A história inicia com os problemas internos existentes em uma divisão da UniCo,gerenciada por Alex Rogo e o ultimato do vice-presidente da divisão,Bill Peach,que dá um prazo de três meses a Alex para salvar sua fábrica.Os atrasos na produção e na entrega dos pedidos são cada vez mais frequentes, bem como os baixos lucros gerados. A máquina que está impossibilitada de processar as peças é a chamada NCX-10, a mais cara e a única do tipo na fábrica. Apesar de a fábrica possuir boa tecnologia, bons funcionários e contar com robôs na produção, os concorrentes ganham no preço e prazo de entrega, evidenciando um perigo de falta de caixa. Consciente de que os métodos gerenciais tradicionais já não são eficazes para fazer a fábrica ganhar dinheiro para a UniCo,Alex e sua equipe constituída por Bob Donovan,o gerente de produção;Lou,o controller da fábrica;Stacey,gerente de controle de estoque e Ralph,gerente de dados,contam com a ajuda de seu antigo professor de física,Jonah,que os ensina através do método socrático,lhe fazendo perguntas que os levam à resposta.Lou e Alex definem o que acreditam ser três indicadores globais de resultados: retorno sobre investimento(RSI),fluxo de caixa e lucro líquido. Alex acredita que os robôs sejam capazes de aumentar as suas eficiências em 36% em um departamento, sendo questionado por Jonah, se realmente esses robôs estão sendo instrumentos para alcançar a meta. A produtividade, neste caso, como exemplifica Jonah, está em realizar algo em relação à meta de qualquer empresa industrial, que como conclui Alex, consiste em “ganhar dinheiro”. Mesmo com tempo e recursos limitados, Rogo ainda se posiciona firmemente para salvar a fábrica, que segundo boatos está sendo posta à venda com toda a divisão UniWare.Assim,como Jonah já havia dado a entender em suas perguntas,a meta pode ser expressada com três medidas:o ganho,que é o dinheiro entrando pela venda e não pela produção,pois produzir apenas não significar obter receitas;o inventário,que é “[…]todo o dinheiro que o sistema investiu na compra de coisas que tem a intenção de vender”(p.69),é o dinheiro preso dentro do sistema e por último as despesas operacionais,que é o que é gasto para transformar o inventário em ganho ou o dinheiro saindo. Sabendo qual é a meta e como ela pode ser medida, decidem por começar a analisar a produtividade dos robôs, concluindo que os inventários subiram devido à liberação de mais material do que o necessário para eles aumentar suas “eficiências” e consequentemente as despesas para manter esse inventário também subiu, além das poucas vendas. No decorrer da história, Jonah explica a Alex, que uma fábrica balanceada, que adapta a capacidade de seus recursos de acordo com a demanda do mercado, está mais próxima à falência, pois ela diminui as despesas operacionais,mas não aumenta o ganho e nem reduz os inventários,que devem acontecer ao mesmo tempo.Sendo assim,o fluxo de produção deveria ser igual à demanda e não igual a capacidade de produção.Ele torna explícito também os conceitos de “eventos dependentes”,quando um evento depende de seu precedente para acontecer e de “flutuações estatísticas”,que são as informações não precisas,podendo variar. É nesse momento, por meio de Jonah, que o autor insere a Teoria das Restrições (TOC). O sistema da TOC, como exposto, tem como objetivo auxiliar na determinação de: O que mudar?Para o que mudar?E Como causar a mudança?Esta última questão consiste em superar a resistência das pessoas à mudança, que é um dos principais obstáculos.Explanam ainda as restrições que impedem a adequação no sistema, os chamados “gargalos”, que são os recursos com capacidade igual ou reduzida em relação à demanda imposta sobre ele. Dessa forma, deve haver uma restrição no processo produtivo, para não gerar estoque em excesso, como meio de alcançar a meta, já que a capacidade de toda a fábrica é correspondente à capacidade dos gargalos. Alex só entende realmente o que são os gargalos no momento em que lidera um grupo de escoteiros em uma caminhada, o garoto mais lerdo e pesado, Herbie (o gargalo), é que estava determinando o ritmo de todo o grupo. Torna-se óbvio, que os estoques em excesso da fábrica são produzidos somente para atender a necessidade de aumentar as “eficiências”, exigidas pelas políticas gerais da divisão e que assim estavam dando um péssimo rumo à boa produtividade. Por isso não é difícil conseguirem identificar os gargalos do sistema, sendo a NCX-10, a máquina de controle numérico e os fornos de tratamento térmico. A solução parece consistir nesse ponto, em aumentar a capacidade dos gargalos para se igualar à sua demanda ou aliviar o seu peso, transferindo-o parcialmente para outros recursos. Jonah determina duas regras da relação dos não-gargalos(Y) e os gargalos(X), onde a primeira diz que o nível de utilização de um Y é determinado por outra restrição no sistema e a segunda que ativar e utilizar o mesmo recurso não significa a mesma coisa, porque ativar é semelhante a apertar um botão de uma máquina e utilizar, tem o sentido de usar algum recurso de uma forma que se direcione à meta.O trabalho então era focado nas Restrições, fazendo também com que os não gargalos trabalhassem em um ritmo adequado aos gargalos, para não produzirem peças em excesso, que se acumulariam na montagem final. Tiveram como resultados imediatos uma redução nos inventários, nas despesas operacionais, nos estoques de produtos em processo e no tempo de expedição das peças, aumento dos lucros com os novos negócios e a possibilidade de oferecer entregas aos clientes a curto prazo. Apesar de estar conseguindo obter bons resultados com o novo modelo de gerenciamento, Alex preocupa-se com o fato de Bill Peach e toda a divisão estarem habituada aos métodos tradicionais, ao “Mundo de Custos”, onde nos projetos de melhorias as capacidades dos recursos são cortadas, visando diminuir as despesas operacionais. Eles lhe cobram a eficiência das partes, dos departamentos, em vez de pensarem na fábrica como um todo que se desenvolve. Assim como Jonah, Alex e sua equipe estão convictos de que é preciso introduzir a fábrica ao “Mundo do Ganho”, que apesar de ir contra vários conceitos que haviam aprendido até então, é uma questão de puro bom senso, vendo o aumento do ganho como objetivo principal. Cinco passos são desenvolvidos para auxiliar no processo (p.319): O 1º é identificar as restrições no sistema, o 2º, decidir como explorá-los, o 3º, subordinar tudo o mais a decisão anterior, o 4º é elevar essa restrição do sistema e o 5º é se num passo anterior a restrição for quebrada, voltar ao passo número um. Quando se torna evidente a melhoria da fábrica de Alex, sob essa nova perspectiva, Bill Peach o nomeia como próximo gerente da divisão. O gerente, apesar de ter salvado o seu casamento e assegurar o sucesso da meta e de suas medidas, ainda sente-se inseguro em relação às técnicas necessárias para gerenciar. Lou, o controller, propõe que este seja um “processo de melhoria contínua”. Dessa forma, é explicitado ao final, o estudo do “raciocínio lógico”, necessário a partir dos problemas que os gestores passaram a ter com a aplicação da Teoria das Restrições, evidenciando a importância deles buscarem por si mesmos resolver os problemas que aparecem constantemente. Em alguns casos, o autor dá a entender que este processo pode ser aplicado em qualquer organização, bem como no gerenciamento da vida pessoal. “A Meta: um processo de melhoria contínua” é um livro fascinante em termos aprendizagem organizacional, com uma visão diferente, ousada e desafiadora, que estimula o leitor deduzir por si mesmo os questionamentos feitos. Mostra a importância da organização em ter flexibilidade, para quebrar antigas regras e pressupostos falsos. Proporcionando também tirar alguns conceitos acerca da Teoria das Restrições. O livro, porém, simultaneamente torna-se monótono e pouco objetivo, pelo fato de apresentar todos os diálogos da equipe, até que eles cheguem a uma conclusão bem definida. A extensão e os desdobramentos das conversas, por vezes são cansativos e desnecessários. Um outro ponto negativo, acredito que seja a falta de clareza, em relação à aplicabilidade das técnicas da Teoria das Restrições e em como usa-las com objetividade. Já um ponto interessante, mensurado pelo autor, talvez seja intercalar os problemas da divisão com os problemas pessoais de Alex, sua esposa Julie e seus filhos, Dave e Sharon, que se queixam da pouca atenção dispensada a eles devido ao trabalho. Isso nos permiti analisar os fatos sob outras perspectivas e também proporciona conhecimento aliado à diversão. Desta forma, me agrada indicar o livro A Meta: um processo de melhoria contínua principalmente aos graduandos nas áreas de Administração; às pessoas ávidas por rápidas leituras sobre o funcionamento das fábricas em geral e sobre a Teoria das Restrições e à empreendedores,que desejam tornar sua empresa mais competitiva no contexto ambiental dinâmico em que atuam,sendo que o conteúdo desta obra é indispensável para a formação de um profissional com senso crítico. Fonte: GOLDRATT, Eliyahu M.; COX, Jeff. A Meta: um processo de melhoria contínua. 2. ed. São Paulo: Nobel, 2002.