A IMPORTÂNCIA DO CONHECIMENTO EM GESTÃO ESTRATÉGICA DE NEGÓCIOS PARA SOBREVIVÊNCIA DAS PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS BRAGA, Viviane Cota1 CHIARETTO, Silvana2 RESUMO As micro e pequenas empresas brasileiras enfrentam um grande desafio no mercado contemporâneo, o de sobreviver. O seu principal ator, o empreendedor, é um notável motivador do sucesso ou não do negócio. Faz necessário então, entender a importância do conhecimento em gestão estratégica de negócios para a sobrevivência dessas empresas. Para tanto, fez-se um levantamento bibliográfico abordando técnicas de gestão, o empreendedorismo no Brasil e, fatores condicionantes à mortalidade de uma empresa e a sua relação com o nível de escolaridade do empreendedor. Por fim, infere-se que, as organizações devem investir em conhecimento em gestão estratégica de negócios para aumentar a probabilidade de sua sobrevivência por meio de gestão consciente, preventiva, precisa e eficiente. Palavras-chave: Gestão Estratégica de Negócios; Mortalidade Empresarial; Pequenas e Médias Empresas. ABSTRACT The micro and small Brazilian companies face a great challenge in the contemporary market: the surviving. Their main actor, the entrepreneur, is a notable motivator of the success or failure of the business. It is necessary then, to understand the importance of the knowledge of strategic administration applied on business for the companies survival. For this purpose, it was made a bibliographical survey about administration techniques, the entrepreneurship in Brazil and conditioning factors to the mortality of a company and its relationship with the level of the entrepreneur’s education. Finally, it is inferred that, the organizations should invest in knowledge of strategic administration of businesses to increase the probability of their survival through administration conscious, preventive, precise and efficient. Keywords: Strategic Business Management; Mortality companies; Small and Medium Business. ______________________________________________________________________ 1 Atuária, Graduada pelo curso de Ciências Atuariais pela PUC/MG, 2007. E-mail: vivianebraga@hotmail.com 2 Professora e Orientadora do MBA em Gestão Estratégica de Negócios. E-mail: silvana.chiaretto@fumec.br INTRODUÇÃO O empreendedorismo vem crescendo de forma exponencial ao longo dos anos no Brasil. Segundo o projeto Global Entrepreneurship Monitor (GEM, 2015) que tem como objetivo compreender o papel do empreendedorismo no desenvolvimento econômico e social do país, apenas em 2015, cerca de 52 milhões de brasileiros estavam envolvidos na criação ou na manutenção de algum negócio, gerando uma parcela significativa do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Hoje as Micros e Pequenas Empresas (MPE) representam 27% do PIB brasileiro. Dados do SEBRAE (2014) mostram que em dez anos os valores da produção gerada pelos pequenos negócios saltaram de R$ 144 bilhões para R$ 599 bilhões. Estudar os fatores impactantes para a continuidade destas empresas é importante tanto para o desenvolvimento socioeconômico do país quanto para o diagnóstico de fatos relevantes ao planejamento de novos empreendimentos, questões estas, que justificam o presente estudo. Para tanto, faz-se imprescindível conhecer quais coeficientes contribuem para a sobrevivência e/ou mortalidade das pequenas e médias empresas, de forma a servir-se do conhecimento em gestão estratégica de negócios para coadjuvar com o sucesso desses empreendimentos e evitar o fechamento prematuro desses negócios. Pressupõe-se que o conhecimento na gestão estratégica de negócios influencia na gestão sustentável de uma empresa, embasando as decisões, aumentando a precisão dos controles e tornando os seus processos mais eficientes. À vista disso, tem-se como objetivo geral deste estudo, uma análise sobre a importância do conhecimento da gestão estratégica de negócios para a sobrevivência das pequenas e médias empresas. E, especificamente, verificar se o conhecimento em gestão estratégica de negócios: a) torna sustentável uma organização; b) embasa as decisões estratégicas; c) influencia no aumento da precisão dos controles; d) influencia na eficiência dos processos. Para tanto, a metodologia escolhida para este estudo é o levantamento bibliográfico por meio de pesquisas qualitativas e descritivas, coleta de dados, tratamento de dados e análise de conteúdo. Este artigo está estruturado de forma que o capítulo um refere-se à introdução, o capítulo dois contém o referencial teórico – subdividido para uma melhor compreensão das ideias, o capítulo três trata da metodologia de pesquisa, seguido dos capítulos quatro e cinco, onde constam a análise de resultado e as considerações finais, respectivamente. Por fim, este estudo buscou-se a responder a seguinte questão: Qual a importância do conhecimento em gestão estratégica de negócio para sobrevivências das pequenas e médias empresas? 2 REFERENCIAL TEÓRICO Neste capítulo serão apresentados os principais conceitos de gestão estratégica de negócios, explanando sobre o planejamento estratégico, ferramentas para uma gestão de negócios qualificada e estruturada, o processo decisório na organização e sua importância, o empreendedorismo no Brasil, e, a relação entre a mortalidade das micro e pequenas empresas com o nível de escolaridade dos empreendedores. O ambiente competitivo do mercado tem compelido às empresas a cada vez mais planejarem os pontos fundamentais sobre a organização, tais como a sua missão, visão e sobre suas competências diante do mercado, em epítome, este cenário competitivo exige um molde estratégico para enfrentar o mundo dos negócios. Etimologicamente, o termo estratégia vem do grego 'stratégos' de stratos (exército) e ago (liderança). Suas origens encontram-se na teoria militar, de onde foi adotado seu significado literal 'a arte do general' (SERTEK; GUINDANI; MARTINS, 2007). De acordo Sertek, Guindani e Martins (2007, p. 45), uns dos primeiros usos do termo 'estratégia' foi utilizado há aproximadamente 3.000 anos pelo estrategista chinês Sun Tzu, o qual afirmava que 'todos os homens podem ver as táticas pelas quais eu conquisto, mas o que ninguém consegue ver é a estratégia a partir da qual grandes vitórias são obtidas'. O planejamento estratégico trata-se de um método gerencial que permite direcionamento e controle; maximização dos objetivos; minimização de deficiências e proporciona a eficiência e eficácia dos processos de uma organização (SERTEK; GUINDANI; MARTINS, 2007). O planejamento estratégico é uma grande oportunidade para inovar a gestão de uma organização, e para que isso ocorra de forma genuína, deve-se realizar um exame crítico e honesto quanto aos valores e à missão que a empresa quer assumir no mercado (SEBRAE, 2016). Para Ferrel (2000, p.19-20) 'o processo de planejamento estratégico deve incluir identificação da missão e das metas organizacionais, a estratégia corporativa, as metas e os objetivos de marketing, uma análise em profundidade dos ambientes interno e externo da organização', visando um grau maior de ajuste com o ambiente. Segundo Matos (1999), a identificação da missão da empresa, a definição de unidades de negócio, alocação de recursos e, a expansão de negócios, compõem as quatro linhas de ações para traçar um planejamento estratégico para uma organização. Este método faz com que o indivíduo estrategista dentro da organização, saia de uma zona de conforto, pois lhe é incumbido a realização de uma ampla análise da organização. Nesse sentido, pode-se dizer que o planejamento estratégico deseja revelar objetivamente, onde a empresa almeja chegar (SERTEK; GUINDANI; MARTINS, 2007). Pode-se então, considerar o planejamento estratégico como sendo um modelo gerencial de resposta organizacional aos estímulos internos e externos ao ambiente empresarial, com o intuito de eleger um plano de ações para antecipar cenários e maximizar o potencial de decisões preventivas e precisas através de ferramentas técnicas de gestão. Com o propósito de traçar estratégias para aumentar a competitividade de uma empresa, deve-se como visto anteriormente, conhecer a empresa, tanto em uma visão macro, como também, uma visão micro da organização, encarando seus pontos fortes e fracos. O livro 'A Arte da Guerra' escrito por Sun Tzu no século IV A. C., enfatiza as necessidades dos generais de conhecerem bem a si mesmo e seus exércitos, tanto a seus adversários e seus contingentes. Tzu (2006) ensina que: ”se você se conhece e ao inimigo, não precisa temer o resultado de uma centena de combates'. Para que uma análise das forças e fraquezas internas de uma organização e oportunidades assim como ameaças externas possam ser autênticas, é necessário que haja ferramentas sólidas para tal diagnóstico. Segundo a Value Based Management (2007, apud FEIL; HEINRICHS, 2012), a ferramenta ideal para esse diagnóstico é a análise S.W.O.T. – ou análise FOFA (Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças) – em português. Segundo Chivenatto (2000), a técnica SWOT surgiu da tentativa de correção do planejamento corporativo, conhecido na época como planejamento estratégico malsucedido. A análise Swot começou a ser pensada na década de 1960 nas escolas americanas de administração. Esta ferramenta começou a ser praticada nas organizações quando se viu que ela era eficaz nos processos de gestão organizacional. Percebeu-se que a matriz SWOT podia funcionar como uma ferramenta de melhoria contínua, por que ela realiza uma análise geral dos ambientes internos e externos, fomentando o planejamento da gestão (GHEMAWAT, 2000). Figura 1 – Matriz SWOT Fonte: FEIL; HEINRICHS, 2012, formatação adaptada pelas autoras. Outra ferramenta para nutrir o planejamento estratégico, é a abordagem de processo – diretriz básica para a aplicação de um sistema de gestão pela qualidade – que incorpora o ciclo Plan-Do-Check-Act (PDCA) e a mentalidade de risco (NBR ISO 9001:2015). A mentalidade de risco – que infere em ações preventivas – oferece a uma organização a possibilidade de determinar os fatores que poderiam causar desvios nos seus processos e no seu sistema de gestão, isso possibilita que controles para minimizar efeitos negativos e para maximizar precisão da organização, aconteçam de forma constante (NBR ISO 9001:2015). O ciclo PDCA fornece à empresa, uma metodologia para que seus processos sejam empreendidos de forma eficiente e eficaz, ou seja, atingir os objetivos da organização de forma a minimizar os custos e utilizar a melhor maneira possível os recursos, tempo, materiais e pessoas (NBR ISO 9001:2015). Figura 2 – Ciclo PDCA Fonte: NBR ISO 9001:2015, formatação adaptada. O estudo de Gerber (2004) afirma que pequenas e médias empresas onde é aplicado o processo de desenvolvimento têm a probabilidade de sobrevivência aumentada, e que, na mesma linha de pensamento, a administração realizada sem planejamento têm consequências desastrosas. A readequação dos processos empresariais, estruturas organizacionais, sistemas de informação e valores da organização objetivando maximizar os resultados dos negócios da organização é denominada como reengenharia ou, redesenho de processos (STAIR; REYNOLDS, 2002). A utilização de processos como o ciclo PDCA e a análise de SWOT, proporciona para o negócio, uma melhor organização de suas ações. Eles se tornam ferramentas para o processo decisório, pois atua na manutenção e melhoria da gestão da qualidade. Para auxiliar o processo decisório, existem diversas técnicas e ferramentas. Para Simon (1963) administrar um negócio é sinônimo de tomar decisões, especialmente quando se trata de ações gerenciais. O processo de tomar decisões é a sucessão de etapas que vai da identificação de uma situação que oferece um problema ou oportunidade, até a escolha e a efetivação de uma ação ou solução. Decidir é escolher entre alternativas ou possibilidades (MAXIMIANO, 2004). Segundo Simon (1963) o processo de tomar decisões possui três fases: a) prospecção, que é a análise de um problema ou oportunidade; b) concepção, que trata da criação de alternativas de solução para o problema ou situação; c) decisão, ou seja,julgamento e eleição de uma das alternativas propostas. As decisões programadas fazem parte do de soluções da organização. Resolvem problemas que já foram enfrentados antes e que se comportam da mesma maneira. Já as decisões não programadas são preparadas uma a uma. São as situações novas, que a organização está enfrentando pela primeira vez e admitem diferentes formas de serem resolvidas, cada uma com suas vantagens e desvantagens (MAXIMIANO, 2004). O cenário econômico e as organizações nele inseridas se modificam constantemente. Tal fato faz com que seja necessário que o empreendedor esteja sempre alerta em relação aos ambientes interno e externo da organização, para que ele possa obter a escolha mais eficaz e simétrica em relação à realidade organizacional da qual faz parte. O atual quadro de instabilidade econômica no país aflora a necessidade do brasileiro de empreender. O estudo realizado pelo GEM (2015) afirma que no geral, os brasileiros são favoráveis à atividade empreendedora e tem uma visão positiva a respeito dos indivíduos envolvidos com negócios próprios. A criatividade e a resiliência favorecem o empreendedorismo brasileiro, mesmo em uma conjuntura marcada pela incerteza. Em 2015 quatro entre cada dez brasileiros estavam envolvidos com o empreendedorismo no Brasil. Hoje há no Brasil amplo acesso a informação sobre negócios e empreendedorismo, inclusive, conteúdo de qualidade gratuito disponível na internet, além de variados eventos e organizações de fomento e apoio ao empreendedorismo, contudo, segundo o GEM (2015) apenas 14% desses empreendedores buscaram ajuda em algum apoio. A maior parte dos universitários brasileiros pensa em empreender no futuro, todavia, o total deles que investem tempo aprendendo a iniciar um negócio não chega nem a 40% (ENDEAVOR, 2015). No Brasil quase 100% das empresas privadas são compostas por MPE's. Para o SEBRAE, eles podem ser divididos em quatro segmentos por faixa de faturamento: a) Microempreendedor Individual – faturamento anual até R$ 60 mil; b) Microempresa – faturamento anual até R$ 360 mil; c) Empresa de PequenoPorte – faturamento anual entre R$ 360 mil e R$ 3,6 milhões; d) Pequeno Produtor Rural – propriedade com até 4 módulos fiscais ou faturamento anual de até R$ 3,6 milhões (GEM, 2015). A capacidade empreendedora e disponibilidade de informações são os fatores favoráveis de maior peso para o empreendedorismo no Brasil, entretanto, o mesmo estudo aponta o apoio financeiro, políticas governamentais e a educação e capacitação técnica como os maiores fatores limitantes. Esse despreparo na capacitação técnica revela um dado alarmante, a do empreendedorismo por necessidade. Isso indica que mais empresários escolhem abrir um negócio porque tem dificuldades de conseguir renda. O resultado são empresas menos inovadoras e mais despreparadas o que potencializa a mortalidade precoce destas empresas. Apesar de não haver um estudo sistemático no Brasil a respeito da mortalidade das médias e pequenas empresas, o Sebrae Nacional (2013) em um estudo realizado com dados levantados entre 2007 a 2010, afirma que 24 a cada cem empresas encerram suas atividades antes de completar dois anos. Estatística considerada aceitável por ser menor do que em alguns países desenvolvidos. Segundo Santos e Pereira (1995), a causa para o fracasso de muitos empreendimentos novos, refere-se quanto aos aspectos técnicos do empreendedor, a falta de experiência empresarial anterior e a falta de competência gerencial. As causas para a mortalidade precoce dos empreendimentos, segundo o estudo de Ferreira e Santos (2008), são divididas em três blocos: a) o empreendedor – quanto à competência na gestão empresarial, experiência no ramo, nível de escolaridade, profissionalização da relação com sócios; b) o negócio – acesso ao crédito, mão de obra qualificada, planejamento estratégico, suporte jurídico e contábil, qualidade dos produtos e serviços; c) o ambiente externo – burocracia, competição dos concorrentes, demanda dos clientes, fornecedores, carga tributária, aspectos econômicos e políticos. Quanto ao empreendedor, uma pesquisa que visou analisar o perfil dos mais de cinco milhões de MEI's registrados no Brasil até dezembro de 2015 revelaram que, 44% dos empreendedores não têm o ensino médio completo, e que apenas 7% têm o ensino superior (GEM, 2015). Essa taxa de escolaridade x empreendedorismo é inversamente proporcional aos países de renda per capita alta, em média nesses países, 57% dos empreendedores têm ensino superior enquanto apenas 13% tem o nível de escolaridade abaixo do segundo grau (GEM, 2013). Segundo o Índice de Empreendedorismo Global (GEI, 2016) do Global Entreperneurship And Development Institute (GEDI) que lista 132 países, o Brasil ocupa a 92° posição no ranking de empreendedorismo no mundo, índice que tem os Estados Unidos da América como líder. Comparando com o relatório do ano anterior, o Brasil subiu oito posições neste ranking, contudo os pilares do empreendimento como: capital humano, processo de inovação, internacionalização e inovação de produto; formam as piores notas do país na pesquisa. Apesar disso, o GEI (2016) cita o Brasil como 'forte' em relação à cultura empreendedora e na percepção de oportunidade. 3 – METODOLOGIA A metodologia empregada nesta pesquisa baseia-se na pesquisa bibliográfica de caráter qualitativo e descritivo, promovendo uma elucidação de ideias, agregando conhecimento e formando entendimentos sem distorcer, agredir ou alterar conteúdos, mas sim, enriquecendo a investigação proposta. De acordo com Prodanov e Freitas (2013) a metodologia aplicada examina, descreve e avalia métodos e técnicas de pesquisa que possibilitam a coleta e o processamento de informações, visando ao encaminhamento e à resolução de investigações. Em sua essência mais ampla, método é a ordem que se deve impor aos diferentes processos necessários para atingir um resultado. Pode-se entender como um conjunto de processos empregados na investigação e na demonstração da verdade (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2007). Para confirmar se uma hipótese é verdadeira faz-se necessário usar um método. Quando se suspeita que um determinado fator provoque um determinado efeito, deve-se encontrar um método para testar a suspeita. Ou seja, o método dependerá intimamente do objetivo da pesquisa (AZEVEDO, 2009). O método de abordagem empregado neste trabalho é qualitativo. A pesquisa qualitativa difere em princípio da abordagem quantitativa, à medida que não emprega instrumentos estatísticos como base do processo de análise. Essa abordagem é utilizada quando se busca descrever a complexidade de determinado problema não envolvendo manipulações de variáveis e estudos experimentais (GRESSLER, 2004). Quadro 1 – Método e técnicas utilizadas na pesquisa Método Tipo de pesquisa Técnica de coleta de dados Técnica de tratamento de dados Levantamento bibliográfico Descritiva Análise bibliográfica Análise de conteúdo Fonte: Elaborado pelas autoras, 2016. O método de pesquisa utilizado é a descritiva. Quando se deseja identificar problemas e, comparar e avaliar o que outros estão desenvolvendo em situações e problemas similares podem utilizar-se da pesquisa descritiva, uma vez que ela possibilita aclarar situações para futuros planos e decisões (GRESSLER, 2004). Esta modalidade de pesquisa não tem como objetivo a proposição de soluções, mas sim a descrição de fenômenos. Seu objetivo é fornecer um amplo diagnóstico do problema motivador da pesquisa (BONAT, 2009). Já a metodologia empregada para o tratamento de dados é a análise de conteúdo. Segundo Beuren (2006) o método da análise de conteúdo compreende um conjunto de técnicas com objetivo da descrição do conteúdo das mensagens, pois quando confrontada com referencial teórico permite alcançar o objetivo geral proposto na pesquisa. O processo da análise de conteúdo é constituído basicamente de cinco etapas: preparação das informações; unitarização ou transformação do conteúdo em unidades; categorização ou classificação das unidades em categorias; descrição e, interpretação (MOZZATO; GRZYBOVSKI, 2011). 4 – ANÁLISE E RESULTADOS O presente estudo buscou na literatura mostrar que o conhecimento em gestão estratégica de negócios é primordial para a sobrevivência das empresas, ou seja, com uma base de conhecimento e aplicação de técnicas básicas de gestão estratégica de negócios aumenta a probabilidade de resultados sustentáveis e sua consequente sobrevivência. A forma de empreender mudou ao longo dos anos. Hoje, segundo o estudo de Ludwig (2001), não basta apenas atender ao cliente, é necessário ter uma organização marcante, técnica e extremamente coordenada. O estudo de Bringhenti et al., (2001) afirma que sem um planejamento estratégico uma organização dificilmente conseguirá construir o futuro almejado por seus empreendedores. Isso se dá porque apenas com o planejamento estratégico é possível antecipar-se aos concorrentes e às mudanças do mercado (GRACIOSO, 1987). Como visto anteriormente neste trabalho, o Brasil ainda é carente de estudos sistemáticos e de pesquisas quanto às causas da mortalidade dos MPEs, entretanto, várias bibliografias trazem alguns fatores como motivos para o insucesso dessas empresas. Em seu estudo, Chiavenato (2008), manipulou uma tabela associando a cada classe um número percentual à sua probabilidade de ser a causa da mortalidade de um empreendimento de médio e pequeno porte. Sendo: Tabela 1 – Possíveis causas para a mortalidade nas empresas Inexperiência Incompetência do empreendedor; Falta de experiência de campo; Falta de experiência; Experiência desiquilibrada. 72% Fatores econômicos Lucros insuficientes; Juros elevados; Perda de mercado; Mercado consumidor restrito; Nenhuma viabilidade futura. 20% Vendas insuficientes Franca competitividade; Recessão econômica; Vendas insuficientes; Dificuldade de estoques. 11% Despesas excessivas Dívidas e cargas demasiadas; Despesas operacionais. 8% Outras causas Negligência; Capital insuficiente; Clientes insatisfeitos; Fraudes; Ativos insuficientes. 3% Fonte: CHIAVENATO, 2008, formatação adaptada. O relatório do GEM (2015) evidencia como um dos maiores fatores limitantes à atividade empreendedora a educação e capacitação dos empreendedores, concordando com o estudo de Chiavenato exposto anteriormente. Gráfico 1 – Fatores limitantes e favoráveis à atividade empreendedora Fonte: GEM Brasil, 2015. A educação e capacitação técnica dos empreendedores, na visão de quase metade dos especialistas entrevistados, é a principal intervenção que deve ser realizada para melhorar o empreendedorismo no país. O mesmo estudo revela que apenas 7% dos empreendedores iniciais, possuem um curso superior completo. E que, quatro em cada dez empreendedores têm escolaridade abaixo do segundo grau. Segundo o relatório do GEI (2016) o nível de escolaridade é um dos pilares do empreendedorismo, a pesquisa afirma que quanto maior o nível de escolaridade do empreendedor, maior será a qualidade dos empreendimentos no país. O relatório mostra a queda do Reino Unido no ranking global, passando da quarta para a nona posição, essa queda deve-se entre outros fatores, a uma degradação do nível de escolaridade entre os empresários. Segundo o mesmo estudo, o capital humano é extremamente decisivo no sucesso de uma organização. A qualidade dos funcionários impacta profundamente do desenvolvimento dos negócios. Ainda de acordo com o GEI (2016), o investimento pesado na qualidade técnica dos funcionários é recompensado com a inovação e sustentabilidade do negócio. Infere-se então, que o profissional com conhecimento em gestão estratégica de negócios por meio de capacitação escolar ou empresarial tem peso singular quanto à manutenção, inovação e sustentabilidade de uma organização. Foi demonstrado neste trabalho que a ferramenta SWOT é extremamente importante para os processos decisórios, pois oferece o monitoramento e a verificação de ambientes internos e externos, essencial para a análise e o planejamento estratégico. Segundo WRIGHT et. al., (2000, p. 86) 'o objetivo da análise é possibilitar que a empresa se posicione para tirar vantagem de determinadas oportunidades do ambiente e evitar ou minimizar ameaças ambientais'. A análise realizada a partir da SWOT oferece ao empreendedor uma visão daquilo que pode ser mais bem explorado dentro da organização, bem como os obstáculos que devem ser superados. Essa análise fomenta o processo decisório da empresa, pois o empreendedor terá a capacidade de formular estratégias realistas para que seus objetivos sejam atingidos (FERREL et. al., 2000). Uma análise realizada da maneira fidedigna pode ser considerada como mecanismo para o sucesso da organização, pois possibilita que os planejadores possam comparar os pontos fortes e fracos com as oportunidades e ameaças. As técnicas utilizadas para realização da análise funcionam como uma espécie de filtro, revelando uma visão crítica desses ambientes (FERREL et. al., 2000). Portanto, afirma-se que a gestão estratégica de negócios interfere no embasamento das decisões, pois a partir de técnicas como a SWOT, pode-se tornar claro para a organização o que deve ser mudado, quais as medidas que devem ser tomadas, e por fim, que estratégias se podem criar para que o sucesso da empresa. Como já evidenciado neste trabalho, o ciclo PDCA pode ser definido como uma sequência de atividades para melhorar a gestão de uma organização. O PDCA fundamenta conceitos da administração clássica de forma sucessória, iniciando-se pela estruturação do processo, tornando-o mensurável e, depois cíclico. A aplicação contínua do ciclo permite um real aproveitamento dos processos gerados na empresa, visando à redução de custos e o aumento da produtividade, pois garante uma filosofia de melhoramento contínuo (ANDRADE; MELHADO, 2004). A utilização PDCA de forma contínua é parte integrante de um método de melhoria no Sistema de Gestão (NBR ISO 9001:2015). Segundo Campos (2001) caracteriza o Gerenciamento de Rotina pelo enfoque, que é o gerenciamento de processos voltados à qualidade de conformidade. Figura 3 – Rampa de Melhoria Fonte: NASCIMENTO, 2011, formatação adaptada. Concebe-se então, o entendimento de que o conhecimento na gestão estratégica de negócios aumenta a precisão dos controles, pois a aplicação de técnicas como o ciclo PDCA atua diretamente na qualidade dos processos de uma organização. Toda organização deve ser analisada sob o escopo da eficácia e da eficiência, ao mesmo tempo. A eficácia é uma medida normativa do alcance dos resultados, enquanto eficiência é uma medida normativa da utilização dos recursos nesse processo (CASTRO, 2006). De acordo com Castro (2006) a eficiência é uma relação entre custos e benefícios. Pode-se considerar que a eficiência está voltada para a melhor maneira pela qual as coisas devem ser feitas a fim de que os recursos sejam utilizados da forma mais racional possível. Ela não se preocupa com os fins, mas apenas com os meios. Já a eficácia, se insere no êxito do alcance dos objetivos, com foco nos aspectos externos da organização. Para Castro (2006) uma organização eficiente é aquela que atinge o seu volume de produção com o menor uso possível de recursos. Já a eficácia trata-se da escolha da solução certa para determinado problema ou necessidade. Como já delineado neste trabalho o conhecimento em gestão estratégica de negócios aumenta a precisão dos controles, pois atua com um sistema de gestão competente, valendo-se de ferramentas tanto para tornar as decisões necessárias antecipadamente, tanto no ambiente interno quanto externo. Possibilitando nessa forma, uma gestão sustentável, com processos mais eficientes. 5 – CONSIDERAÇÕES FINAIS Este estudo procurou demonstrar como o conhecimento em gestão estratégica de negócios, evidenciado por aplicação de técnicas básicas de gestão, aumenta significativamente a probabilidade de sucesso dos negócios. O conhecimento em gestão estratégica de negócios, quando aplicado, amplia a visão do negócio, antecipa cenário, corrigi deficiências, e traz o foco para as organizações. Pôde-se confirmar que decisões planejadas e embasadas em critérios pré-definidos aumentam a probabilidade de precisão das empresas, pois o planejamento estratégico torna as decisões dentro de uma organização coesa e objetiva. A gestão estratégica atua com ferramentas que aumentam a precisão dos controles e consequentemente o sucesso da empresa frente a seus concorrentes. Quando aplicados de forma sistêmica dentro da empresa, aumentam a cada ciclo, a eficiência dos processos e eficácia da gestão. Portanto, embasa-se por meio de toda a bibliografia pesquisada, que o conhecimento em gestão estratégica de negócios, faz-se indispensável para a sobrevivência de uma micro e pequena empresa. No entanto, perceberam-se durante o processo de desenvolvimento deste artigo, que ainda são pobres os estudos científicos no sentido de indicar causas da mortalidade em médias e pequenas empresas no Brasil. Por isso, sugere-se como pesquisas futuras, uma categorização mais aprofundada dos motivos que levam à mortalidade, empresas nos primeiros anos, para que uma vez identificadas e tratadas, o empreendedorismo brasileiro possa crescer proporcionalmente a sua capacidade empreendedora. 6 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR ISO 9001:2015, Sistemas de gestão da qualidade – Requisitos. Rio de Janeiro: ABNT, 2015. ANDRADE, F. F., MELHADO, S. B. O método de melhorias PDCA. São Paulo: EPUSP, 2004. AZEVEDO, C. B. Metodologia científica ao alcance de todos. Barueri, SP: Manole, 2009. BEUREN, I.M. Como elaborar trabalhos monográficos em contabilidade: teoria e prática. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2006. BONAT, D. Metodologia da Pesquisa. 3 ed. 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