Os níveis de competitividade elevados entre as empresas de serviços pedem que cada vez mais suas estratégias estejam aderentes às necessidades dos clientes, assim como, a prestação dos serviços durante suas interações sejam de alta qualidade. Entender o contexto atual do mercado para o planejamento estratégico é tão importante quanto a execução dessas estratégias, sendo necessário o envolvimento e engajamento de todos os níveis da pirâmide organizacional das empresas de serviços. Neste momento cabe à alta administração definir como a estratégia será disseminada para os níveis mais baixos da organização, além de garantir que a empresa possui as qualificações profissionais necessárias para a execução da mesma. O mercado de mão de obra brasileiro sofre atualmente com a falta de direcionamento correto na qualificação dos profissionais, uma vez que existem muitos trabalhadores, porém os mesmos não possuem os requisitos necessários para o preenchimentos das vagas demandadas pelo mercado. Quem mais sofre com esse descasamento entre demanda e oferta das qualificações profissionais dos trabalhadores são os consumidores finais, que passam a ser atendidos por profissionais não preparados para a execução do serviço contratado. Por outro lado, encontramos uma divergência geográfica nas necessidades do mercado, ou seja, além de um treinamento direcionado uma possível solução seria a redistribuição da oferta dos profissionais já qualificados. Outro ponto que favorece a prestação de serviços ruins é a cultura das empresas de serviço do Brasil, que basicamente seguem a estrutura hierárquica ortodoxa, onde a alta direção tem pouco ou nenhum contato com a área operacional da empresa, não enxergando valor na sua participação no momento da formulação estratégica. O posicionamento distante da alta direção em relação as decisões realizadas no dia-a-dia, pode gerar ao médio e longo prazo uma perda na competitividade da empresa, uma vez que se considerarmos que as interações de serviço e o relacionamento com o cliente estão presentes normalmente no movimento operacional. A não percepção das necessidades desses níveis é também um afastamento das necessidades dos clientes. A fim de evitar as consequências a médio e longo prazo de estratégias de marketing mal definidas devido a não participação dos funcionários, é necessário que as empresas criem mecanismos e táticas para que até os níveis mais operacionais da organização possam ser considerados durante a fase de planejamento estratégico. Inverter a pirâmide organizacional é um grande passo para que os níveis operacionais e alta gerência tenham contato mais próximo. Desta maneira, é possível fazer com que todos os níveis estejam mais próximos das decisões organizacionais. Neste momento a alta gerência deve estabelecer um papel de liderança estratégica, não envolvendo-se diretamente nas decisões do dia-a-dia, porém buscando mais proximidade com as mesmas e seus processos correspondentes. Já é possível verificar em empresas de serviços no Brasil, mudanças em relação ao aproveitamento de ideias formuladas por todos os funcionários, não importando o nível hierárquico dos mesmos. Essas ideias podem ser estimuladas e registradas considerando diversos mecanismos, sejam eles sistemas, fóruns, encontros formais e informais. Diante da grande quantidade de idéias e sugestões captadas através desses novos processos, é necessário que os responsáveis pela definição final da estratégia busquem a generalização, equifinalidade e entendimento de que primeiramente deve-se buscar a satisfação das necessidades para depois buscar a excelência. A adoção desse novo processo definitivamente agrega maior valor a estratégia organizacional das empresas, assim como, maior nível de competitividade no mercado, atraindo clientes e consequentemente gerando o aumento no nível de receita esperado. Considerando os cenários apresentados, podemos verificar dois pontos críticos para o crescimento das empresas de serviços no Brasil, o primeiro no ambiente macroeconômico das empresas, onde há escassez de mão-de-obra qualificada para a prestação de serviço, e o segundo no ambiente interno das mesmas influenciado diretamente pela cultura ortodoxa no planejamento estratégico. A mudança no cenário econômico cada vez mais competitivo pede que as empresas reformulem-se e encontrem meios mais eficientes para atingir melhores resultados, sendo um deles a inversão da pirâmide organizacional, trazendo mais dinamismo e assertividade na definição das estratégias de marketing a serem adotadas para o crescimento e desenvolvimento dessas empresas no mercado.