Matéria públicada no Jornal A Noticia, de Santa Catarina, dia 18/10/2007 muito interessante sobre empresários que estão visitando feira e avaliando as vantagens de serem aliados ou rivais dos chineses. Eis a matéria: ” A sombra do gigante chinês parece encurralar a indústria têxtil brasileira. “Pago R$ 1,00 para fechar (costurar) uma peça no Brasil, aqui, pagaria 0,10″, diz Patricia Floriani, da RC Conti de Brusque. ” Vi calças jeans de boa qualidade que no Brasil não custariam menos de R$100,00 com preço equivalente a R$15,00″, garante Nério Ceccon, da Bordados Vitória, de Modelo. “Vi bons clientes visitando os expositores chineses”, afirma Rui Altenburg, da Alteburg, de Blumenau. Integrantes da missão empresarial organizada pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) para visitar a 102ª edição da Canton Fair, em Guangzhou, estão vendo por que o setor têxtil nacional é ameaçado pelo crescimento da China. Diante de uma encruzilhada na qual não estão claros os sinais que apontam as direções da oportunidade e da ameaça, precisam decidir que caminho tomar. Patricia e o irmão Jéferson, que fabricam artigos de moda íntima, visitam a China pela primeira vez e já têm um diagnóstico: os produtos têxteis são bonitos, mas mal-acabados; a matéria prima é boa, a mão de obra, não. DIzem que poderiam ganhar dinheiro se trouxessem as peças para serem fechadas na China, mas que isto desempregaria quem mantém o mercado consumidor de SC. ” O empresario deveria buscar soluções, como comprar maquinas e matérias-primas que permitam vender mais barato no Brasil”, conclui. Nério Ceccon, que fabrica e borda produtos para cama, mesa e banho, classifica os preços chineses como fantásticos. Mas está cauteloso. Ele diz que no Brasil um tecido bom, com 300 fios, custa mais de R$ 18,00 o metro linear e que na China, um superior com 500 fios, fica em R$ 7,82. Ele avalia que – com impostos, frete e alfândega – este valor deve subir uns 80%. ” Ainda sairia pelo menos 30% mais barato. Mas é preciso avaliar com cuidado para ver se a diferença compensa o risco”. No Vale do Itajaí, a Altenburg ainda não se conformou com o prejuízo sofrido com um contêiner carregado com mercadoria chinesa defeituosa. O correto seria uma carta de crédito para 90 dias, para que houvesse tempo do transporte e da inspeção da carga, defende Rui Altenburg. Alguns comentários: ” O Brasil deve fechar o ano com déficit de US$ 1 bilhão na balança comercial têxtil. Vai ter importado mais do que vendido ao exterior.” ” O que ajudaria são as reformas tributária e trabalhista. Assim, as empresas poderiam competir com o mercado chinês.” O Setor em SC Gerou 1.748 empregos em setembro deste ano. Tem mais de 3 mil empresas dos setores têxtil e vestuário, com 83 mil trabalhadores. Exportou mais de US$ 205 milhões até agosto e US$216 milhões no mesmo período em 2006. No Brasil Mais de 30.000 empresas Gera 1,6 milhão de empregos. Está na lista dos dez principais mercados mundiais da indústria têxtil.