A seguir, caminhos que considero úteis para chegar mais próximo das verdades das pessoas, e saber como elas são por dentro, revelá-las, descobri-las. Em todos eles, a estratégia é colocar mais atenção onde há menos vigilância. Quem sabe faz ao vivo Uma pessoa realmente conhece um assunto quando sabe praticá-lo. O melhor momento para que eu observe o conhecimento de alguém é no momento em que for exigida a aplicação daquele conhecimento. Tento criar oportunidades para alguém demonstrar o conhecimento em uma condição prática, produzindo uma evidência tangível, ensinando outra pessoa, ou conversando com alguém que também conhece o assunto. A ciência sabe que o conhecimento profundo está associado à prática. Se eu quiser aprender algo de verdade, devo praticar, ensinar, e aplicar. Irmãos mais velhos possuem inteligência mais elevada, pois precisaram praticar mais para aprender. Quando estamos na posição de alguém que ensina, como professor, ou auxiliando colegas, o aprendizado acaba sendo maior. Ensinar gera mais conhecimento para quem ensina do que para quem é ensinado. Um detalhe contém mais verdades que a figura principal Giovanni Morelli desenvolveu um método para certificar a autenticidade de obras de arte. Ensinava que os detalhes de uma figura pintada a óleo, como mãos, e orelhas, continham os traços mais verdadeiros de um artista. A ideia de Morelli era a seguinte: falsificadores se especializavam nas partes principais, como o rosto, os olhos, os cenários. Para verificar a autenticidade de um quadro, deveríamos comparar em diferentes quadros do artista as partes 'menos importantes', secundárias para a figura ou o cenário representados na imagem. Dessa forma, dando mais atenção onde há menos vigilância, encontra-se com mais facilidade as diferenças entre autêntico e falso. Ao observar um comportamento, dou muito mais atenção às pequenas histórias. As projeções sobre si mesmo, planos futuros, casos memoráveis, são esforços onde se investiu repetição, ensaio, cuidado redobrado para impressionar as audiências. Logo, essas narrativas têm pouca chance de serem verdadeiras se nos detalhes do dia a dia não puder confirmar como as grandes histórias estão sendo construídas. Ou seja, o livro que estamos lendo hoje diz muito sobre as reais chances de realizarmos o que planejamos para o nosso futuro. Foi assim que Tarantino deu movimento em seu roteiro de Bastardos Inglórios. O Major da Gestapo Dieter Hellstrom desconfiava de Hicox e seus comparsas, e um pequeno sinal para pedir 3 bebidas confirmou que não eram oficiais alemães autênticos. Ao contrário do sinal dos 3 dedos do meio, os alemães incluem o polegar. Alguns sinais visíveis e importantes no trabalho: não recolher um lixo que deixou cair, fazer de conta que não ouviu a necessidade de um colega, estar presente no momento de receber aplausos, mas habilmente tornar-se invisível nos momentos de assumir um novo bloco de tarefas, revisar um trabalho, ou responsabilizar-se pela própria falha. A Lei do Garçom Além de pagar minhas contas quando morei na Europa, trabalhar como garçom me ensinou muito sobre comportamento. Na posição de quem presta um serviço de mesa, é possível reconhecer com clareza quem são as pessoas de bom caráter. Grandes executivos como Steve Odland, Tom Purves, e Bill Swanson declaram que há uma lei universal, a Lei do Garçom. Se alguém tenta mostrar ao seu superior que é uma boa pessoa, mas não é boa com um garçom, dizem que não há dúvidas: ela não é uma boa pessoa. Swanson inclui essa regra em seu livro com as “33 leis invisíveis” para o sucesso executivo. Também podemos observar como as pessoas realmente são na diferença entre o modo como falam no atendimento telefônico, na recepção, ainda antes de nos conhecerem pessoalmente, ou entrarem em uma reunião. Acho muito mais valioso saber algo sobre isso do que saber o que publicam em uma rede social. Aprendi que pessoas autênticas não mudam o comportamento quando se sentem menos vigiadas. E ao observar o modo como alguém lida com as pessoas de menos poder sei muito sobre a preparação para o trabalho em equipe, a cooperação, a capacidade de ter empatia, e a capacidade de lutar pelo que foi combinado em todos os momentos. Fredric Neuman, psicólogo Doutor em Medicina, do Hospital White Plains, estuda os rituais de namoro e casamento, e sua análise chega às mesmas conclusões. Se o parceiro age de forma gentil, mas é rude com um garçom, há grandes chances de sua natureza verdadeira ser assim, e um dia ela se manifestar na relação. Bons observadores de comportamento aproveitam os momentos não vigiados para ler as verdades, as manifestações originadas nas regiões mais profundas de um indivíduo. Todos estamos nos tornando mais habilidosos em ler pessoas, pois temos mais informação, mais repertório e mais demanda por interpretação de comportamento. Logo, geralmente fica mais fácil escolher de uma vez o caminho da autenticidade, e não correr o risco de ser flagrado desmentindo as próprias promessas. Descobertas sobre a autenticidade brasileira: http://pt.slideshare.net/Citylinkers/citylinker-autenticidade [Originalmente publicado em https://www.linkedin.com/pulse/como-identificar-pessoas-verdadeiras-martin-haag].