Esse slogan é tão vazio, mas tão vazio, que chega a dar pena do carinha de marketing que o criou. Brasileiro não desiste do quê? De levar a sua vidinha normal sem qualquer propósito ou de estar sempre alegre sambando e comemorando alguma data nada importante? Não existe, na face do planeta, um povo tão emocional como o brasileiro. Eu mesmo me enquadro nesta categoria dos que choram quando uma grande pessoa morre, quando o time do coração é campeão ou quando vejo uma cena bonita no cinema, mas nem por isso confundo a cabeça com o coração. Resolvi escrever este artigo, porque ocorreu um certo burburinho na internet nas últimas semanas sobre uma possível vinda de OVNI’s para o planeta Terra chegando no dia de hoje nos Estados Unidos e sobrevoaria todo o nosso planeta por três dias. Se isso é verdade ou não ou se aconteceu ou acontecerá não me importa, porque o que realmente me importa é cumprir os compromissos que estabeleci comigo mesmo antes que o meu “mundo” acabe. Parece que tem muita gente torcendo para o mundo acabar da mesma forma que fica contando as horas para o relógio do escritório bater, demonstrando que a maioria dos brasileiros já desistiram de tentar descobrir do que não devem desistir. LUTAR PELAS CAUSAS Não sei se é só minha essa percepção, mas acredito que muita gente está apenas fazendo aquilo que supostamente deveria fazer ao invés de lutar por algo que realmente seja necessário fazer. Ficar contando os segundos do relógio para sair do emprego que não lhe agrada é abdicar do direito que nós adultos temos de sermos responsáveis das nossas próprias vidas. Quando éramos crianças esperávamos ansiosos o sinal da escola bater para irmos para o recreio brincar e comer nosso lanche, mas continuar fazendo isso depois de adulto é demonstrar uma total incapacidade de lutar por uma causa digna que garanta que o seu mundo de adulto sobreviva, mesmo após a própria morte. O MUNDO VAI ACABAR SIM Eu já escrevi sobre este mesmo tema quando falei que os médicos haviam me dado somente mais seis meses de vida e volto a tocar neste ponto lhe dando a informação de que o seu mundo vai acabar a qualquer momento e que a única coisa que você está fazendo é passear pela vida sem sequer conhecer do que é capaz. Fazemos um esforço danado para nascer, passamos por maus bocados durante a infância, problemas hormonais durante a adolescência e quando chegamos à fase adulta, queremos apenas descansar e colocar a culpa do nosso fracasso brasileiro no mundo que nos cerca. MEDALHA DE BRONZE NÃO É DE OURO Guiados pela procrastinação onde fazer alguma coisa já é uma grande vitória, nos conformamos com as nossas medalhas de bronze conquistadas à base de muito choro. Ganhando medalhas de bronze, nós, brasileiros, nos conformamos por sermos pais, termos um emprego, contarmos com um fundo de garantia por tempo de serviço, mantermos um plano de saúde e outras coisas mais que nos trazem “segurança”. Brasileiros que somos, trocamos felicidade por segurança. Perdedores torcem para o juiz apitar o final do jogo enquanto os vencedores torcem por mais cinco minutos de acréscimos para tentarem fazer mais um gol. SEGURANÇA x FELICIDADE A melhor expressão sobre segurança é aquela que diz “La garantia soy yo”. Pode parecer uma brincadeira, mas perceba que todo o conceito de segurança que a maioria cultiva está baseada no que está fora dela: governo, dinheiro, emprego, benefícios, plano de saúde, etc. Isto significa que esta segurança, por si só, não traz a felicidade, objetivo natural do ser humano. A felicidade está completamente atrelada ao desempenho que um ser humano tem em uma atividade onde possa colocar todo o seu potencial como indivíduo. Se algo de ruim e externo a você acontece, sabendo você o seu potencial, com certeza, será possível construir tudo de novo, pois essa pequena queda ou crise, não passará de um simples tombo para lhe dar impulso para levantar e seguir em frente sem chorar. Primeiro arranje o que você não quer desistir e depois proclame ser brasileiro.