A Liderança é Servir: Sonho ou Realidade?¹ The Leadership is To serve: Dream or Reality? Ronaldo Oliveira Martins² Resumo: A Liderança Servidora não é uma nova modalidade de liderança, pois este modal é encontrado ao longo da história. A hermenêutica do termo líder – servo, une um sentido dialético que depende da sensibilidade das pessoas. O estilo pelo o qual o líder – servo se relaciona com seus subordinados precisa ser pautado pela humildade, transparência e respeito, além da importância do conhecimento de si mesmo. O presente trabalho tem por tema a Liderança é Servir: Sonho ou Realidade? Inicialmente o estudo busca contextualizar as diferenças entre a hermenêutica do poder, da liderança e da liderança servidora. Em seguida, aborda vários aspectos da liderança, mostrando as diversas teorias e tipos de liderança. Complementando, é enfatizado a importância do treinar o 'eu' para ser líder de si mesmo como uma condição para exercer o importante papel de servir. Palavras-Chave: Liderança Servidora, Líder-servo, Equilíbrio. Abstract: The Serving Leadership is not a new modality of leadership, therefore this modal one is found throughout history. The hermeneutics of the leader term – in service, it joins a dialético direction that depends on the sensitivity of the people. The style for which the leader – in service if it relates with its necessary subordinate to be pautado by the humildade, transparency and respect, beyond the importance of the knowledge of itself exactly. The present work has for subject the Leadership is To serve: Dream or Reality? Initially the study it searchs to contextualizar the differences between the hermeneutics of the power, the leadership and the serving leadership. After that, it approaches several aspects of the leadership, showing diveras theories and types of leadership. Complementing, the importance of training is emphasized 'I' exactly stops being leader of itself as a condition to exert the important paper to serve. Key Words: Serving leadership, Leader-servant, Balance. ____________________________ ¹ Artigo Científico entregue à Proª Lúcia Malvar, como avaliação da disciplina de Sistemas e Modelos de Gestão: Gestão de Pessoas, do Curso de Pós Graduação Lato Sensu: MBA em Comunicação Empresarial e Marketing, 2006, pela Faculdade Católica de Ciências Econômicas da Bahia. ² Pos Graduando em Comunicação Empresarial e Marketing, Faculdade Católica de Ciências Econômicas da Bahia. 1. Introdução O líder–servo, exerce um papel similiar ao de um maestro de uma orquestra, onde a habilidade dele está exatamente em orientar, dar o ritmo e não mais em impor um obstáculo intransponível aos seus subordinados. O conceito de líder servidor dentro de uma organização está mais amplo pois lida com a essência de satisfazer as necessidades legítimas dos seus liderados sem deixar de atender as premissas dos objetivos organizacionais, ou seja, servir a ambos. Pois necessitamos cada vez mais de equipes motivadas a colaborar para que as metas sejam atingidas. Isto só será conseguido somente quando estiver incutido no espírito de todos que o ato de servir deve estar presente em todos os relacionamentos. Os resultados das atitudes de um líder-servo é uma nova visão de 'Homem', que antes de tudo é necessário e importante que haja um deslocamento da necessidade de realizar para o desejo de ser, um conceito de poder e valores organizacionais diferentes dos praticados atualmente, pois integra a família, a comunidade, o trabalho e humaniza a organização, tornando-a um meio de crescimento pessoal e de auto realização. O papel do Líder é extremamente exigente. 2. Desenvolvimento 2.1 Liderança O chefe/gerente ou quem está na posição de comando deve ser um sujeito justo e coerente, que orienta e principalmente, inspira a sua equipe. Infelizmente e fazendo um contra-ponto com este perfil, ainda existe o Chefe controlador, autoritário, que decide sozinho e gerencia com rédeas curtas, devido as pessoas ainda serem conduzidas à liderança pela competência técnica, lealdade e tempo de casa do que pela habilidade em orientar e lidar com pessoas. Foi observado uma tendência de mudança do perfil do líder; contudo, ocupando pouca visibilidade e isto é o que nos faz pensar se realmente existe o líder servidor. Quando começamos a estudar liderança um bom início é o livro A República, onde pela primeira vez são discutidos temas ligados ao exercício da política, do poder e a importância de construir um pensamento analítico e crítico. O líder necessariamente é associado à figura de poder, entretanto aquele que depende do poder para exercer a liderança não é um líder de fato. Visando contextualizar as diferenças entre a hermenêutica do poder, da liderança e da liderança servidora definiremos: Poder: ter a faculdade de, dispor de força ou autoridade, ter influência.' (BUENO, 2000, p. 605). Liderança: é a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiaticamente visando atingir aos objetivos identificados como sendo para o bem comum. (HUNTER, 2004, p. 24). Liderança Servidora: '… é servir, isto é, identificar e satisfazer as necessidades legítimas. (HUNTER, 2004, p. 67). Sem dúvida existem várias formas de ser líder, basta olhar para os exemplos da história como Matin Luther King, Churchill, Abraham Lincoln, Jack Welch, Bill Gates, que dentro de uma ótica micro podemos dizer que eles foram líderes servidores se, e somente se, formos focar o objetivo primário que eles buscavam. Para haver um entendimento claro no discorrer do artigo se faz necessário contextualizar o significado da palavra liderança: 'Liderança, s.f. Função Líder; forma de dominação baseada no prestígio pessoal e aceitas pelos dirigidos; comando; chefia.' (BUENO, 2000, p. 471) Na definição da palavra 'Liderança' consta o termo dominação que significa 'Poder'. Neste contexto será necessário definir, também, o significado da palavra 'Poder': Poder, v.t. ter a faculdade de; ter possibilidade; dispor de força ou autoridade; conseguir; possuir força física ou moral; ter influência, validade… s.m. faculdade; possibilidade; vigor; potência; autoridade; soberania; domínio; influência; posse; governo de Estado; eficácia; recurso; capacidade; meios; — espiritual: autoridade eclesiástica; — temporal: o poder do Papa como soberado territorial; autoridade civil; (Jur.) pátrio –: conjunto dos direitos do pai sobre a pessoa e os bens de seus filhos menores; — es: procuração. (Pl. : poderes.) (BUENO, 2000, p. 605) É possível observar que partindo do significado explicitado acima que o pleno significado da contextualização da palavra liderança diverge das interpretações publicadas por diversos escritores que buscam trazer essa tradução o mais próximo do contexto da atualidade. Portanto, em vistas de, contextualizar a hermenêutica da Liderança em sua essência do cotidiano ficará como definição: Liderança: É a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiaticamente visando atingir objetivos comuns, inspirando confiança por meio da força do caráter. ( HUNTER, 2006, p. 18). Habilidade: É simplesmente uma capacidade adquirida. (HUNTER, 2004, p. 25). Liderança não tem nada a ver com personalidade, pois pessoas com personalidade diferentes podem desempenhar este papel. Também não tem haver com estilo, mas com conteúdo. Observe o seguinte: Um profissional com mais de 4 anos de experiência exercendo a função de chefe; Será que ele conseguirá um desempenho melhor se maltratar os subordinados e não prestar atenção ao trabalho deles e viver dizendo coias ruins? Infelizmente o que ocorre de errado é que ainda existem muitas pessoas com títulos e cargos que pensam ser melhor que as outras. Todos tem problemas, mas não se deve projetar seus problemas nos outros. É importante que todos assumam suas co-responsabilidades no trabalho. Esta é um boa alameda para dissolver situações difíceis, já solidificadas nas empresas. Anteriormente foi explicitado o significado da palavra poder que por questões de enquadramento no contexto abordado será substituída por Autoridade: 'Autoridade: É a habilidade de levar as pessoas para fazerem de boa vontade o que você quer por causa de sua influência pessoal..' ( HUNTER, 2004, p. 27). Nada atualmente é mais vital às organizações do que a capacidade de lidar com complexidade, ambigüidade e incertezas. Neste momento de rápidas transformações, é necessário que as organizações estejam, mais do que nunca orientadas para o futuro, preocupadas em selecionar a direção apropriada a seguir. A importância da liderança, não apenas para empresas como também para organizações não empresariais e países, tem levado, ao longo dos anos, diversos especialistas a efetuarem pesquisas visando encontrar características comuns aos líderes. A liderança decorre de uma série de características essenciais como visão de futuro, auto controle, coragem e valores, sendo sua função primordial a junção das forças e idéias para a realiação de um bem comum através da motivação gerada no grupo em que sua influência é exercida. Segundo Welch: Crie uma visão e motive os outros a realiza-la: Essa é a essência da liderança. Qualquer um que consiga expressar uma visão e motivar os outros a torná-la realidade pode ser um líder. (KRAMES, 2006, p. 9). Entretanto, é possível argumentar ainda, que a liderança é proveniente da qualidade da visão da pessoa e da sua habilidade para motivar os outros a ter uma boa performance. E na busca pelo estímulo ao desempenho dos 'outros', é importante que o perfil do líder esteja enquadrado nos quatro Es da liderança aconselhado por Welch: Energia: É preciso ter imensa energia pessoal. Energização: É preciso transmitir energia para as equipes, sem intimidá-las. Entusiasmo: É preciso ter entusiasmo competitivo e o desejo de vencer. Execução: É preciso ter um incrível histórico de realizações. (KRAMES, 2006, p. 56). São conhecidos diversos estilos de liderança (COUTINHO, 2004) , porém os principais são: o autocrático, o democrático e o liberal ou laissez-faire. • Autocrático: é o centralizar, possessivo e controlador, que ilustra o célebre ditado ' manda quem pode, obedece quem tem juízo'; • Democrático: permite ao funcionário maior participação, compartilhando o poder; • Laissez-faire: não se envolve com as atividades de áreas de seus funcionários exercendo pequenas influências, conhecido como 'deixa rolar', tendo, portanto, menor visibilidade por parte dos funcionários. Os estilos de liderança podem variar de pessoa para pessoa, não existem líderes exatamente iguais. Uma pessoa pode assumir ao longo da vida diferentes papéis de liderança. Por exemplo, Gandhi e Churchil, comandaram milhões de pessoas de forma diferente e por diversas razões. Os perfis de lideranças possuem valores e esses valores podem variar de pessoa para pessoa, de sociedade para sociedade, de época para época. Para Berkeley: ' tudo se reduz à percepção e à mente que percebe. – Esse est percipere et percipi: ser é perceber e ser percebido.' (ABRÃO, 1999, p. 257) Portanto, é possível sintetizar que a liderança é a união de diversas percepções, somadas ao caráter e ao moral do indíviduo, construído a partir do amadurecimento interior e de suas experiências. Desta forma, de acordo com Locke: … a mente humana é, no início, algo como um 'gabinete ainda vazio', um 'papel branco' …, que aos poucos é preenchido pelos dados da experiência. Mas a noção de experiência não se refere apenas à sensação dada aos órgãos dos sentidos por coisas exteriores… A experiência interior (reflexão), pela qual a mente percebe suas próprias operações, também é fonte de idéias… O conhecimento é resultado das operações que a mente realiza com as idéias, tanto da sensação como da reflexão, procurando perceber o acordo ou o desacordo entre elas (ABRÃO, 1999, p. 257). O guru da administração, Peter Drucker, declara: 'que pode haver 'líderes natos', mas são bem poucos… A liderança é uma coisa que deve ser adquirida.' (HUNTER, 2006, p. 24) Aprender a ser um líder antes de ser um gerente, traz a necessidade de confiar nas pessoas, estimular a energia criativa de cada indivíduo, criando uma atmosfera segura, onde todos possam arriscar sem medo de errar e serem punidos. Desta forma estamos fomentando mais líderes e envolvendo todos no processo decisivo. É bom esclarecer que o direito de errar não é igual ao direito de ser incompetente. As decisões erradas devem ser usadas como base para o treinamento. Já as decisões corretas devem ser ressaltadas em público. No final da Copa Toyota de futebol 2006, onde o time do Barcelona (Espanha) tido como o favorito enfrentou o Internacional (Brasil), ficou claro a importância do líder que sabe motivar e ter foco no objetivo a ser alcançado. O técnico foi um líder cuja a função foi selecionar os jogadores certos, o presidente do clube no seu papel desempenhou bem sua função na escolha do técnico adequado àquela situação e aos recursos disponíveis. Todos no elenco sabia o seu papel, a sua função e o seu objetivo. O resultado foi o que todo líder espera atingir: atender todas as necessidades dos envolvidos, para cima, para baixo e para os lados. Não precisa nem falar, o Internacional sagrou-se campeão mundial interclubes por ter um sonho que foi transformado em uma visão e por ter compartilhado está visão com toda equipe. 2.2 Liderança Servidora Para falar sobre liderança servidora se faz necessário buscar compreender os princípios ético-filosóficos e dentro dessa busca, neste trabalho, se faz necessário encontrar a origem da palavra ética. Para tanto vamos falar um pouco sobre filosofia e mitologia: 'ÉTICA' é palavra de origem nobre, da antiga cultura grega, berço da nossa civilização. Provém de “íthos”, que se pronuncia com o “th” semelhante ao inglês e significa “a clareza da alma”. O verbo grego “ítheo” significa “filtrar”. Assim, uma pessoa possuidora de ética, filtra melhor os estímulos e valores do mundo. Quando eu filtro, eu elimino o que não é bom. Portanto, uma pessoa com ética tem valores morais bem filtrados. O significado de “ÉTICA” aproxima-se também do sentido de “COSTUME” – a “ética cristã”, por exemplo. A palavra “ÉTICA” tem ainda um outro aspecto muito interessante: Quando vamos ao teatro, nem sequer pensamos que estamos repetindo um costume da Grécia antiga, também. E voltamos à palavra “ÉTICA”. O grande pensador clássico Aristóteles, analisando a tragédia grega, definiu seus cinco elementos: 1. O primeiro seria o cenário. 2. O segundo seriam os meios de expressão do autor, a “lexis”, a palavra. 3. O terceiro seriam as idéias desenvolvidas pelos atores, que justificavam os atos dos personagens da tragédia. 4. O quarto seria a “mélos”, a melodia, constituída não só pelas músicas da tragédia, mas também pelos trajes, as máscaras, os estímulos ao inconsciente dos espectadores. 5. O quinto, finalmente, seria a “ÉTICA” do ator interpretando, definindo a qualidade dos personagens que agem na tragédia, seu comportamento, seus costumes. Alguns consideram que a filosofia propriamente dita só começou, ou ao menos, só chegou a maturidade, com Sócrates. Que por mais estranho que pareça nada escreveu, mas falava muito e mesmo assim não concluía nada. Com ele, Sócrates, as questões morais deixam de ser tratadas como conveções baseadas nos costumes, que se modifcam conforme os interesses, para se tornar um 'problema' que exige do pensamento uma esclarecimento racional. Neste sentido, ele é o fundador da Ética. A ética não se equivoca com a moral. A moral é a regulação dos valores e comportamentos ponderados como autênticos por uma determinada sociedade, um povo, uma religião, uma certa tradição cultural etc. A ética serve como uma coordenada para todos que vivem na sociedade, de modo tal que a sociedade possa se ratificar cada vez mais humana. Sob a forma de uma atitude diante da vida cotidiana, capaz de julgar criticamente os apelos críticos da moral vigente, a ética pode e deve ser incorporada pelos indivíduos. Mas a ética, tanto quanto a moral, não é um conjugado de verdades inertes, imutáveis. A ética se movimenta e historicamente se torna densa e amplia. Para entender como isso acontece na história da humanidade, basta lembrar que, um dia, a escravidão foi considerada “natural”. Entre a moral e a ética há um conflito firme e constante: a ação moral busca uma compreensão e uma justificação crítica universal, e a ética, por sua vez, desempenha uma constante vigilância crítica sobre a moral, para reforçá-la ou transformá-la. Dessa forma, a ética é universal, enquanto estabelece um código de condutas morais válidos para todos os membros de uma determinada sociedade e, ao mesmo tempo, tal código é atinente ao contexto sócio-político-econômico e cultural onde vivem os sujeitos éticos e onde realizam suas ações morais. As Nações Unidas, através da ONU, já entraram em acordo com muitos dos princípios da ética com vistas a fazer com que a humanidade não esteja em conflito constante por divergências culturais. A 'Declaração dos Diretos Humanos', instituída pela ONU em 1948 é uma demonstração de quanto a ética se fax importante e necessária. Mas a ética não basta como teoria, deve ser incorporada no comportamento de cada ser humano, a atitude ética é uma atitude de amor pela humanidade. Desta forma, podemos partir para a busca do Conhecimento. O conhecimento do Conhecimento é importante e nada mais é, dentro do objeto de estudo, que buscar as respostas para o que chamamos de Filosofia. Os princípios filosóficos dizem respeito à nossa visão de mundo, nossas concepções mais gerais em relação a pessoa humana e à sociedade. O Conhecimento filosófico é a origem dos princípios e dos valores da existência, da conduta e do destino do homem unificados em um conjunto de idéias. Segundo Cury: Foram muitas outras descobertas. Todavia, sua produção de conhecimento ainda estava no amanhecer. Era um questionador que aprendera a valorizar os dois principais pilares que formam os pensadores: O pilar da filosofia, a arte da dúvida, e o pilar da psicologia, a arte da crítica. (CURY, 2004, p.108). Para ser um líder servidor é necessário primordialmente o conhecimento interior, ser líder do seu 'eu', ter bom caráter para poder identificar e atender as ansiedades e necessidades dos seus liderados. É imprescindível o auto conhecimento, pois este, aumenta a possibilidade de atingir o objetivo. Jesus compreendeu a teoria de educar e de informar seu pessoal primeiro. Ele praticava o estilo de administração por 'círculos', dependendo de pequenos círculos para atingir outros maiores. Um bom plano de relações públicas incluirá tanto ações internas quanto externas. Se eu tivesse de escolher um dos dois, escolheria as ações internas como prioridade. (JONES, 2006, p. 107). O excelente líder servidor não é o que controla os seus liderados, mas os que os estimula a fazer escolhas e se põe no lugar de todos, transpirando energia positiva e otimismo. O líder servidor não é empossado, não é escolhido por alguém, ele é 'assumido', ou seja, é de iniciativa própria e entende que a sua realização está no sucesso dos seus liderados. Segundo Welch: 'Quando você se torna um líder, o sucesso depende do crescimento dos outros.' (WELCH, 2005, p. 55). O líder deve assumir esse lado catequizador, no fundo, as pessoas almejam por uma vida expressiva e satisfatória, portanto mostrar os valores da empresa, o que ela preza, buscando harmonizar com os valores pessoais e os valores da organização é um papel de extrema importância. O líder tem a responsabilidade, ímpar, de fornecer um ambiente saudável para os liderados. Deve estar preparado para influênciar e ajudar a conduzir os corações das pessoas, em outras palavras, as idéias são passivas, mas o espírito é ativo e dotado de vontade. Para tanto, este deve se nutrir de credibilidade através dos seus atos que devem ser transparentes e servir de parâmetro para os liderados evitando a descrença que de acordo com Rosseau: Para conhecer os homens, é preciso vê-los agir. No mundo dos salões nós os ouvimos falar, eles mostram seus discursos e escondem suas ações; mas na história elas são desmascaradas e nós os julgamos a partir dos fatos. (Abrão, 1999, p. 282) . Infelizmente é observado em muitas companhias que alguns gerentes ainda não se adptaram ao novo perfil, o de líder servidor, onde a comunicação deve ser transparente. Existe um hiato entre a diretoria, onde as decisões estratégicas são tomadas e passadas para o corpo gerencial, e a equipe de campo ou chão de fábrica. Este hiato é causado devido à estrutura de comunicação e a falta de preparo de alguns que não percebem que suas funções mudaram e que o status quo do poder não mais existe como era antes. Fazendo uma analogia: o 'chefe' deixou de ser o 'aparelho de telefone' e passou a ser o 'fio condutor' que aparece menos mas mesmo assim ainda participa do processo de forma importante. Se este Chefe/Líder não tiver as características necessárias ou não buscar aprendê-las, causará uma interferência na comunicação e acabará gerando um desgaste, fazendo com que a organização não atinja os seus resultados depreciando o moral de todos. Para Carlzon: Numa companhia descentralizada, … um bom líder passa mais tempo ocupando-se com a comunicação do que com qualquer outra coisa. Precisa comunicar-se com os empregados para mantê-los a par das novas atividades e serviços da companhia. (CARLZON, 2005, p. 95) Não há melhor maneira de ilustrar a importância da comunicação transparente no processo de liderança servidora como a 'história dos dois cortadores de pedras' que talhavam bloco quadrados de granito. Alguém que passava perguntou-lhes o que estavam fazendo: O primeiro cortador, com um expressão amarga, resmungou: 'estou cortando esta maldita pedra para fazer um bloco.' O segundo, que parecia feliz com o seu trabalho, replicou orgulhosamente: 'Faço parte do grupo que está construindo uma catedral.' O trabalhador que pode vislumbrar toda a catedral e que recebeu responsabilidade de participar de sua construção é uma pessoa muito satisfeita e produtiva do que aquela que vê somente o granito diante de si. O mais significativo disto tudo é que os princípios da liderança servidora podem ser aprendidos e aplicados (HUNTER, 2006), por quem tem vontade e a intenção de mudar, crescer e melhorar. O desenvolvimento da liderança servidora exige muita motivação, feedback e prática intensiva na vida cotiadiana, é a lei da colheita, que todos os fazendeiros conhecem. Você colhe o que planta. Se um líder gritar ou perder o controle, com certeza que o time também perderá o controle e tenderá a agir de forma irresponsável. Para ser eficaz e garantir uma mudança de comportamento autêntica e durável, segundo Hunter, o líder deve obter: 1. Fundamento. Você deve estudar e manter atualizados seus conhecimentos sobre os princípios da liderança servidora… Conhecer e determinar o padrão a ser alcançado é vital, se quisermos ter alguma chance de atingí-lo. 2. Feedback. Encontre uma maneira de receber feedback das pessoas mais importantes no trabalho e na vida pessoal… 3. Atrito. Descubra as pessoas que vão mantê-lo atento, dando pulinhos para não queimar os pés no fogo… (HUNTER, 2006, p.105). '4. Disciplina. Vem da mesma raiz de discípulo, que significa ensinar ou treinar. 5. Ouvir. Prestar atenção às pessoas e ouvindo-as ativamente'. (HUNTER, 2005, p. 81). Ser um líder servidor é ser autêntico com as pessoas, sem pretensão, orgulho ou arrogância e sem máscaras. É agir com amor, fé, firmeza de propósitos, procurando sempre mostrar como as pequenas atitudes podem construir um ser humano extraordinário. Servir aos outros nos livra das algemas do ego e da concentração de nós mesmos que destroem a alegria de viver. Quando uma pessoa se encontrar em momento difícil, com dificuldades de saúde, ou financeira, uma alternativa interessante para encontrar uma saída para essa 'dificuldade' é adotar uma postura de atendimento, ou seja, vá em hospitais, creches, azilos e procure ajudar; com essa atitude irá encontrar sem procurar a solução para os conflitos. Ser servidor não é ser escravo é tratar as pessoas com igualdade e como se elas fossem as mais importantes, por que elas realmente são as mais importantes. Ser um líder servidor ressalta a importãncia de agir com honestidade e compromisso: O líder comprometido dedica-se ao crescimento e aperfeiçoamento de seus liderados. Ao Pedirmos às pessoas que lideramos que se tornem o melhor que puderem, que se esforcem no sentido de se aperfeiçoarem sempre, devemos também demonstrar que nós, como líderes, estaremos também empenhados em crescer e nos tornarmos o melhor que podermos. Isso requer compromisso, paixão, investimento nos liderados e clareza por parte do líder a respeito do que ele pretende conseguir do grupo. (HUNTER, 2005, p. 93). Gandhi, materializou essa consciência. Sua liderança nunca se baseou em autoridade ou coação. Acreditava que somente poderia pedir para as pessoas aquilo que ele mesmo pudesse fazer. Sabia que sua liderança viria do exemplo e do serviço. E os resultados simplesmente aconteceram, uma consequência irremediável quando todos buscam resultados comuns sem interesses individuais. 3. Conclusão A liderança não vem com um mapa detalhado, somente com um senso genérico de direção. Um dia após o outro será uma nova experiência para o crescimento. Diversas organizações empresariais e instituições educacionais estão abordando o desenvolvimento e o fortalecimento da auto-motivação e da perseverança, a introdução de princípios ético-filosóficos nas relações humanas, a revisão da conduta única, a firmeza de propósitos, procurando mostrar como pequenas atitudes podem construir um ser-humano muito melhor. Como líder o profissional não deve se fechar em uma 'Empire States', pensando que existem situações sobre a companhia e até mesmo sobre ele com os quais a equipe não está preparada para lidar. Se faz necessário a retirada da 'cobertura', abrir as cortinas para que o público possa ver o espetáculo da criatividade e da participação com responsabilidade. Se faz necessário fazer o seguinte questionamento: As pessoas estão satisfeitas conosco? Se continuarmos simplesmente pintando de branco as paredes pichadas pelas gangues, nunca compreenderemos o que esses jovens estão querendo dizer. Qual a vantagem de tentar ocultar os sentimentos? No final, eles sempre virão à tona.. (JONES, 2006, p. 35) É do conhecimento de todos a importância de servir, entretanto mesmo após mais de dois mil anos da chegada do maior Líder de todos os tempos, do Mestre dos Mestres, do Líderes dos Líderes, do Servidor dos Servidores; a humanidade continua incapaz de entender a essência e de praticar as mais belas atitudes de ajudar o próximo. E continua com a corrida desenfreda por valores que não serão levados após o último suspiro. Sonho ou Realidade? Caberá aos fatos anotados e à explanação das idéias registradas, bem como um olhar criterioso do mundo não corporativo, através de exemplos como o Mestre dos Mestres – Jesus Cristo, Mahatma Gandhi, Matin Luther King, Abraham Lincoln entre outros e do mundo corporativo Jack Welch, Jan Carlzon, Walt Disney, entre outros. Ainda no ambiente corporativo destaca-se empresas que já adotam postura em seus 'Modelos de Liderança' através de suas 'Declarações de Talentos' a importância de desenvolver sucessores, destacando a necessidade da integridade, da convicção, da ética e da coragem de seus colaboradores. É crescente o movimento nos ambientes corporativos e da sociedade em geral, pela introdução de princípios ético-filosóficos nas relações humanas. Empresas como Cargill, Nestlé, Johnson&Johnson, Southwest Airlines, HP, Microsoft, Banco do Brasil, Nokia, Sebrae, Petrobrás, ABRH-RJ, Grupo ACCOR, AMIL buscam contratar profissionais que atendam ao seus modelos declarados como o cooperativismo, a integração, bem como algumas delas sugere que as organizações devem ser 'viradas de cabeça para baixo'. Segundo Carlzon: … Cabe a este tornar-se um líder genuíno, devotando-se a criar um ambiente em que os empregados sejam capazes de aceitar e exercer suas responsabilidades com confiança e habilidade. Ele deverá estabelecer uma boa comunicação com seus empregados, partilhando com eles a visão da companhia e procurando saber do que necessitam para fazer desta visão uma realidade. Para ser bem sucedido, não poderá mais ser alguém que toma decisões de forma isolada e autocrática. Ao contrário, deverá ser um visionário, um estrategista, um informante, um professor e inspirador. (Carlzon, 2005, p. 19). Liderar não é atender o que as pessoas querem, mas sim entregar o que elas precisam. Liderar não é dizer as coisas que as pessoas querem ouvir, mas os que elas precisam ouvir. Imagine até onde Jack Welch teria ido se fizesse uma pesquisa de opinião pública? Nem sempre liderar é agradar a todos, como diz também o ditado popular: 'nem Jesus Cristo conseguiu agradar a todos…' As mudanças precisam ser feitas, as empresas precisam continuar tendo lucros para poderem aplicar seu capital em novos investimentos e gerando valor, desenvolvendo as comunidades onde existem, gerando empregos. É notório que muitas ainda não aplicam e não se desenvolvem de maneira sustentada em conjunto com o seu meio ambiente e suas comunidades, mas o mais importante é que para que isto aconteça não depende somente do líder, mas de todos os líderes, pois cada um exerce o seu papel, como Presidente da República, Ministro de Estado, Senador, Deputado, Vereador, Eleitor, Pai, Mãe, Filho, Comunicador, Reporter, Ouvinte, Professor, Aluno, e naquele capítulo da sua cena pode e deve colaborar para o desenvolvimento da Humanidade. '… amar não é como você se sente em relação aos outros, mas como se comporta em relação aos outros.' (HUNTER, 2005, p. 95). Referências Bibliográficas ABRÃO, Bernadette Siqueira; Os Pensadores: História da Filosofia. 1. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1999. BUENO, Silveira; Mini Dicionário da Língua Portuguesa. Ed. Ver. e atual. São Paulo: FTD, 2000. JUNIOR, Caio Prado; O que é Filosofia: Coleção Primeiros Passos. 27ª reimp. Da 1. ed. São Paulo: Brasiliense, 2000. KRAMES, Jeffrey A.; Os Princípios de Liderança de Jack Welch: Coleção Desenvolvimento Profissional. Rio de Janeiro: Sextante, 2006. WELCH, Jack; WELCH, Suzy. Paixão por Vencer: A Bíblia do Sucesso. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. CARLZON, Jan; LANGERSTRÖM, Tomas; A Hora da Verdade: O Clássico Sobre Liderança que Revolucionou a Administração de Empresas. Rio de Janeiro: Sextante, 2005. HUNTER, James C.; O Monge e O Executivo: Uma História Sobre a Essência da Liderança. Rio de Janeiro: Sextante, 2004. HUNTER, James C.; Como se Tornar Um Líder Servidor: Princípios de Liderança de O Monge e o Executivo. Rio de Janeiro: Sextante, 2006. JONES, Laurie Beth; Jesus, O Maior Líder que já Existiu: Como os Princípios de Liderança de Cristo Podem ser Aplicados no Trabalho, Gerando Crescimento, Harmonia e Realização. Rio de Janeiro: Sextante, 2006. CURY, Augusto; Nunca Desista de Seus Sonhos. Rio de Janeiro: Sextante, 2004. SILVA, Mônica Ferreira; O Perfil Psicológico do Liderado e seu Impacto na Relação de Liderança. Disponível em: <http://www.nce.ufrj.br/conceito/artigos/2006/018p1-3.htm>, Acesso em: 23 dez. 2006. SCLIAR, Moacir; Ética e Profissionalismo. Disponível em: <http://paginas.terra.com.br/arte/yuka/etica.htm#e2>, Acesso em 23 dez. 2006. Política: História por Voltaire Schilling. Disponível em :< http://educaterra.terra.com.br/voltaire/politica/platao.htm > Acesso em 23 dez. 2006.