É comum em qualquer projeto a adoção das boas práticas. As boas práticas nos dão um norte, nos ajudam a começar e nos levam ao nosso objetivo de maneira tranquila e calma. Porém, se o que você busca é a inovação, as boas práticas serão seu pior inimigo. Elas limitarão sua capacidade de criar, sua capacidade de enxergar o valor do novo, sua capacidade de gerar resultados exponenciais. As boas práticas são a principal arma das pessoas medianas para que possam manter sua média. A boa prática tem suas origens no fordismo, e seu objetivo é formar operários repetidores de tarefas, repudiando a criatividade. Quanto maior a habilidade em repeti-la, mais efetiva sua execução será e mais estável será o caminho pelo qual ela te conduzirá. Porém, quando você busca exceder a média, entregar um resultado inimaginável, criar conceitos e abrir novos caminhos, a primeira coisa que você precisará fazer é se liberar das algemas das boas práticas. Uma boa prática é algo já testado e aprovado por um grande grupo de pessoas que, se executado conforme definido, te levará a um resultado esperado, com poucos riscos, com um alto grau de certeza e, principalmente, com um forte argumento para justificar suas falhas, afinal, fiz exatamente o que todo mundo faz… Não sei por quê não deu certo. Seguir uma boa prática é assumir para si uma inteligência alheia. Você abre mão de desenvolver a sua própria inteligência em prol de uma inteligência de outrem, já testada e comprovada, cujo resultado, por mais medíocre que seja, já é conhecido e é aceitável para você. Pessoas medianas tendem a pensar pela média. Qualquer pessoa mediana irá comparar uma ideia inovadora com as boas práticas e fazer seu julgamento sobre a qualidade desta baseando-se nos princípios definidos pela sua experiência na execução das boas práticas, responsáveis por guiar suas ações a vida toda e, na maioria absoluta das vezes, seu veredicto será certo: Que ideia absurda. O Princípio da inovação é o desconhecido. Existe uma frase interessante de Albert Einstein: “Se, a princípio, a ideia não parecer absurda, então não há esperança para ela” Quando você inova, o futuro é incerto. A certeza do sucesso se torna algo tão abstrato que até mesmo você tem dúvidas, porém continua em frente porque, apesar das incertezas, você consegue enxergar o valor no novo. Quando Frederic M. Litto escreveu sobre o EAD e as dificuldades em se inovar na educação brasileira, ele citou um texto interessante de O Príncipe, de Maquiavel: '[…] E deve ser lembrado que não há nada mais difícil para iniciar, mais perigoso para conduzir, ou mais incerto no seu sucesso, que assumir a liderança de uma nova ordem de coisas. Porque o inovador tem como inimigos todos aqueles que se saíram bem nas condições antigas, defensores mornos, aqueles que poderiam se sair bem nas novas. Esse frescor surge em parte do medo dos opositores que têm as leis ao seu lado, e em parte da incredulidade dos homens que não acreditam prontamente em coisas novas, até que tenham uma longa experiência com elas. Assim, quando aqueles que são hostis têm oportunidade para atacar, eles o fazem como guerrilheiros, enquanto os outros o defendem mornamente […]' Inovar não é uma tarefa que qualquer um aceite. Inovação não é uma visão que qualquer pessoa possua. Esses são atributos de pessoas que enxergam além da média… enxergam além dos caminhos pelos quais as boas práticas conduzem. Se você tem o DNA da inovação, você vai sentir dificuldade em explicar suas ideias. Os benefícios que parecem óbvios para você serão absurdamente abstratos para outras pessoas. Você se sentirá um forasteiro em uma terra desconhecida. Você que é inovador, aprenda uma coisa: A sua visão de inovação é um dom dado a você, e somente a você. Tentar convencer outros do potencial de sua visão inovadora pode se tornar uma árdua tarefa. Aquele que vê valor na boa prática jamais verá valor na prática inovadora, afinal, ela conduz exatamente pelo caminho que ele quer evitar: O caminho da incerteza. Existe uma frase interessante de Peter Senge sobre esse tema: “A raiz da inovação está na teoria e nos métodos, não na prática. Absorver as melhores práticas, como tem estado em moda, não gera aprendizagem real. A organização que aprende não é uma máquina de clonagem das melhores práticas de outros.” Esse texto é interessante porque nos leva à seguinte reflexão: A prática nos leva por caminhos conhecidos; a teoria nos leva por caminhos inexplorados. Foi a teoria que revolucionou o mundo e não a prática. O aprendizado real vem do gerar conhecimento e não do assimilar e aperfeiçoar o conhecimento alheio. Boa prática não é aprendizado, é doutrinação e repetição. A organização que aprende é justamente aquela que investe para criar o conhecimento novo e não para fortalecer conhecimento velho. Fortalecer conhecimento velho pode até te tornar eficiente, mas jamais te tornará eficaz. Uma boa prática dura até que outra boa prática a substitua. Boas práticas são volúveis e mudam constantemente. O que é bom hoje não será amanhã. Seguir a boa prática irá te tornar obsoleto toda vez que uma boa prática for substituída por outra. Somente a mente inovadora permanece, pois é ela que cria o futuro que os outros seguirão. Afinal, como disse Peter Drucker: “Não podemos prever o futuro, mas podemos criá-lo“ Você acredita que poderá criar o futuro vivendo de boas práticas?