Falar de lideranças pode parecer habitual diante da quantidade de reportagens, livros, artigos, entre outros materiais que circulam nas redes sociais atualmente. Contudo, um fato que merece atenção é a escassez de líderes que é cada vez mais perceptível em todos os setores da sociedade. A falta de pessoas que inspirem valores é evidente, dando espaço a pessoas cujo objetivo principal é o seu próprio bem-estar. No cenário contemporâneo, existe um foco exagerado no individual. Leônidas, rei espartano, mostrava aos seus liderados que o preparo individual era importantíssimo, no entanto, o trabalho em equipe e o espírito de corpo mostravam a verdadeira potência de seu exército. Mesmo diante uma situação totalmente adversa, Lêonidas inspirava seus liderados através de propósitos que iriam beneficiar a todos e não somente a ele. Apesar de exercer a função de rei, sua preocupação era com todos que estavam sobre seu comando, com isso, era considerado um exemplo tanto no ambiente de combate como também no pessoal. Palavras como ética e honra, não eram apenas parte do seu vocabulário mas também de suas ações. Já no contexto corporativo, não é tão diferente, as empresas vem sofrendo com essa falta de pessoas capacitadas para exercerem cargos de confiança. Muitas empresas estão com um sistema de administração baseado na Teoria da Administração Científica, de Frederick Taylor (1903), onde a ênfase era exclusivamente no cumprimento de tarefas e a chefia não dava espaço para a liderança. Mário Sérgio Cortella, filósofo, em seu livro: 'Qual é a tua obra? : Inquietações propositivas sobre gestão,liderança e ética. Vozes (2014)' , enumerou cinco competências essenciais na arte de liderar. Que são: Abrir a mente: O líder deve ser flexível as mudanças e estar sempre disposto a aprender. Existem pessoas que são incapazes de abrir a mente, ou seja, sempre irá prevalecer as suas ideias, deixando de lado a visão holística. Elevar a equipe: Capacidade de inspirar as pessoas, e deixar claro que ao crescer, a equipe crescerá junto com ele. Segundo Cortella, existe o líder trapezista, ou seja, aquele faz o espetáculo, levanta a escada, alguém segura a escada para ele subir e, quando ele chega lá em cima, empurra a escada e ninguém sobe mais. A terrível habilidade do individualismo. Recrear o espírito: As pessoas devem se sentir bem e ter alegria onde estão. Um ambiente de trabalho precisa ser alegre. Sem alegria não há motivação e muito menos, produtividade. Lembrando que seriedade não é sinônimo de tristeza. Inovar a obra: Fugir da mesmice e fortalecer a capacidade de se reinventar, criando novos métodos e soluções. Ir sempre adiante e fazer de outro modo sempre que precisar. Empreender o futuro: Mostrar a importância do crescimento coletivo. O líder promove a troca de ideias com a finalidade do crescimento contínuo de toda a equipe. Ainda no âmbito organizacional, os líderes são responsáveis diretamente pelos resultados sejam eles positivos ou negativos. É dele que parte as decisões, os caminhos a serem seguidos, as estratégias e, principalmente, as soluções. Entretanto, é dele também a responsabilidade pelo fracasso de uma organização. É ele quem desanima a equipe, é ele que, por um autoritarismo devido à posição de destaque, coloca em risco o futuro de uma empresa. Realmente, liderar não é uma tarefa simples. O autocontrole é um atributo primordial que um líder deve ter, se há alguém de quem se espera calma, este alguém é o líder, pois irá se deparar com diversas situações que, muitas vezes, ultrapassam as suas próprias possibilidades. Uma frase bem conhecida nas organizações é: 'Devemos separar o pessoal do profissional'. Sim, devemos, e é preciso. Porém, as responsabilidades pessoais também fazem parte do cotidiano de qualquer pessoa, seja ela líder no trabalho ou não. A questão não é separar e sim, administrar. Para isso, as pessoas devem se conhecer, ou seja, saber liderar a si mesmo antes de querer liderar outras pessoas. 'Conhece a ti mesmo', recomendaria a escritura no pátio do templo de Apollo. Portanto, temos a obrigação de continuar a questionar, cobrar, lutar e também acreditar em pessoas e ideias sérias. Essa carência de lideranças também é nossa responsabilidade, pois podemos e devemos sugerir ideias que venham a contribuir no aprimoramento de pessoas que estão nos cargos de confiança. Leônidas, rei espartano, mostrou ao mundo que com inteligência tática e um pequeno grupo de pessoas extremamente motivadas em prol de um objetivo, somos capazes de solucionar problemas e enfrentar concorrentes bem maiores.