Uma grande empresa da área de calçados, mundialmente conhecida tinha números e métricas formidáveis. Seu DRE e seu balanço patrimonial eram perfeitos: situação econômica e financeira em “timing” consonantes. E então, o diretor de Marketing sugeriu que os seus dois melhores gestores de negócios participassem de um desafio. Chamados para uma reunião na sala do diretor, não conseguiam esconder as suas inseguranças. Com muitas dúvidas, receberam das mãos do diretor, o briefing contendo suas missões. A missão dos dois, basicamente era: vender todo o estoque de calçados. Eles seriam enviados à África, cada um em um período diferente: dois semestres, duas visitas distintas, com todas as despesas pagas, com suas famílias e uma equipe técnica, em datas distintas. Desafio aceito. No primeiro semestre, primeiro gestor partiu para um dos países africanos. O primeiro, chegou com dúvidas. Com a equipe, faziam muitas reuniões e trabalharam açabarcando uma grande área de trezentos quilômetros quadrados, pesquisando e fazendo levantamentos. Basicamente o trabalho foi sendo realizado. Terminando os seis meses, o primeiro chegou à empresa. Logo, enviaram o segundo e a segunda equipe. O trabalho foi o mesmo! Levantamento estatístico, planejamento de vendas, reuniões e muitas aventuras profissionais. O segundo voltou após seis meses. No fim de ano, a empresa reuniu os dois gestores para uma reunião com todos os investidores e sócios. Parecia a sala do “Aprendiz” (programa da rede Record, apresentado por Roberto Justus). Os dois, confiantes, estavam prontos para iniciarem suas explanações, com flip chart, data show e toda a tecnologia possível! O momento era crucial para definição de suas carreiras! Chegou a hora do primeiro gestor. E assim, começou sua apresentação. Ele apresentou seus resultados: zero de vendas! Seis meses. Zero de vendas. Com os olhares esbugalhados, os sócios e investidores, acionistas da corporação, não acreditavam no que viam e escutavam! E ele deu sua explicação: “- Ninguém usava sapato! Ninguém queria comprar algo inútil para eles. Achavam que era algo que não agregava, apesar de todos os esforços”. Disse o primeiro. Obviamente, comentou que a promoção dos sapatos havia sido feita em uma área carente, com péssimo IDH etc. E terminou sua apresentação. O mediador, então chamou o segundo, sem comentar nada sobre a apresentação do primeiro. O segundo iniciou a sua apresentação. Com aquele sorriso de campeão, apresentou os histogramas do sucesso: 100% da produção semestral havia sido comprada pelo comércio de toda a área abrangida. Por que? E eis a resposta do segundo gestor: “- Ninguém usava sapato”. Surpreendentemente, os acionistas se levantaram e bateram salvas de palmas para o grande feito! O primeiro gestor teve de iniciar aulas de gestão com o segundo para corrigir seu desempenho. E o segundo recebeu louvável promoção! Esse texto mostra o poder da hermenêutica! Pontos de vista são cruciais para a tomada de decisão. Quem não possuir a mente aberta (fora da caixa) para aprender as tendências / ou criar oportunidades para si e para seu ambiente, perderá uma considerável fonte cognitiva! E perderá resultados! O mundo de hoje requer que o profissional tenha “visão de coruja” (trezentos e sessenta graus) para melhor tomar decisões que influenciarão os passos diante dos trade-offs da vida!