CANDIDATO ALOPRADO Um filme americano que conta uma Sátira ao processo eleitoral nos Estados Unidos, onde um comediante, Tom Dobbs (ator Robin Williams), que tem um programa de entrevista e humor na TV, estilo o de Jô soares, após uma brincadeira de um de seus fãs, que perguntou: 'Por que você não se candidata a presidente dos Estados Unidos?', decide então, lançar sua candidatura independente à Presidência dos EUA. As pesquisas apontavam empate técnico entre o democrata Kellogg e o republicano Mills, então concorrentes de Dobbs, o independente cuja média na preferência dos eleitores era de 17%, não esperava vencer a disputa, e é eleito Presidente dos EUA, contra todas as expectativas. Na votação usaram-se urnas eletrônicas modernas, fabricadas pela empresa Delacroy, que por coincidência, não imprimiam os votos dos eleitores, como também é aqui no Brasil. O slogan da referida empresa era: 'Facilidade – Velocidade – Precisão'. A analista da Delacroy, Eleanor Green (atriz Laura Linney) mantinha no íntimo aquela sensação que às vezes ataca o mais comum dos mortais diante da obra acabada: 'está tudo certo, mas sinto que há alguma coisa errada', acreditando que o importante é o voto, não a praticidade, através de simulações percebeu uma falha capaz de alterar o resultado da eleição. Por e-mail, informou o presidente da empresa, mas as eleições estavam próximas e não havia tempo para correções e reconhecer o erro implicaria na queda das ações e na quebra da Delacroy. Ele assegurou-lhe que o defeito fora sanado, apagou o e-mail. Após a eleição de Dobbs como presidente do EUA, a analista, convencida de que a falha persistira, aprofundou os testes e descobriu que letras dobradas confundiam o sistema. No caso, os bb de Dobbs, pela ordem alfabética anteriores aos ll de Kellogg e Mills e dos gg do primeiro, direcionavam indevidamente votos ao comediante, na proporção de três por um. Após vários problemas inerentes típicos dos filmes americanos, onde até um envolvimento afetivo entre os dois uni-os. Ela relata o fato ao eleito e no final quando ele percebe que ela estava certa, ele desiste de assumir. O filme mostra uma situação hipotética de fraude num processo eleitoral no estilo comédia, que dá uma visão 'engraçada' de como se processa a política na atualidade. Nesta análise, o filme escancara a insegurança do voto eletrônico e a possibilidade de falhas na urna. Qualquer semelhança não é mera coincidência. As urnas eletrônicas brasileiras estão longe de ser uma fortaleza de segurança. Pois sem a impressão do voto não há como conferir para quem ele foi direcionado. Ou seja, segundo lema do 'Voto Seguro', se a urna não imprimir, seu voto pode sumir. Uma piada do comediante, de uma frase só, é uma das melhores definições para os políticos, principalmente os do Brasil: 'Políticos são como fraldas, devem ser trocados sempre e pelo mesmo motivo'. SAILE GUEDES