Estudo de Caso: Um modelo de gestão participativo baseado em transparência, comunicação e compromisso mútuo. CONSIDERAÇÕES INICIAIS O presente estudo de caso tem por finalidade apresentar resultados de um modelo administrativo de gestão participativa, tendo como premissas: Transparência, Comunicação e Compromisso Mútuo. O intuito é incentivar o terceiro setor, em especial as entidades religiosas batistas filiadas à Convenção Batista Nacional, a se profissionalizarem nas questões administrativas, entretanto, esse modelo pode ser usado, mutatis mutandis, por outros grupos evangélicos. Para desenvolvermos melhor a idéias, é necessária a definição do conceito de Igreja: John Davis (1854-1926) em seu dicionário bíblico define a palavra Igreja como: Tradução do grego ekklesia que nos Estados da Grécia significava a reunião de cidadãos convocados às assembléias legislativas, ou para outros fins. Os escritores sagrados empregam essa palavra para designar uma comunidade que reconhece o Senhor Jesus Cristo como supremo legislador, e que congregam para adoração religiosa. Wikipédia: Igreja pode designar reunião de pessoas, sem estar necessariamente associada a uma edificação ou a uma doutrina específica. O dicionário Aurélio define igreja como: 1. Templo cristão, 2. Autoridade eclesiástica, 3. A comunidade cristã.O mesmo também define instituição como: 1. Ato ou efeito de instituir. 2. A coisa instituída. 3. Associação ou organização de caráter social, religioso, filantrópico etc. Independente das questões religiosas essas organizações devem atender a todas as questões legais vigentes. Portanto, no presente estudo será utilizada a definição de igreja como instituição/organização. JUSTIFICATIVA Tendo o vosso procedimento correto entre os gentios, para que naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, observando as vossas boas obras, glorifiquem a Deus no dia da visitação. Sujeitai-vos a toda autoridade humana por amor do Senhor, quer ao rei, como soberano, quer aos governadores, como por ele enviados para castigo dos malfeitores, e para louvor dos que fazem o bem. Porque assim é a vontade de Deus, que, fazendo o bem, façais emudecer a ignorância dos homens insensatos, como livres, e não tendo a liberdade como capa da malícia, mas como servos de Deus. Honrai a todos. Amai aos irmãos. Temei a Deus. Honrai ao rei. I Pedro 2:11-17 Muitas igrejas estão totalmente à margem da legalidade, seja na documentação de imóveis, nas questões contábeis e fiscais ou na forma de administrarem o dinheiro conforme estabelecido em estatuto ou regimento interno. Nem sempre a má fé, é a causa de deficiências administrativas e financeiras nas igrejas, o despreparo e desconhecimento de lideres ou de quem ocupa cargos administrativos é gritante. Geralmente, e quando há, a diretoria administrativa é formada por pessoas bem quistas no meio da comunidade, o que não significa que são as mais preparadas para ocuparem lugares como representantes legais de uma igreja. Muitos até nem sabem que a diretoria administrativa é co-responsável pelos bens tangíveis e intangíveis da instituição durante o período em que atuaram no cargo. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL Na dedicatória de seu livro Cristianismo e Política, Cavalcanti 2004, cita Calvino: “Não se deve pôr em dúvida que o poder civil é uma vocação, não somente santa e legítima diante de Deus, mas também mui sacrossanta e honrosa entre todas as vocações”. A Constituição Federal de 05/10/1988 define: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XVII – é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar; XVIII – a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento; XIX – as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em julgado; XX – ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado; PESSOA JURÍDICA Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I – as associações; II – as sociedades; III – as fundações. EXISTÊNCIA LEGAL DA PESSOA JURÍDICA Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo. REGISTRO DA PESSOA JURÍDICA Art. 46. O registro declarará: I – a denominação, os fins, a sede, o tempo de duração e o fundo social, quando houver; II – o nome e a individualização dos fundadores ou instituidores, e dos diretores; III – o modo por que se administra e representa, ativa e passivamente, judicial e extrajudicialmente; IV – se o ato constitutivo é reformável no tocante à administração, e de que modo; V – se os membros respondem, ou não, subsidiariamente, pelas obrigações sociais; VI – as condições de extinção da pessoa jurídica e o destino do seu patrimônio, nesse caso. DOS PODERES DOS ADMINISTRADORES Art. 48. Se a pessoa jurídica tiver administração coletiva, as decisões se tomarão pela maioria de votos dos presentes, salvo se o ato constitutivo dispuser de modo diverso. DA ASSOCIAÇÃO CIVIL Art. 53. Constituem-se as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos. Parágrafo único. Não há, entre os associados, direitos e obrigações recíprocos. ESTATUTO SOCIAL – REGIMENTOS – REGULAMENTOS – DIRETÓRIOS Art. 54. Sob pena de nulidade, o estatuto das associações conterá: I – a denominação, os fins e a sede da associação; II – os requisitos para a admissão, demissão e exclusão dos associados; III – os direitos e deveres dos associados; IV – as fontes de recursos para sua manutenção; V – o modo de constituição e funcionamento dos órgãos deliberativos e administrativos; VI – as condições para a alteração das disposições estatutárias e para a dissolução. ASSOCIADOS – LIVRO DE REGISTRO E / OU FICHAS DE ASSOCIADOS Art. 55. Os associados devem ter iguais direitos, mas o estatuto poderá instituir categorias com vantagens especiais. Art. 56. A qualidade de associado é intransmissível, se o estatuto não dispuser o contrário. Art. 57. A exclusão do associado só é admissível havendo justa causa, obedecido o disposto no estatuto; sendo este omisso, poderá também ocorrer se for reconhecida a existência de motivos graves, em deliberação fundamentada, pela maioria absoluta dos presentes à assembléia geral especialmente convocada para esse fim. Parágrafo único. Da decisão do órgão que, de conformidade com o estatuto, decretar a exclusão, caberá sempre recurso à assembléia geral. Art. 58. Nenhum associado poderá ser impedido de exercer direito ou função que lhe tenha sido legitimamente conferido, a não ser nos casos e pela forma previstos na lei ou no estatuto. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA ASSEMBLÉIA GERAL Art. 59. Compete privativamente à assembléia geral: I – eleger os administradores; II – destituir os administradores; III – aprovar as contas; IV – alterar o estatuto. A Receita Federal do Brasil classifica as instituições por grupos de atividades econômicas. O CNAE – Código Nacional de Atividades Econômicas define: 91.9 OUTRAS ATIVIDADES ASSOCIATIVAS 91.91-0 Atividades de organizações religiosas 9191-0/00 Atividades de organizações religiosas Esta subclasse compreende: – As atividades de organizações religiosas ou filosóficas – As atividades de igrejas, mosteiros, conventos ou organizações similares. – A catequese, a celebração ou organização de cultos. Portanto, toda igreja deve ter um CNPJ, alvará de funcionamento, estatuto, regimento interno, onde deverão estar definidas as responsabilidades e as atividades de cada cargo administrativo, alem dos deveres e direitos de seus membros/associados. Qualquer entidade religiosa é, perante o novo código civil brasileiro, uma associação. Os membros possuem a responsabilidade de manter financeiramente a instituição até que de livre e espontânea vontade não queiram mais fazer parte da mesma, oficializando a saída. Assim como qualquer outra, as organizações de atividades religiosas devem proceder conforme as regras e leis vigentes do país, e, embora não tenha finalidade de geração de lucro, necessita de recursos, sejam eles financeiros, de infra-estrutura ou humanos. INSTITUIÇÃO DO MODELO DE DECISÃOPorque assim como em um corpo temos muitos membros, e nem todos os membros têm a mesma operação, assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros. De modo que, tendo diferentes dons, segundo a graça que nos é dada, se é profecia, seja ela segundo a medida da fé; se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar, haja dedicação ao ensino; ou o que exorta, use esse dom em exortar; o que reparte, faça-o com liberalidade; o que preside, com cuidado; o que exercita misericórdia, com alegria. Romanos 12:4-8 Enéias Tognini nas páginas 64 a 71 do livro Eclesiologia (2001) aborda o tema “Governo das Igrejas”, afirmando que há pelo menos três formas de governo eclesiástico: Monárquico, Oligárquico e o Democrático. “A palavra governo numa de suas formas vem a ser: dominação, domínio, soberania… Aparece apenas quatro vezes no novo testamento… uma apenas é aplicada ao ministério (I Cor. 12:28) e assim mesmo como um dom não especificamente aplicado ao serviço pastoral.” Pag. 64 No poder Monárquico, há uma centralização de poder de decisão absoluta, por exemplo, a Igreja Romana, a Ortodoxa Grega, a Anglicana, a Luterana e alguns ramos pentecostais. No Oligárquico, que vem do latim OLIGARCHIA e pode ser traduzido como “governo da minoria”, não são todos os membros que decidem, mas apenas alguns oficiais. Neste modo de governo estão os Presbiterianos. O Democrático é o governo que reconhece a igualdade dos componentes do grupo e decide-se qualquer assunto em assembléias, resolvendo as questões por maioria de votos. “Quantitativamente, o voto do doutor, vale tanto quanto o do analfabeto. Neste caso estão os Batistas, os Congregacionais e alguns Pentecostais… Abraão Lincoln definiu: “O governo do povo, pelo povo e para o povo”. Democracia é autoridade em sujeição.” Pag. 67 e 68 Alguns exemplos de decisões pelo modelo democrático no Livro de Atos: Cap. 1:21-26: Para preencher a vaga de Judas Iscariotes Cap. 6:1-5: Para resolver um problema e para a escolha dos diáconos Cap. 8:14: Pedro e João foram enviados à Samaria (decisão da igreja). Governo Democrático Cap. 10: Pedro narra à igreja os pormenores do que se passou na casas de Cornélio. A igreja ouve atentamente a “prestação de contas” e glorifica a Deus. Cap. 11:20-22: A igreja e não um grupo envia Barnabé à Antioquia Cap. 14:23: “E promovendo-lhes em cada igreja a eleição…”. A igreja é quem elegeu. Como argumentado, o modelo mais adequado à realidade em que vivemos é o democrático, ou seja, quando a assembléia é soberana. Nesse sistema não é o líder religioso que toma as decisões sozinho, mas a assembléia (todos os membros/associados arrolados formalmente). As rotinas são delegas a uma diretoria administrativa que é eleita por votação em assembléia e que responderá juridicamente pela instituição durante o mandato, e os membros/associados acompanham mensalmente as decisões e a destinações dos recursos durante o período estabelecido até que haja uma nova eleição. Para isso é importante manter um rol de membros ou associados sempre atualizado para que seja identificado quem pode representar ou ser representados pela igreja. Assuntos que guardam maior relevância sempre devem ser tratados abertamente entre os membros. TRANSPARÊNCIA, COMUNICAÇÃO E COMPROMISSO MÚTUONo livro “Planejando e Administrando as Atividades da Igreja” de Antonio Vieira de Carvalho (2004), pagina 22 destaca que: “…Para tanto, em termos de Planejamento Estratégico, é necessário que: As estratégias sejam consistentes com a realidade da igreja, e traduzidas em planos e programas de ação;As conseqüências operacionais e financeiras destes planos e programas possam ser detalhadas para toda a comunidade;Que os resultados possam ser monitorados pela igreja.”. A transparência e a comunicação são indispensáveis, nas instituições que levam a sério a administração, para que tudo seja tratado em assembléia, principalmente quanto aos recursos. Um orçamento, nada mais é do que uma declaração de resultados esperados, expresso em números.As previsões orçamentárias são concebidas como meios de controle administrativo, inclusive da igreja. Carvalho (2004) afirma que: “As atividades da tesouraria da igreja não devem reduzir-se ao recolhimento e deposito dos dízimos e ofertas e/ou assinar cheques.A tesouraria deve trabalhar com variáveis importantes como: Poder aquisitivo dos membros da comunidadeMotivação para a contribuiçãoConjuntura econômica”. Sobre a motivação para a contribuição, é necessário identificar se o modelo é sustentável, ou seja, se é momentânea e circunstancial ou se é por entender o que significa ser membro/associado, o que leva a pessoa contribuir de forma constante e de livre e espontânea vontade. Ainda sobre transparência, o controle é um fator de relevância, pois, verifica se tudo o que ocorre em conformidade com o estabelecido, alem de apontar fraquezas e erros. É inegável o crescimento de diversas igrejas no Brasil, como também é inegável que, como organização, o dinheiro é uma parte integrante nesse processo de crescimento. Existem igrejas que não possuem rol de membros, e até mesmo as pessoas que freqüentam esporadicamente não sabem ou não querer ter o compromisso de ser membro/associado, e ao arrecadar recursos financeiros essas igrejas-instituições não prestam conta a ninguém, pois inexiste a mutua responsabilidade. Por outro lado, também são crescentes os escândalos financeiros dessas mesmas organizações, e isso tem colocado em jogo a credibilidade da igreja junto à sociedade e até mesmo desviando o foco da sua principal função: pregar as Boas Novas de Cristo Jesus. Tais escândalos resultaram em preocupações sobre os sistemas de controle internos, portanto, não é estranho o aumentando do interesse em investigar se estas possuem alguma forma de organização administrativa formal e, também, as mesmas deficiências administrativas que qualquer outro tipo de organização. Alberto Barrientos (1999) em seu livro Trabalho Pastoral, princípios e alternativas, pg. 244, nos dá dois exemplos interessantes: “Um pastor era encarregado de uma igreja. Ele pregava bem. Era querido pelos irmãos. De repente começaram a surgir desconfianças, as ofertas diminuíram, alguns irmãos saíram da igreja e, finalmente apareceram acusações contra ele. Ao ser estudado o caso descobriu-se que o pastor fazia praticamente tudo na igreja. As ofertas eram recolhidas publicamente, mas dali em diante não se sabia qual o total arrecadado, nem o que se fazia com ele, pois não havia controle adequado.” “Em outro caso, surgiram problemas entre diversos irmãos e o pastor. Este mudava constantemente as pessoas do cargo de liderança da igreja, pois dizia que não cumpriam sua tarefa. Isto criou fortes ressentimentos contra ele e uma resistência da parte dos outros irmãos a aceitar cargos. Ao ser estudada a situação, descobriu-se que os irmãos “que não cumpriam as tarefas” argumentavam que eles eram nomeados e recebiam um cargo, mas não sabiam em que consistiam, quais eram seus deveres, e não recebiam nenhuma instrução para desempenhá-los adequadamente”. Casos como os citados acima não são exceção, há líderes centralizadores nas questões administrativas, há locais onde não há transparência na destinação dos recursos. Por meio da observação podemos constatar que, somente a disponibilidade e boa vontade não são os principais requisitos para se ocupar qualquer cargo/função administrativo dentro da igreja. É necessária a profissionalização. É importante lembrar que os recursos financeiros auferidos nessas igrejas têm por finalidade a manutenção dos projetos a que se propuseram e dos processos existentes enquanto houver concordância daqueles que assim os estabeleceram e participam de tais instituições/decisões. Geralmente os recursos financeiros dessas entidades são doações dos próprios membros, associados ou simpatizantes. Para cada igreja essas doações possuem nomenclaturas diferentes como ofertas, dízimos, premissas etc. A maioria dos escândalos tem suas bases na falta de transparência dos processos administrativos e financeiros da igreja. Hoje não é só uma questão de ética, mas de sobrevivência das igrejas manterem os membros informados sobre seus processos, os planos futuros, as ações e atividades. Assuntos como salário pastoral, projetos, meta orçamentária, voluntariado, entre outros devem ser tratados com total transparência entre os membros/associados Muitas instituições não se deram conta da obrigatoriedade do registro em órgãos competentes e de se manter a contabilidade formal para a igreja. Existem diversas igrejas-instituições que temem em demonstrar analiticamente as saídas financeiras, pois acreditam que isso criaria um ambiente propicio para conversas e suposições. Nesse aspecto discordo totalmente. Se as metas, planos e ações, salários e ajudas forem bem definidas em conjunto, amplamente divulgadas aos membros, não há o que se esconder, alias, quanto mais transparente for a administração, mais confiança os membros associados terão para contribuírem com aquilo que se propuseram e acreditam. Por outro lado, temos hoje membros/associados que não se enxergam dentro do processo de decisão da igreja da qual fazem parte. Acabam por achar que ao contribuírem, estão dando ao líder ou simplesmente à instituição. Mas o acompanhamento do direcionamento desses recursos deve ser realizado constantemente, fiscalizados para verificar se os projetos e planos aprovados estão sendo desenvolvidos, portanto, o membro é peça fundamental nesse processo. Por exemplo, uma igreja quer para o ano seguinte alugar um imóvel para trabalhar com crianças de 0 a 12 anos. Se isso não for consenso entre os membros e a diretoria, os recursos financeiros e humanos estarão comprometidos, mas, se todos concordarem com o planejamento orçamentário onde esse projeto está inserido, todos trabalharão para que o mesmo seja realizado quer apoiando financeiramente ou como voluntário. Antonio Vieira de Carvalho observa que o membro/associado sente-se totalmente motivado quando: “pode usufruir de um razoável sistema de comunicação;É parte integrante da gestãoTem liberdade para debater métodos e técnicas “. É preciso que a cultura da gestão participativa dentro da igreja seja fortemente disseminada. E nesse ponto há muita confusão, pois uma gestão administrativa participativa não exclui os papeis definidos no regimento interno ou estatuto. Há certo “medo” por parte de lideranças de “perder o poder”, ou ainda há aqueles que impõem suas idéias, administrando a igreja como se fosse uma propriedade particular. É necessário um amadurecimento de ambas as partes para que no aspecto jurídico-contábil-administrativo todos possam caminhar com os mesmos objetivos. Conforme abordado inicialmente, uma das finalidades é mostrar de forma prática os resultados da adoção de um modelo participativo. Poucas são as instituições que discutem com seus membros ou associados o orçamento financeiro de entradas e de saídas. Trabalhar seriamente esse quesito garante que todos se comprometam com os projetos e ações que serão desenvolvidos e assim garantam os recursos necessários para que os mesmos aconteçam. ESTUDO DE CASO: IGREJA BATISTA BETEL DE AGUDOS[1] A igreja Batista Betel de Agudos (IBB) integrada à Convenção Batista Nacional é uma organização de natureza religiosa e foi organizada em 12 de julho de 1986 com 17 membros fundadores. Em 2003 foi instituída pela assembléia uma comissão de oito pessoas para apresentar uma proposta de adequação do estatuto ao novo Código Civil Brasileiro. Em 31 de janeiro de 2004 houve uma assembléia geral extraordinária para tratar sobre a reformulação do estatuto e a instituição do Regimento Interno. Por recomendação da comissão especialmente constituída para essa reforma, o estatuto foi lido integralmente e após alguns comentários, aprovado na íntegra. Também por recomendação da comissão, foi lido o regimento interno, e, com a apreciação consciente de todos os membros presentes foi aprovado. Nessa data a igreja contava com 141 (cento e quarenta e um) membros arrolados formalmente. Importante destacar alguns artigos do novo estatuto: Artigo 6º – A igreja é composta de pessoas que livre e voluntariamente aceitam suas doutrinas, ensinamentos, disciplina, ministérios, administração e liturgias, sem distinção de idade, sexo, cor, nacionalidade, condição social ou cultural. Artigo 10º – Os membros ativos estarão distribuídos em 03 (três) categorias distintas: I) Membros Fundadores II) Membros Colaboradores III) Membros Congregados Parágrafo Único: Somente os membros fundadores e colaboradores, compõem o quadro de membros aos quais e, somente estes, é garantido o direito de voz e voto nas assembléias de membros. Artigo 15º – A receita da igreja se constituirá de arrecadações provenientes de meios lícitos, contribuições voluntárias, dízimos e ofertas de seus membros, bem como de doações espontâneas de qualquer pessoa física ou jurídica. Artigo 17º – Todo o movimento financeiro da igreja será registrado conforme exigências técnicas e legais que assegurem sua exatidão e controle. Artigo 18º – A administração das atividades civis da igreja será exercida pela Assembléia de membros que é o poder soberano e administrador, tendo para executá-la a diretoria administrativa. Na área administrativa foi necessária a adoção de medidas para melhorias das questões documentais e para dar mais transparência dos processos administrativos aos membros. Algumas ações simples que foram tomadas entre 2004 a 2008 demonstraram-se de grande eficiência, sendo que algumas foram incorporadas nos processos: Orientação a toda a liderança sobre o princípio contábil de entidade, no qual se devem separar os registros das pessoas físicas e jurídicas. Essa ação foi necessária para que todos os documentos fiscais passassem a ser emitidos em nome da pessoa jurídica. Ações de conscientização dos deveres dos membros sobre questões financeiras. Explicando as implicações em aceitar participar espontaneamente da associação religiosa conforme estabelecida no estatuto e regimento interno. Tratar abertamente em assembléia assuntos financeiros como: metas orçamentárias de entradas e saídas, inclusive salário pastoral, projetos e ações de educação e sociais. (planejamento participativo) Ter em local visível e acessível, os balancetes financeiros (fluxo de caixa) de entradas e saídas de cada mês. Afixados em mural. Demonstração da realização orçamentária de entradas em relação à meta estabelecida para execução dos projetos e ações que foram propostos e definidos por todos em assembléia. Conscientização de que os membros possuem acesso à documentação contábil/fiscal. Contratação de profissional contábil. Regularização Fiscal (INSS e Receita Federal) Controles de entradas individuais (por membro) totalizando o depósito bancário. Forte investimento em literaturaMelhorias em infra-estrutura (água mineral, copos descartáveis, banheiros, toalhas de papel, material infantil adequado, etc.) Contratação de escritório de segurançaTrabalho de conscientização sobre contribuição para missões. Nesse tópico todo o recurso financeiro que entra é repassado aos convênios estabelecidos com junta de missões ou diretamente com missionários. Essa conscientização envolve prestação de contas dos trabalhos de campo. (cartas, fotos, trazer o próprio missionário à igreja local) Para dar mais transparência e profissionalismo, foi contratado um escritório de contabilidade para manter os registros exigidos por lei e apurar os valores de impostos e contribuições a serem pagos pela IBB. Um controle que tem se mostrado muito eficiente é o fluxo de caixa e o balancete mensal que contenha de forma descriminada todas as entradas e saída financeiras, disponível e de fácil acesso para todos os membros/associados acompanharem o direcionamento dos recursos. Alguns resultados quantitativos: Evolução das Entradas e Saídas sendo 2002 o ano base (base 100)ENTRADAS (Dízimos) e SAÍDAS de 2003 à 2008 Evolução numero de contribuintes:2005 – 602006 – 842007 – 852008 – 91 [1] Todas as informações são de fonte primária: Atas, Estatuto, Regimento Interno, Balanços. Bibliografia IBGE, <http://www.ibge.gov.br/concla/download/CNAE_fiscal1.1.pdf > acessado em 14/11/2008 – pág. 210 e 211 <http://pt.wikipedia.org/wiki/Igreja> acessado em 14/11/2008 CAVALCANTI, Robinson 2004 – Cristianismo e Política: teoria bíblica e prática histórica. DAVIS, John D. – Edição ampliada e atualizada – São Paulo, SP, Hagnos 2005. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda Dicionário da língua portuguesa 6ª edição – Curitiba, Positivo 2006. BARRIENTOS, Alberto – Trabalho Pastoral, princípios e alternativas 2º edição. Editora United Press Ltda. 1999 TOGNINI, Enéas – Eclesiologia, 2º edição. Arte Editorial. 1987 CARVALHO, Antonio Vieira de – Planejando e Administrando as Atividades da Igreja 2º edição. Editora Hagnos. 2004 IGREJA BATISTA BETEL DE AGUDOS, Atas de reunião ________________________________, Diários Contábeis ________________________________, Controles Internos