Unindo as áreas de informação e educação, nada mais específico que a Educomunicação. Trata-se de uma metodologia pedagógica que propõe o uso de recursos tecnológicos modernos e técnicas da comunicação na aprendizagem através de meios de mídia, podendo ser desenvolvida por professores de qualquer área. Não se trata apenas de educar usando a comunicação como instrumento, e sim de converter essa comunicação no eixo principal dos processos educativos: educar pela e para a comunicação. O campo acadêmico da comunicação, no seu processo de auto avaliação e reflexões epistemológicas, na maioria das vezes trata o termo comunicação relacionado aos meios de comunicação de massa, onde vários pesquisadores defendem que a formação do profissional da área deverá ser voltada somente para a atuação nos meios de comunicação de massa. Em contrapartida, as discussões sobre educomunicação, no Brasil, relacionam a área ao uso dos meios na educação, como foi feito por Ismar de Oliveira Soares, 65 anos, jornalista, Doutor em comunicação e coordenador e fundador do Núcleo de Comunicação e Educação da Universidade de São Paulo (NCE-USP). Soares foi precursor dos estudos de educomunicação no Brasil ao publicar um dos primeiros textos com a utilização do termo em 1999, não como tentativa de criar uma nova área de conhecimento, mas sim para legitimar e sistematizar o que até então também era chamado de comunicação/educação ou inter-relação comunicação e educação. As áreas de atuação do termo educomunicador são bem mais abrangentes que a do comunicador social ou do educador. Estamos nos referindo a pesquisa, a reflexão e a intervenção social com metodologias variadas e específicas. Mais do que algo a ser investigado, a Educomunicação é um campo de relação de e entre saberes. É uma área que abre espaço para questionamentos e conhecimentos, que deve buscar uma educação integradora, multidisciplinar e formadora, não somente voltada aos alunos mas aos docentes, quando a sala de aula – virtual ou física – for compreendida e enxergada como um campo fértil de transformação social a partir dos indivíduos sociais que a compõem e dos meios de comunicação que os influenciam. A educomunicação, ante os estudos contemporâneos, deverá ser caracterizada pela abordagem sistêmica das relações entre os recursos da comunicação e as atividades humanas, identificando a natureza da interatividade propiciada pelos novos instrumentos da comunicação e democratizando o acesso às tecnologias, desmistificando-as e colocando-as em prática não somente no ambiente acadêmico, mas em prol de toda a sociedade. Deve ser vista, antes de tudo, como a possibilidade de novas perspectivas, de algo que será construído por meio de uma fundamentação, porém apto a ser questionado, criado, respeitando o princípio do coletivo em discussões e debates, mas não abrindo mão do individualismo de pensamentos e decisões, agindo como campo de integração, interdiscursivo, participativo e com olhar crítico. Referência:SOARES, Ismar O. Educomunicação: o conceito, o profissional, a aplicação, contribuições, para a reforma do ensino médio. São Paulo: Paulinas, 2011.