Capital Gestor, como já sabe, você é o guardião do capital confiado a você pelos acionistas e é imprescindível que cuide dele com carinho e diligência. Para cuidar, você tem que conhecê-lo e é isso que vamos fazer nesse artigo em relação ao capital de giro. O capital, nome genérico atribuído aos recursos financeiros investidos numa empresa pode vir dos acionistas e dos credores (Origem- lado esquerdo do balanço). Ele é então investido (Aplicação- lado direito do balanço) nos ativos em contas classificadas segundo sua liquidez, isto é, contas mais líquidas como caixa, são colocadas em primeiro lugar e contas menos liquidas, imóveis e equipamentos numa indústria, por exemplo, por último. Assim o valor total investido numa empresa é representado por todo o ativo e por serem de natureza distinta, são classificados em ativos circulantes e não circulantes. Como já ressaltamos, a regra geral nos negócios é minimizar o investimento (capital), buscando com isso aumentar o retorno. (para o mesmo lucro, quanto menor o investimento, maior vai ser o retorno). Os lucros da operação da empresa, devem vir preferencialmente da eficiência e eficácia no uso dos ativos não circulantes ( máquinas, equipamentos, softwares e marca por exemplo) e portanto dado que o capital é escasso, quanto menor o capital investido no ativo circulante , maior é a parcela disponível para investimento no capital permanente. Capital de Giro ou de Trabalho, como diriam os gringos. Os ativos circulantes dizem respeito aqueles ativos mais líquidos e que no curso normal das operações de uma empresa vão se transformar em caixa num período de até um ano. É por isso que esses ativos compõem aquilo que se denominou capital de giro, pois eles giram ao longo de um ano, sustentando a necessidade de liquidez (caixa) da empresa. Numa empresa comercial, por exemplo, o caixa se transforma em estoque pela compra, que por sua vez se transforma num contas a receber pela venda, para finalmente se transformar em caixa novamente, completando o ciclo. Capital de giro, portanto, é o ativo circulante que dá liquidez às operações do dia-a-dia da empresa. CAPITAL DE GIRO = ATIVO CIRCULANTE (CAIXA, CONTAS A RECEBER, ESTOQUES) Capital de Giro Líquido (CGL) Todos os ativos de uma empresa são financiados por recursos (fontes) representados no passivo. Os recursos do acionista no patrimônio líquido, e os recursos de terceiros de curto e de longo prazo, representados no exigível a curto e no exigível a longo prazo. Aos recursos que se originam de terceiros e são exigíveis (tem que ser pagos até uma determinada data) em até um ano, convencionou-se chamar de passivo circulante. Assim dá-se o nome de capital de giro líquido à diferença entre o ativo circulante e o passivo circulante e este representa em que medida o passivo circulante financia o capital de giro (ativo circulante). CAPITAL DE GIRO LÍQUIDO = ATIVO CIRCULANTE (-) PASSIVO CIRCULANTE Gestão de Capital de Giro O objetivo da administração financeira a curto prazo é gerir cada um dos itens do ativo circulante (caixa, bancos, aplicações financeiras, contas a receber, estoques, etc.) e do passivo circulante (fornecedores, salários e impostos a pagar, empréstimos, etc.), a fim de alcançar um equilíbrio entre rentabilidade e risco que contribua positivamente para aumentar o valor da empresa. Um investimento alto demais em ativos circulantes reduz a lucratividade (mais investimento em ativos líquidos e portanto menos rentáveis), enquanto um investimento baixo demais em ativos circulantes aumenta o risco de a empresa não poder honrar suas obrigações nos prazos pactuados (perder crédito e até se tornar inadimplente). Ambas as situações conduzem à redução do valor da empresa que é exatamente o oposto da missão dos gestores. Capital de Giro Positivo e Capital de Giro Negativo Quando o valor do ativo circulante supera o do passivo circulante, significa que a empresa possui um capital de giro positivo. Essa situação (ativo circulante maior que o passivo circulante) é mais comum, por conta de dois motivos: O primeiro denominado descasamento, diz respeito a impossibilidade de conciliar as datas de pagamento com as de recebimento e o segundo diz respeito a incerteza associada ao recebimento dos recursos de clientes nas datas acordadas e a necessidade de a empresa honrar seus pagamentos nas datas compromissadas, sob pena de sofrer os efeitos de perda de reputação, pagamento de multa e juros cada vez mais altos, e por fim, perda do crédito e inadimplência. Assim um Ativo circulante maior que o passivo circulante dá fôlego para o gestor lidar com o descasamento e as incertezas das entradas de caixa. Nessa situação, ativo circulante maior que o passivo circulante, o capital de giro liquido representa a parcela dos ativos circulantes da empresa financiada com recursos a longo prazo (soma do exigível a longo prazo com patrimônio líquido), os quais excedem as necessidades de financiamento dos ativos permanentes. (vide figura abaixo) Quando o valor do ativo circulante é menor que o do passivo circulante, significa que a empresa possui capital de giro liquido negativo. Nessa situação, menos usual, o capital de giro liquido é a parcela dos ativos permanentes da empresa que está sendo financiada com passivos circulantes, ou seja, com capitais de curto prazo, o que denota um quadro de risco, pois dívidas de curto prazo vencem antes que os ativos não circulantes, comecem a gerar caixa. Gestão de Capital de Giro no Brasil No Brasil, provavelmente em função de nossa memória inflacionária e da elevada taxa de juros real, a gestão de capital de giro torna-se ainda mais relevante. Primeiro, nós gestores temos que entender o capital de giro como um mal necessário (precisamos ter estoques para amortecer desvios da demanda e falhas na cadeia de suprimentos, além de precisarmos conceder crédito e vender a prazo se quisermos vender mais e batermos nosso concorrente). Isto posto, a meta é otimizar o capital de giro, buscando eficiência na gestão de estoques e de contas a receber de um lado, e passivos circulantes que nos financiem, de preferência sem custo do outro. Como já mencionei, nossa taxa de juros exorbitante faz com que os fornecedores de matéria-prima e serviços, incluam encargos financeiros, hoje em dia de até 2% ao mês quando optamos por compras a curto prazo (30/60 dias), coisa que no exterior dificilmente ocorre. Assim, apenas as contas de salários em geral e de impostos e encargos a pagar podem ser ditos como de custo zero no financiamento do capital de giro. Como otimizar contas circulantes (caixa, estoques, contas a receber, contas a pagar etc.) é o X da questão e que prometo explorar em futuros artigos. Clayton Nogueira Março 2012