RECESSÃO MUNDIAL Os EUA e o mercado mundial passaram a desvalorizar o Dólar frente ao Euro (moeda da União Européia – UE) a partir de 2003. Historicamente, o Real era atrelado ao Dólar, mas também passou a valorizar-se desde o 2º semestre de 2004, com maior força desde o início de 2005, chegando a cair mais de 20 % durante aquele ano. O mesmo ocorre com Países asiáticos, como Japão, Coréia do Sul, Taiwan, Indonésia e Cingapura (exceto a China), que deveriam estar perdendo a gigantesca fatia do mercado americano que haviam conquistado. Entretanto, os EUA seguiam por anos aumentando seu déficit comercial com todos. Alguns Governos protegem suas moedas, para serem, artificialmente, mais competitivos do que os EUA, formando gigantescos superávits contra este. Este é o caso da China que, por sua vez, financia o déficit americano comprando e mantendo papéis do Tesouro dos EUA, chegando a ter em 2008 quase US$ 2 trilhões deles. O Brasil vinha tendo antes pouca participação das exportações em seu PIB e agora, com incentivos fiscais, regras fixas e promoção, cada ano mais vem ganhando forte competitividade, mesmo com a moeda sobrevalorizada devido ao câmbio flutuante. Nesse cenário de mudanças, tanto há riscos como há novas e imensas oportunidades comerciais para novos atores como o Brasil. ESTATÍSTICAS As exportações brasileiras vêm sendo bastante promissoras, basicamente, devido à força de seu agronegócio e das novas frentes abertas. Entretanto, o câmbio sem política de controle vem prejudicando seu desenvolvimento desde 2006, havendo mais força nas importações. Para 2006, o Governo previra exportações de US$ 145 bilhões (+ 23 %). Porém, com a permenente redução do ritmo exportador durante todo o ano devido à “insistente” queda do Dólar, uma previsão de US$ 140 bilhões ficou mais factível, mas o resultado não superou US$ 137,471 bilhões. Para 2007, o Governo previa exportações de US$ 160 bilhões (+ 16 %), acertando na mosca, com US$ 160,649 bilhões no final do ano. E houve uma continuidade na redução do ritmo exportador pelo mesmo problema do Dólar. Para o ano de 2008, o Governo prevê exportações de US$ 210 bilhões (+ 31 %). Mesmo como a defasagem cambial ainda “insistente”, as expressivas vendas de minério de ferro e petróleo dominam a pauta com preços explosivos. Nenhum outro País tem atingido um crescimento percentual como esse nos últimos anos, mas o Brasil vem correndo de trás, tentando alcançar o pelotão principal, bem mais à frente e com longa tradição em comércio internacional. No entanto, todo o esforço exportador da área industrial está sendo deixado de lado, em prol de uma preocupante especialização em commodities. Mesmo que alcançasse fantásticas vendas externas de US$ 200 bilhões já em 2007, isso ainda teria sido muito pouco. Para ficar entre os 10 primeiros exportadores mundiais, seu lugar de direito se não tivesse permanecido tantos anos fechado em si e em sua burocracia inerte, terá que exportar mais de US$ 250 bilhões ao ano. Chegaremos lá em breve, se o Governo e o Banco Central não atrapalharem tanto. Sem dúvida, este será um longo caminho ainda a percorrer, mas a trajetória está traçada e trata-se apenas de questão de tempo. A partir de 2003, o País passou a buscar novos patamares e vem obtendo sucesso acelerado. Em 2004, aproximou-se de US$ 100 bilhões, e em 2008 a previsão era ultrapassar os US$ 200 bilhões. Para 2009, o Governo tem meta de US$ 270 bilhões. O Governo Brasileiro projetava no início de 2004 um conservador saldo na Balança Comercial de US$ 26 bilhões e o País atingiu US$ 33,7 bilhões. Todos os sábios nacionais previam que o saldo de 2004 seria muito menor que o de 2003 (de US$ 24,8 bilhões). E continuaram prevendo isso para 2005, porque demoram muito a entender o que vem acontecendo no mundo, já que só olham para o passado e têm medo de errar ao olhar à frente. E continuaram errando em 2006. Tem-se contado com a forte e contínua recuperação da Argentina e de toda a América Latina, e com a projeção de um saldo maior que US$ 30 bilhões na balança do Agronegócio, que representa menos de 12 % do PIB. Mas o que favorece mesmo é o ambiente comercial mundial atual. Mas, também espera-se que continuem crescendo as vendas de manufaturados e de semimanufaturados, áreas por valores agregados que vinham apresentando pesado déficit comercial, embora tivessem presença muito maior no PIB. Respondem por 34 %. A Área de Serviços é a maior com 54 %. Sabe-se que, no comércio internacional, 70 % do fluxo está concentrado em produtos industrializados de média e alta intensidade tecnológica. O Brasil vinha exportando somente 32 % e importando os 70 % dessa faixa de produtos, basicamente, por falta de cultura exportadora, financiamento adequado e pelos tradicionais entraves burocráticos e até tributários. Enquanto isso, as commodities primárias respondem por apenas 7 % do comércio mundial. Já o Brasil concentrava nesses produtos de baixo valor agregado 30 % de suas exportações, com 11 % de importações. Nessa área, a cultura exportadora é secular (café). Esses percentuais do comércio do País vinham mudando nos últimos anos e precisariam mudar mais, urgentemente, para um maior equilíbrio, ao menos, pois todas as áreas devem e podem crescer bastante. O desafio para o avanço das exportações com substituição das importações de produtos industrializados de médio e alto valor agregado é a chave para o sucesso do novo modelo exportador brasileiro : a INOVAÇÃO e a RENOVAÇÃO TECNOLÓGICA. Os Saldos Comerciais Mensais vinham apresentando forte crescimento nos últimos anos, até que o Real passou a ficar mais valorizado em 2006 e as tendências ficaram mais difíceis, especialmente para os manufaturados. Junho de 2004 havia batido o recorde de todos os tempos, com US$ 3,801 bilhões. Em junho de 2005, caiu a barreira dos US$ 4 bilhões de saldos mensais. E logo a seguir, em julho, caiu espetacularmente por terra a barreira dos US$ 5 bilhões, com US$ 5,005 bilhões, saldo este somente ultrapassado pontualmente em julho e dezembro de 2006. Com o Real mais caro em 2006 e 2007, as exportações perderam um pouco de sua força relativa às importações. Assim, quando será possível cair a barreira dos US$ 6 bilhões ? Para 2008, vinha sendo confirmadas as previsões de que Exportações e o Superávit Comercial não cresceriam com a mesma força que as Importações, devido à contínua sobrevalorização do Real ao longo do ano. Mesmo com todas as turbulências, a moeda brasileira permanecerá procurando um patamar abaixo de R$ 1,60 por Dólar. Nos primeiros 7 meses de 2008, foram exportados US$ 111,098 bilhões e importados US$ 96,445 bilhões, com um Comércio Total de US$ 207,543 bilhões. Comparado aos US$ 150,750 bilhões do mesmo período de 2007, o crescimento no Comércio Total foi de fortes 37,7 %. Já o Superávit Comercial do período foi de US$ 14,653 bilhões, tendo representado um espetacular decréscimo de 39 % sobre os US$ 23,916 bilhões do mesmo período de 2007. O aumento nas importações continua pesando cada vez mais em 2008 devido ao Real valorizado, como bem fica refletido no quadro abaixo. O Governo previu que, na presente situação cambial, seria extremamente positivo se o Brasil pudesse superar em 2006 o Superávit Comercial de US$ 44,764 bilhões de 2005. De fato, o Saldo de 2006 chegou a US$ 46,077 bilhões, mas com enormes percalços para tanto. O mesmo pode ser dito de 2007, com pequena queda para US$ 40,024 (- 13 %). Para 2008, será excelente um superávit de US$ 25 bilhões (- 38 %), com um Real tão sobrevalorizado, e uma política inconsequente. De qualquer modo, será ainda muito interessante ver crescer bastante o Comércio Total. Caso o Real em 2008 ainda estivesse valendo em média mais de R$ 2,00 por Dólar, seria possível projetar-se um forte Saldo Comercial Anual de até US$ 60 bilhões (50 % maior que o de 2007). As exportações em 2008 estariam alcançando US$ 240 bilhões, contra US$ 180 bilhões de importações, com um inédito Comércio Total de US$ 420 bilhões. Registre-se que o governo só havia errado a projeção de Comércio Total de 2005 em US$ 3 bilhões. O interessante é que o Comércio Total em 2006 fechou em US$ 228,865 bilhões, apenas US$ 1,135 bilhão abaixo do valor também projetado aqui. Os Saldos Comerciais de junho de 2007 a abril de 2008 apresentaram uma boa desaceleração devido ao câmbio. As Exportações Diárias vêm crescendo bastante nos últimos anos, com excelentes marcas, como a superação dos US$ 700 milhões em 2007 e dos US$ 900 milhões em 2008. Em um acompanhamento semanal, nada se comparava ao recorde obtido na 5ª semana de julho de 2005, quando o Saldo Comercial (semanal) atingiu novo patamar, com o total de US$ 1,970 bilhão, encostando na casa dos US$ 2 bilhões semanais. Já a 1ª semana do mês de julho de 2006 voltou a apresentar um Saldo Comercial semelhante, com US$ 1,693 bilhão. Embora muitos setores exportadores venham sofrendo com o câmbio e a concorrência desleal da China – câmbio escandalosamente fixo e mão-de-obra praticamente escrava, há alguns setores com preços e volumes mais altos, como o minério de ferro, a laranja, além do crescente petróleo e biocombustíveis. Esses resultados do Comércio Exterior Brasileiro ainda insistem em buscar novos patamares em um paradigma aparentemente inimaginável até pouco tempo, embora já apontado pelo ECONOMIA BR desde o início de 2003. Naquele tempo, era arriscado projetar-se sequer um saldo semanal de US$ 600 milhões, algo já comum e até baixo hoje. Na quarta semana de julho de 2008, o saldo foi de US$ 1,438 bilhão. Para o futuro, já é possível projetar-se patamares bem mais altos de Saldo Comercial. Poder-se-ia utilizar o patamar de US$ 1 bilhão e projetá-lo para um período anual, 12 meses à frente, considerando-se somente 50 semanas úteis (pode ir a 53) : Se o Saldo Comercial semanal pudesse manter-se estável no patamar de US$ 1 bilhão, uma projeção anual simples seria de saldo de US$ 50 bilhões. Conheça os principais Saldos Comerciais do mundo atual, veja o avanço brasileiro e suas perspectivas. Quando e se conseguir entrar em patamar ainda superior, evoluindo para US$ 1,5 bilhão por semana, a projeção de 12 meses crescerá para hoje incríveis US$ 75 bilhões, que é a próxima meta do Brasil, mas somente para quando o câmbio estiver a favor das exportações. Ao ultrapassar o paradigma de US$ 2 bilhões semanais, a projeção saltará para hoje espantosos US$ 100 bilhões anuais, como no quadro acima. E isso ocorrerá cedo, mantidas as condições de mercado atuais. Com novos acordos hoje considerados impossíveis, como ALCA ou UE, além desses e novos mercados sendo fortemente trabalhados, as condições serão ainda melhores para o Brasil. Um Saldo Comercial anual de US$ 60 bilhões traria, facilmente, o equilíbrio financeiro para o País, independentemente do montante de Investimento Estrangeiro Direto (IED), de possíveis US$ 35 bilhões em 2008, número ainda bastante acanhado para o potencial do País. Porém, um Saldo anual acima de US$ 100 bilhões ou mesmo de US$ 150 bilhões colocaria o País em um rumo e ritmo de acelerado crescimento, incomodando e deslocando muitas economias tradicionais da atualidade. Esse é o motivo de tanta insistência brasileira em negociações internacionais para a abertura de mercados fechados (como a CHINA, a UE e os EUA) e a luta pelo fim de subsídios a agriculturas não-competitivas frente ao agora, e ainda mais no futuro, poderoso Agronegócio Brasileiro, de alimentos, petróleo e energia renovável e limpa. Historicamente, ressalte-se que o maior Saldo Comercial brasileiro acumulado em 12 meses ocorreu em abril de 1989 (17 anos antes), com US$ 20,2 bilhões, o que nunca mais se repetiu em 14 anos, evidenciando a lamentável e inexplicável introspecção de sua economia, e levando ao seu empobrecimento. Enquanto isso, muitos outros Países saltaram à frente.