Havia, há não muito tempo, uma propaganda muito boa que tratava sobre o comprometimento. Essa palavra que ainda é pouco utilizada por nós, brasileiros, deveria ter maior enfoque, mais destaque. Eu sempre costumo criticar muito quem procura culpado pelo próprio fracasso, e essa aberração que já se tornou cultural. É um ranço propagado por professores, sindicalistas, sociólogos e muitos dos ideólogos do atraso. Oras, se não se possui responsabilidade, se não se assume nenhum compromisso a contento, quem é a verdadeira causa do infortúnio? Em uma aula recente, levei um texto de um consultor do Sebrae de SP, onde ele elencava motivos para o sucesso e crescimento de pequenas empresas, bem como as qualidades necessárias aos novos colaboradores do empreendimento. Mas o que tenho percebido no meio que me cerca, é que são pouquíssimos os profissionais que realmente merecem a alcunha de competente, e era exatamente essa ótica que tentava transmitir aos meus instruendos, haja vista a falta de empenho de alguns dos futuros especialistas. Em seu último livro, O verdadeiro poder, Vincente Falconi trata sobre o conceito de espírito de excelência, que seria algo como pensar como o dono. Alguns néscios dirão que se trata de puxassaquismo; em suas visões limítrofes, o fazer bem feito, com ética, responsabilidade e qualidade nada mais é que mera bajulação. Outros, incompetentes por natureza, procurarão um amparo legal em nossa arcaica legislação para se encostar, prejudicando o bom andamento do serviço. Uma minoria crescerá junto com sua organização e conquistará o seu lugar ao sol. Oras, estamos repletos de exemplos de professores que não querem ministrar aulas, bancários que nem querem aparecer nos bancos, servidores públicos que preferem ficar em casa – considerável parcela dos citados até agora se encontra, ou na política ou no meio sindical. Já imaginou um militar que não vai ao quartel, um médico que se nega ao exercício da medicina ou padre que não reza a missa? Nesse ranço ideológico/da vagabundagem, estamos criando verdadeiros parasitas, morais e oficiosos. Generalizando, não temos compromisso nenhum com o trabalho propriamente dito, entenda-se como o exercício da função, nas melhores condições e padrão de excelência. A mentira virou mote, inclusive dentro dos mais altos escalões da República. Em um bairrismo chinfrim, normalmente os nativos detentores de estereótipos, imediatamente rechaçam qualquer observação que considerem ofensiva. Se não reconhecermos nossas limitações, jamais poderemos adotar uma ação corretiva. Já tive a oportunidade de morar em diversos estados, e pude constatar in loco que muitos dos preconceitos têm razão de existir, infelizmente. Só elevaremos o padrão da sociedade do conhecimento, se houver a conscientização de que devemos provar que somos capazes. O compromisso assumido deve ser cumprido, obrigatoriamente! Horários, regras e padrões, idem. Devemos sempre somar, jamais subtrair. Se fizermos a lição de casa, com certeza colheremos frutos, poderemos andar de cabeça erguida e colocá-la no travesseiro, calmamente. Mas, isto é, primeiramente, algo completamente individual e gradativo, de dentro para fora. Afinal homo homini lupus! *Administrador e professor