações ou conexões de uma rede social baseados na confiança, cooperação, compartilhamento de conhecimentos e reciprocidade, o que contribui para o desenvolvimento econômico e social de uma comunidade. Quanto maior o nível de confiança entre as pessoas em um determinado grupo, maior é a riqueza entre as relações, maior a sinergia, maior rapidez nas tomadas de decisões, melhor o resultado. Quando há baixa governabilidade, e isso se aplica à instituições públicas e às organizações privadas, abala a confiança das pessoas, o que pode gerar desconfiança e falta de credibilidade. Por outro lado, quanto maior a competência de uma autoridade na administração pública, aumenta a confiança dos cidadãos nela e melhora o capital econômico. Veja por exemplo o nosso país, essa avalanche de lamaçal de corrupção no governo e como afetou muitíssimo as relações com os investidores. A quebra da nossa economia tem sido afetada justamente por essa quebra de confiança dos investidores no Brasil. Quem quer investir numa economia instável e em um país sem credibilidade? A falta de credibilidade gera débitos e nunca créditos! A crise que estamos vivendo é sem dúvida uma crise de caráter sem precedentes. O maior reflexo disso é que desconfiamos quando alguns segmentos da nossa sociedade agem com inverdades, sejam políticos, autoridades, religiosos ou empresários. Perdemos a confiança nas pessoas, e o mais sério de tudo isso, naquelas que outrora eram nossos exemplos e espelhos! A economia gira em torno de confiança e as empresas sobrevivem se eles conseguem convencer a seus clientes de que eles podem confiar nelas. Um bom exemplo disso são os nossos mecânicos. Qual o critério que você utiliza para levar seu carro a um mecânico? Quando percebemos que fomos enganados, ou lesados, aumenta a desconfiança e desaparecemos daquela oficina, além de fazermos um alerta na nossa rede social sobre o perigo de levar o carro lá. Observe que o mesmo critério se aplica ao médico, ao cabeleireiro, à seu restaurante proferido ou ao seu consultor financeiro. O cidadão vai formando o que os sociólogos denominaram 'Ilhas de grupo de confiança'. Empresas falam de fidelizar o cliente, mas quais são os passos que devem dar para que possam garantir ao seu cliente que sua empresa é séria e confiável? Somente o marketing é suficiente? Logicamente não! Um relacionamento só frutifica e cresce em base à confiança. Perder esse elo, é como uma corrente que se quebra e se tenta emendar com arame. Haverá sempre pontos frágeis e vulneráveis na relação! Quando se perde a confiança em alguém, perde-se toda a admiração e respeito que tínhamos por ela. O esforço para recuperar a confiança perdida é doloroso e o caminho a percorrer é longo. No ambiente de trabalho não é diferente. Os gestores e líderes trabalham duro para formar uma equipe de alta performance, mas não haverá boa comunicação, empatia, espírito de equipe sem o elo de confiança. Um colaborador lida com informações preciosas de uma empresa. Cuida de valores, documentos e procedimentos que precisam receber um tratamento discreto ou mesmo confidencial. Ninguém gostaria de saber que aquilo que foi conversado na sala de seu gestor, no dia seguinte os boatos estivessem circulando nos corredores da empresa, ouvindo cochichos ou sendo vítima de olhares curiosos! Precisamos reverter essa situação. Sermos pessoas confiáveis e ao mesmo tempo sermos pessoas que confiam. Somente com as atitudes corretas poderemos viver com tranquilidade, respeito, honestidade, transparência, boa comunicação e confidencialidade. A relação se tornará mais leve e agradável. O líder precisa confiar em seu colaborador. Espera que ele seja leal a missão da empresa, espera que mostre comprometimento com suas respectivas metas. Sejam em negociações, movimentações financeiras, fechamento de caixa, reuniões que tratam de assuntos restritos, ou mesmo discrição quando se trata dos futuros projetos da empresa. 'Confiança é o que se espera de outra pessoa em situações que irão exigir tomadas de decisões das quais estamos envolvidos e não podemos correr riscos. A confiança é um dos alicerces da construção social de toda e qualquer relação entre pessoas, grupos, ou organizações, ou seja, é a base na qual consolidam-se relações sociais, interpessoais e entre os grupos de uma organização, bem como as relações Inter organizacionais'2 Portanto, a confiança é condição, sem a qual não podemos nos manter em relacionamentos duradouros, quer seja um namoro ou casamento, quer seja um emprego, negócios ou liderança. A confiança é condição 'sine qua non' para construirmos uma sociedade próspera e mais justa! Prof. Juan Mendonça, Especialista em Liderança e formação Profissional. 1. Dáraujo, Maria Celina. Capital Social- Editora Zahar. Rio de Janeiro, 2003 2. Confiança, definição da Wikipédia. Disponível em: < https://pt.wikipedia.org/wiki/Confian%C3%A7a_no_processo_de_lideran%C3%A7a>. Acesso em 16.10.2017