Quando Edmond Rostand escreveu sua obra Cyrano de Bergerac, fez menção à situação cotidiana em Luchom (França) criando o personagem baseado em fatos reais. Há algum tempo atrás, em uma empresa Offshore, observei relatórios e planos de estratégias, muito delineados e que possuíam um estudo profundo no budget da empresa. A pessoa que apresentava os relatórios era o gerente de uma multinacional, que com grande maestria e teatro, informava os pontos fortes e fracos de forma geral, de forma muito diferente do trabalho apresentado. Certo dia, necessitando dos relatórios e com o gerente encontrando-se em férias (fora do país), solicitei a seu assistente, um jovem de 25 anos, de perfil baixo. Quando pedi informações adicionais ao assistente, este esclareceu e evidenciou tudo de forma profissional e coerente. Perguntei sobre sua formação acadêmica e sobre seu salário atual. Com vergonha e medo, respondeu de sua faculdade, MBA e seu salário meio de R$2.500,00, e valido dizer que o gerente possuía um ganho anual de R$302.183,89. A síndrome de Bergerac não é algo novo talvez seja a forma como é chamado, mas ele é um problema que existe desde os primeiros homens que trabalhavam juntos. Sempre houve um que possuía a idéia, mas que não podiam externar, seja por medos, timidez ou perfil da pessoa e outros que aproveitam a situação para explorar o problema. Cyrano de Bergerac foi um homem visionário com dotes de filósofo, físico e astrônomo. De fato, se diz que foi o primeiro em sugerir que o homem podia chegar à lua montado num foguete, mas sua imagem está associada mais a um espadachim de verbo poético e conduta atarantada. É esta conexão: pessoa visionária e inteligente, combinada com a baixa auto-estima e pouca fé no sucesso pessoal. Isso é o que permite associar o nome de Bergerac com uma síndrome administrativa. A Síndrome de Bergerac é o oposto à Síndrome de Anát pois, neste caso, é a falta de confiança e a escassa ou distorcida auto-imagem que possui o subordinado que o motiva a ceder seu talento a terceiros. Ele considera que só por essa via será possível a materialização de suas idéias ou propostas, pois caso contrário passaria despercebido. Pode parecer até sacanagem, como dizemos no Brasil, que alguém assuma como próprias as idéias de outro. Quem tem a síndrome de Bergerac dá idéias para outra pessoa sem nenhum problema com a perda do mérito e até se sentindo grato. Por isso há muitos que aproveitam a situação, podendo encontrar um ou dois em cada ambiente de trabalho e sim como muitos outros que se aproveitam da situação. Quem possui a síndrome de Bergerac esconde-se atrás de seu cérebro. Ele é um tímido, alguém que se sente com inadequada e baixa auto-estima. Acho que eles não podem tomar as suas idéias e realizá-las para si e acabam facilitando para que outros aproveitem o rendimento dele. Apesar de nunca agir desta forma, ele fica ofendido porque alguém, afinal de contas, alcança a glória por causa deles. A verdade é que não é uma situação de trabalho ideal. Baixa auto-estima limita a vida das pessoas em todos os níveis e no trabalho. Imagine um supervisor ou coordenador que pensa assim: isso afeta não apenas o funcionário, mas também o grupo e a empresa. E se você observar, ele é um empregado valioso escondido em sua timidez e possuindo uma síndrome muito marcada no Bergerac, sendo mais útil do que “louco”. O assunto é: como podemos tirar proveito de um empregado inteligente com baixa auto-estima? Deve-se pensar sobre isso e agir em conformidade, pois o que desejamos é “ousar” ou “usar”? Isso porque muitos, acreditando no talento da pessoa, utilizam só para os resultados, escondendo seu melhor jogador, ou considerar ações para encorajar e encaminhá-lo como um ativo valioso Seja de uma forma ou de outra, a síndrome de Bergerac é uma afecção administrativa que não agrega valor a quem a alimenta e inclusive a quem a padece, pois sua existência denota a carência das concorrências próprias de um profissional de hoje, onde a capacidade de inovação e criatividade são e terão de ser as principais fontes de distinção entre as pessoas talentosas. Sob o fato da historia anterior, o gerente tomou conhecimento da situação e mandou embora ao funcionário.