Introdução O consumo atinge recordes em todo o mundo, após o advento do capitalismo consumir se tornou a palavra de ordem determinante na sociedade, seja pelo status, pelo poder ou pelo simples desejo de comprar. Um indivíduo ao comprar, pagar e consumir um produto passa por um processo que envolve várias situações, como influências externas e internas, papéis de compra, necessidades, pois cada indivíduo age diferente do outro e por isso também se torna um consumidor diferente. Diversos fatores podem influenciar a compra; como a necessidade, a moda, o capital, e entre tantos fatores aborda-se neste trabalho a influência que o estilo musical rock tem no consumo de vários produtos de diferentes seguimentos. A relevância desse tema se dá principalmente pelo grande mercado que esse setor movimenta, tanto em produtos quanto no mercado fonográfico que levanta milhões de reais em festivais com shows de estrelas do rock nacionais e internacionais. Este artigo tem como problemática saber o porquê dos consumidores escolherem produtos relacionados ao rock para consumir. A escolha pelo tema aqui apresentado parte do interesse pelo estilo musical, e pela curiosidade, enquanto pesquisa, de entender o que leva as pessoas que unidas pelo mesmo gosto musical fazem dele muito mais que um simples hobby, mas um estilo de vida, que determina suas amizades, os locais a serem frequentados, os interesses sociais e todo o tipo de consumo como artigos de fonografia, vestuário, calçados e acessórios, maquiagem, skate entre outros. O objetivo geral abordado é mostrar como o rock influencia o consumo de diversos produtos, e os específicos são analisar como esses consumidores fazem suas escolhas de compra, verificar a razão desta escolha e qual o diferencial nas compras. 2 CONSUMO Como afirma Nunes (2009, p.1): “O termo consumo designa o ato econômico que permite concretizar a satisfação de determinada necessidade através da utilização de determinado bem.” A aquisição e o uso de determinados bens transcendem a dimensão de um simples ato econômico. Por meio das escolhas que fazemos, o consumo transforma-se em um processo de construção de significados que nos situa social e culturalmente. A finalidade do consumo é então uma de suas principais distinções. Neste sentindo podemos distinguir o consumo final e intermediário. No consumo final, ou direto, temos as famílias, utilizando bens para satisfazer suas necessidades imediatas. O consumo intermediário é efetuado pelas empresas que necessitam modificar aquele bem para o consumo final. Assim já se faz mais uma distinção, quanto ao ato de consumir: quando é efetuado pelo Estado ou outra instituição pública, diz-se consumo público; no caso de ser efetuado por uma família, diz-se consumo privado. O consumo ainda trás outro tipo de distinção, quanto à natureza das necessidades satisfeitas: se forem necessidades primárias (associadas à própria sobrevivência), designa-se por consumo básico ou essencial; se forem outro tipo de necessidades (geralmente associadas a luxo), designa-se por consumo supérfluo. “O comportamento de consumo pode ser simplificado como o comportamento que os consumidores mostram quando estão procurando, comprando, usando, avaliando e determinando produtos, serviços e idéias”. (Vieira, 2002, p.3). Nas últimas décadas, principalmente após a revolução industrial, consumir se tornou a mola propulsora do mundo. Todos os dias milhares e milhares de produtos dos mais variados seguimentos saem das fábricas do mundo inteiro, logo após vão parar nas prateleiras para que as pessoas comprem, formando um circulo vicioso. Assim se mantém o sistema capitalista, através do consumo (e crescente), que não requer muito esforço, pois o consumo parece fazer parte da natureza humana. Tudo fica ainda mais claro quando se alia a essa tendência a propaganda que parece fazer despertar desejos que algumas pessoas nem sabiam ter, introduzindo no íntimo do ser necessidades, vontades que fazem com que elas trabalhem mais, para ganhar mais dinheiro, para comprar mais coisas, que daqui a alguns meses se tornarão obsoletas por verem mais propagandas de um novo produto que elas ainda não têm. E aí o círculo começa novamente. 2.1 CONSUMISMO E CONSUMERISMO O consumo faz parte da rotina humana e é necessário para que haja o desenvolvimento econômico. Porém quando esse consumo torna-se irracional, exagerado e impulsivo, perigoso para o consumidor passa a denominar-se consumismo. Isso ocorre porque o indivíduo passa a não medir as consequências de seus atos, como vê-se na crise ambiental em que o homem usufrui dos recursos naturais sem nenhuma contensão, o que causa a crítica a esse sistema e a valorização do consumo sustentável. Já o consumerismo prega totalmente o oposto do consumismo, um consumo racional, consciente, sem exageros. Nele também se baseia os princípios do consumo sustentável, pela preocupação nas gerações futuras, pelo planeta e sociedade que deixarão para seus filhos e netos. 2.2 COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR O estudo do comportamento do consumidor surgiu como campo de estudo na década de 60, mais precisamente em 1968. Sua origem intelectual, contudo, é muito mais antiga. Thorstein Veblen, por exemplo, falou sobre exageros de consumo em 1899. Nos primeiros anos do século XX, os escritores começaram a debater de que maneira os anúncios poderiam utilizar princípios psicológicos. Na década de 50, idéias oriundas da psicologia freudiana foram popularizadas por pesquisadores da motivação e usadas por anunciantes. Entretanto, apenas com o surgimento do conceito de marketing na mesma década, foi reconhecida a necessidade de estudar o comportamento do consumidor. Segundo Las Casas (2010, p.181): “Comportamento do consumidor é uma atividade mental e física exercida pelos consumidores ou por empresas que resultam em decisão e ação para o pagamento, compra e uso de produtos e serviços”. Escritores como Newman, Katona, Ferbera, visavam identificar as variáveis que rodeavam o consumidor, como suas atitudes inconstantes perante diferentes produtos, como eles reagem a persuasão e os estímulos externos do mercado. Por exemplo, no verão de 1999, a coqueluche entre as mulheres conservadoras da alta sociedade era usar no dedo do pé anéis de ouro, platina ou diamantes, feitos sob encomenda. Um analista descreveu essa febre como a mais nova encarnação do look hippie chic. Mowen (2002. p.3) Além de investigar compras, o estudo do comportamento do consumidor é essencial para a tomada de decisão gerencial. A cirurgia plástica é uma área comercial, uma indústria. Para obterem sucesso no empreendimento, os médicos devem vender um produto e o marketing vai depender da boa compreensão da vontade do cliente. Compreendendo seus clientes essas clínicas podem desenvolver seu produto, ou seja, alternativas de cirurgia plástica, desde cirurgia facial, lipoaspiração, implante de silicone e etc. Assim essas empresas devem apelar para as necessidades de seus clientes, como numa propaganda para homens, enfatizar a concorrência contra rivais mais jovens e saber também onde localizar seu empreendimento. Nos Estados Unidos, por exemplo, o mercado das plásticas é mais bem sucedido no litoral do que no interior. O comportamento do consumidor pode ser definido como estudo das atitudes de quem compra e do processo de aquisição e troca de bens, serviços e idéias. Vários conceitos podem ser apresentados desta definição. Em um processo de troca, o consumidor está sempre em uma das extremidades do processo, que se dará entre duas partes. Por exemplo, um cantor comercializa seu talento por dinheiro dos fãs, seus consumidores finais. Mas, além disso, os sentimentos de reconhecimento, status e fama também pode ser trocado entre as partes. Assim, a troca funciona como elemento fundamental no comportamento do consumidor. O processo de troca envolve uma série de fases, começando pela aquisição, passando pelo consumo e finalizando com a disposição do produto ou serviço. Grande parte das pesquisas sobre o comportamento do consumidor se concentra na aquisição. Os pesquisadores analisam o que motiva os consumidores a decidirem pela aquisição de determinado produto ou serviço. Muitas são as influências que afetam um indivíduo, pois todos são motivados por necessidades e desejos. Segundo McCarthy e Perreault (1997. p.114) “Necessidades são as forças básicas que motivam uma pessoa a fazer algo. Desejos são as ‘necessidades’ aprendidas durante a vida de uma pessoa.” Quando a necessidade não é satisfeita ela pode levar a um impulso. Um exemplo é que a necessidade de água pode levar ao impulso da sede, pois o impulso é um estímulo forte que encoraja a ação, para reduzir a necessidade. Alguns psicólogos argumentam que uma pessoa pode ter várias razões ao mesmo tempo para adquirir um produto ou serviço. McCarthy e Perreault apresentam uma hierarquia similar a das cinco necessidades de Maslow, denominada hierarquia FSSP (necessidades fisiológicas, de segurança, sociais e psicológicas). A teoria motivacional sugere que as pessoas nunca atingem a satisfação completa. Tão logo as necessidades de nível mais baixo sejam satisfeitas, as de nível mais alto tornam-se assim dominantes. Isso explica porque os esforços do marketing que focam nos consumidores mais ricos, buscam atingir as necessidades de nível mais elevado. Isso, no entanto pode ser uma armadilha para empresas que se situam em partes do mundo em que muitas das necessidades básicas não estejam satisfeitas. De fato, a maioria dos consumidores busca atingir a um conjunto de necessidades, em vez de apenas a uma ou a outra em seqüência. Certamente, as empresas devem tentar satisfazer as diferentes necessidades, porém descobrir os anseios específicos do consumidor pode exigir cuidadosa análise. Considera-se por exemplo, o descascador de vegetais mais simples. Os gerentes de marketing da OXO International perceberam que muitas pessoas, principalmente as crianças e os adultos mais velhos, enfrentavam problemas para segurar a manivela do descascador. A OXO providenciou uma manivela maior para atender a essa necessidade. Também revestiu a peça com borracha antiaderente. Ela torna a limpeza mais conveniente e a manivela mais segura quando está molhada. A manivela atraentemente desenhada também torna os consumidores mais satisfeitos na cozinha e causa boa impressão nas visitas. Muito embora a OXO tenha passado a cobrar pelo descascador um preço superior a qualquer outro utensílio da cozinha, o aparelho passou a vender muito bem porque apela para várias necessidades dos consumidores. McCarthy e Perreault (1997.p.118) Neste exemplo, ver-se claramente como o apelo de atender a várias necessidades do consumidor, por mais simples que sejam, pode ter um satisfatório desempenho, mesmo que o valor agregado a determinado produto seja superior o consumidor enxerga mais as vantagens obtidas do que o preço pago por ele. Saber como os consumidores fazem sua escolha é uma busca constante dos pesquisadores. Nos dias de hoje, os consumidores enfrentam grande variedade de produtos, marcas, preços e fornecedores. Os consumidores estimam qual oferta agregará mais valor, e sua satisfação e probabilidade de recompensa depende dessa expectativa de valor ser ou não ser suprida. Os consumidores selecionam várias formas de suprir suas necessidades em função das várias formas de percepção – como os clientes coletam e interpretam as informações que lhes cercam, e isso varia de indivíduo para indivíduo. Nem sempre eles percebem os inúmeros anúncios e estímulos ao qual são expostos todos os dias, porque aplicam a eles processos seletivos como o da exposição seletiva – olhos e mentes procuram e percebem apenas as informações que lhes interessam. A percepção seletiva – selecionam ou modificam idéias, mensagens e informações que conflitam com atitudes e crenças previamente aprendidas. Na retenção seletiva – lembram apenas o que desejam lembrar. Esses processos seletivos ajudam a entender o porquê de determinada propaganda não afeta algumas pessoas. Elas simplesmente a ignoram. Por exemplo, os revendedores dos pneus Michelin anunciam nos jornais quase semanalmente. O consumidor não percebe enquanto não precisar de pneus novos (MCCARTHY & PERREAULT, 1997). As necessidades influenciam o que vai lhes afetar. 2.3 CONSUMIDORES E SEU COMPORTAMENTO DE COMPRA O comportamento de consumo pode ser simplificado como o comportamento que os consumidores mostram quando estão procurando, comprando, usando, avaliando e determinando produtos, serviços e idéias. Las Casas (2010, p.181) mostra um exemplo que descreve muito bem o comportamento de compra de um indivíduo que deseja adquirir um tênis da Nike. O jovem estava em casa assistindo a um programa de TV, quando recebeu o estímulo do comercial de TV sobre o lançamento de um tênis e lembrou-se da necessidade de adquirir o produto. Perguntou ao pai sobre a possibilidade de comprar o tênis e esse por sua vez pediu a autorização da mãe, que autoriza o pai a dar o dinheiro ao filho para que ele compre o produto. Essa família no momento da compra recebeu a influência de diferentes papéis desempenhados. O comercial foi o iniciador do processo, a mãe a influenciadora e a decisora, o comprador foi o pai e o usuário foi o filho. Assim, como no exemplo acima, os consumidores podem desempenhar vários papéis no ato da compra, como o iniciador – quem dá início ao processo de compra, pode ser uma pessoa ou qualquer estímulo interno e externo que desencadeie a compra. Pode ser também o influenciador – quem influencia a decisão de compra, pode ser qualquer fonte que tenha credibilidade e influência na decisão de compra. Existe também o decisor – é quem realmente tem o poder da decisão de compra, mesmo que não seja ele o comprador. O comprador – aquele que realmente faz a compra do produto, mesmo que não seja o influenciador nem o decisor. E por último existe o usuário – pessoa que irá consumir o produto e que não precisa necessariamente participar de nenhuma etapa anterior. Da mesma forma que existem papéis na decisão de compra, há também os passos para a tomada dessa decisão, que tem início com a identificação das necessidades. Muitas vezes essa identificação ocorre quando as expectativas do consumidor não são atendidas pelo produto e eles optam por comprar novamente. As características dos clientes também interferem no processo, bem como a motivação para a compra, estímulos provocados pelas variáveis culturais, sociais, econômicas também despertam necessidades. Logo após a identificação das necessidades ocorre a busca de informações que tem como principal fonte a propaganda. Os comerciais têm um papel muito importante para os consumidores, fator este que tem determinado o grande crescimento da publicidade no Brasil e no mundo. Mas além da propaganda, os consumidores buscam essas informações internamente também, em memórias e experiências passadas com a aquisição de certos produtos, se este o satisfez anteriormente, ele não precisará recorrer as informações externas para decidir, como a propaganda, vendedores, amigos e etc. O próximo passo é a avaliação das alternativas, quando o consumidor passa a comparar as opções para saber qual o melhor negócio na hora da compra. Além das características do produto outros fatores ganham relevância na decisão, como o preço, as formas de pagamento, a marca do produto, a experiência já obtida em compras anteriores, a origem do produto, todos são critérios diferentes que podem determinar a compra de acordo com a situação. A decisão de compra é o próximo passo, mas ainda não garante a efetivação da compra, pois ainda pode ocorrer o adiamento ou demora no fechamento do pedido. Os clientes podem adiar a compra por possibilidade de perder o emprego, de comprar de um amigo a preço mais barato, esperar uma promoção entre outros. O pós-compra, os clientes tendem a entrar num estágio de ansiedade por não terem certeza se fizeram a escolha certa, esse comportamento é chamado de dissonância cognitiva. Assim, quando os consumidores passam por esse estágio, procuram avaliar os benefícios que tiveram na compra, analisando fatores que reforcem sua decisão e evitem comentários negativos. Outros fatores também devem ser considerados como influenciadores da compra como as influências externas que envolvem variáveis ambientais, culturais, sociais, familiares e de classe sociais. As influencias internas na escolha são a personalidade, motivação, percepção, atitudes e aprendizagem. 3 A HISTÓRIA DO ROCK Para descrever a história do rock, deve-se falar dos primórdios da sociedade norte-americana, cheia de jovens insatisfeitos com as disputas entre comunistas e capitalistas, guerra, valorização do consumismo e ascensão da globalização. Assim nasceu o rock, uma mistura de blues e jazz com country dos Estados Unidos, que logo caiu nas graças dos jovens do mundo inteiro que contestavam o cenário cultural, político e educacional. …a vibração negra, sua voz grave e rouca, sua sexualidade transparente e seu som pesado agora alimentado pela guitarra elétrica, tudo isso parecia bem mais atrativo a milhões de jovens, inicialmente americanos mas logo por todo o mundo, que pareciam procurar seu próprio estilo de vida. (TINTIN apud CHACON, 1985. p. 25) Nesse cenário pós-guerra e de revolução em que os jovens ansiavam por liberdade, o rock surge como uma alternativa, um grito de alerta na sociedade, mostrando-a que a juventude estava ali ansiando por mudanças, cansada de rótulos e fórmulas prontas e sedentas pelo novo. Nos anos 50 o rock and roll veio como uma batida diferente, ousada e pegajosa, repassada através da música feita por Elvis Presley considerado pai do rock, precursor do estilo. Logo após vieram bandas e artistas como Jimi Hendrix, Kiss, Rolling Stones, Ramones, Beatles, Nirvana, Gun’s Roses, entre outros que expandiram o rock pelo mundo todo se tornando lendas para os amantes desse ritmo. Assim além da música o rock passou a ditar mudanças no comportamento de jovens da época, roupas de couro, gel nos cabelos, botas e um ar de rebeldia acentuavam a idéia de nova geração e mudava totalmente os rumos de um mercado consumidor tão tradicional, que apenas derivava produtos da época anterior, o repúdio ao consumismo e a cultura tradicional criou um novo mercado onde a moda era não seguir a moda e fazer seu próprio estilo. 3.1 AS DIVISÕES DE ESTILOS Surgindo nesse clima de ideologias, protesto e ânsia pela liberdade, o rock criou suas próprias divisões dentro do gênero, cada uma com suas particularidades e características diferentes, marcadas pelo momento histórico, personalidade e comportamento de seus seguidores. Logo após a explosão Presley, grupos como The Beatles e Rolling Stones ditaram o rock da época. As pessoas começaram a direcionar seu estilo a roupas de couro, botas, um estilo descolado e bastante ousado pra época. Aí já se via que o rock era bem mais que um simples som, ele ditava o comportamento de toda uma geração. Na década de 60 o mundo viu surgir os hippies, que pregavam a paz, o amor e o livre uso das drogas. Com eles surgiu também um novo estilo para se vestir e se comportar, os jovens usavam roupas coloridas e se interessavam pela filosofia indiana, a moda mudou bastante e os produtos consumidos já não eram os mesmos. Foi nessa década também que surgiram o rock progressivo com os marcantes festivais de música, tendo como principal o Woodstock. No final dos anos 60 e início dos anos 70 o rock primitivo retornou em resposta aqueles que não gostavam do psicodelismo, dando passagem para o hardrock que se definia perfeitamente com a modernidade alavancada pelo rock clássico. Desse estilo surgiram verdadeiras lendas como Led Zeppelin, Van Halen e Guns’n’Roses. Mais adiante surgiu o Heavy Metal juntamente com Kiss, Queem, AC/DC, Iron Maiden entre outros. Essas bandas fizeram surgir um estilo bastante marcante, talvez um dos mais característicos do rock, jaquetas, calças de couro apertadas com a predominância da cor preta, botas de salto, munhequeiras, cabelos longos e esvoaçantes fizeram com que os metaleiros fossem reconhecidos onde andassem e fazendo com que se formasse um grupo de consumidores específico, logo só compraria jaquetas e calças de couro, botas e munhequeiras aqueles adeptos ao estilo e que em busca de se diferenciar da sociedade, de aparecer e se destacar dentro dela bem como encontrar uma nova forma de identidade ao se inserir em uma “tribo”, mudaria sua forma de consumo usando o rock como referência. Eis que aparece o Punk Rock, segundo Grande, 2006 p.132: “Representando essencialmente o protesto, o punk rock caracteriza-se por estabelecer letras, som, comportamento e ideologia bastante contestadores.” Bandas como Ramones, Sex Pistols e The Clash extravasaram as vertentes do punk pelo mundo em músicas de aproximadamente 3 minutos com ataques à tradição a à autoridade, comuns na estética punk. Na década de 1970 os punks passam a usar tecidos puídos, rasgados e a subverter o uso de materiais considerados nobres, como os xadrezes que identificavam clãs familiares desde o século III. Entram em cena os jeans rasgados, as camisetas e a estampa xadrez. A mistura do metal com o punk deu origem a inúmeros herdeiros desses clãs musicais. Esses são apenas alguns dos principais estilos que subdividem o rock, mas vale à pena mencionar ainda o grunge, funk rock, pop rock e outras demais adaptações que acompanham o metal. 3.2 O CONSUMO DO ROCK O comércio envolvendo música vem ganhando evidência nos últimos anos seja na compra de instrumentos musicais, ou em produtos relacionados às bandas como: cd´s, dvd´s, camisetas, casacos e acessórios. Visando atingir os objetivos propostos, vai-se abordar agora a forma de influência do estilo rock na vida e no comportamento das pessoas, características que atingem diretamente a forma de consumo desse determinado grupo. Desde o início dos anos 50, nos primórdios de seu surgimento, o rock se mostrou como uma válvula de escape da sociedade para aqueles que estavam à procura da batida perfeita, algo novo, capaz de transformar culturas estabelecidas, modificar todos os conceitos, inventando um novo geito de fazer e ouvir música, se vestir, se comportar. E assim foi. Surgia então uma verdadeira revolução social, jovens com gel no cabelo, jaquetas de couro, estilo rebelde começavam a pensar e a agir diferente, inspirados em seus ídolos recém lançados, fato este que apenas foi se modificando com o tempo, com novos ídolos, novos estilos de rock, pensamentos e momentos históricos. Percebe-se aí a influência que o rock tem sobre seus adeptos, pois tira o indivíduo da grande massa e o insere em um seleto e determinado grupo, com características próprias, desejos e postura social diferentes de todo o restante da sociedade, e finalmente os torna consumidores diferentes. Diferentes porque o mercado do rock, roupas e acessórios tem seu público alvo bem definido, pois em sua grande maioria, só compra artigos de rock quem é adepto ao estilo pois não basta apenas gostar de uma ou outra banda, isso não causa tanta influência. Para se tornar um consumidor desse mercado é preciso aderir, incorporar, tornar a música bem mais que um gosto, mas um estilo de vida. Rock é muito mais do que um tipo de música: ele se tornou uma maneira de ser, uma ótica da realidade, uma forma de comportamento. O rock ´é´ e ´se define´ pelo seu público. Que, por não ser uniforme, por variar individual e coletivamente, exige do rock a mesma polimorfia (…)Mais polimorfo ainda porque seu mercado básico, o jovem, é dominado pelo sentimento da busca que dificulta o alcance ao porto da definição ( e da estagnação…) (TINTI apud CHACON, 1985, p. 18-19) De acordo com a pirâmide das necessidades de Maslow, este tipo de consumo está relacionado às necessidades sociais, satisfação pessoal, status e aceitação, pois envolve mais do que simplesmente possuir determinado produto, mas o que vem junto com ele como a inclusão na “tribo”, reconhecimento da sociedade como um rockeiro, diferenciação dos demais. Para decidir no processo de compra, esses indivíduos sofrem diversas influências externas como o ambiente, as oscilações econômicas que afetam esta como qualquer outra classe de consumidores; a cultura que determina o comportamento de determinado seguimento, como o rock, e assim desenvolver produtos para esse público alvo; influências sociais, como pertencer a um determinado grupo, pois as pessoas têm tendência a comprar produtos semelhantes aos outros do grupo a que participam, entre outros. As influencias internas desses consumidores partem da sua personalidade, que tendem a comprar produtos que enfatizem essa personalidade forte, desafiadora, extravagante; assim como a motivação da compra, desenvolvida pela necessidade de status no grupo, aceitação. 4 METODOLOGIA Saber como os consumidores fazem sua escolha é uma busca constante dos pesquisadores. Nos dias de hoje, os consumidores enfrentam grande variedade de produtos, marcas, preços e fornecedores. Para entender melhor como acontece esse processo, o presente artigo tem como base uma pesquisa bibliográfica utilizando-se do método dedutivo, uma vez que parte-se inicialmente de teorias para que se chegue a conclusões particulares. Como afirma Andrade (2006 pág.121) “A dedução é o caminho das consequências, pois uma cadeia de raciocínio em conexão descendente, isto é, do geral para o particular, leva à conclusão”. Através da pesquisa bibliográfica analisou-se inicialmente a teoria do consumo, passando pelo comportamento do consumidor e suas motivações de compra. Em seguida fez-se um estudo sobre a história do rock, seus momentos e características, para que então se compreenda melhor os consumidores desse estilo, que tem características tão singulares. A pesquisa tem cunho descritivo-exploratório, pois visa o melhor conhecimento acerca do tema, para que se abram novas possibilidades de estudo, e utiliza-se de um estudo de caso, através de um questionário quanti-qualitativo aplicado a uma loja de artigos de rock em Juazeiro do Norte. O questionário foi aplicado ao proprietário da loja, que detém o conhecimento necessário para melhor compreensão do tema proposto, com dados importantes para que se possa entender o perfil dos consumidores do rock, complementando assim todo o referencial teórico aqui descrito com a análise de tais dados. Foi aplicado um questionário com os consumidores da loja para uma melhor percepção do tema proposto. A pesquisa foi realizada no período de fevereiro a março do ano de 2011, na cidade de Juazeiro do Norte, foi entrevistado o proprietário da loja de produtos de rock e 20 clientes da referida loja. 5 ANÁLISE DOS DADOS E RESULTADOS A seguinte pesquisa foi realizada em uma loja de artigos de rock na cidade de Juazeiro do Norte. De cunho exploratório, o estudo de caso foi aplicado através de um questionário com o proprietário da loja e com os clientes, traçando assim um perfil da organização e do mercado da região. 5.1 QUESTIONÁRIO NÃO ESTRUTURADO APLICADO A EMPRESA Para melhor compreensão do tema aqui proposto, optou-se também pela aplicação de um questionário não estruturado com o proprietário da empresa. Perguntado sobre quanto tempo atua no mercado, respondeu que a loja possui cerca de 18 anos de existência e que vem se firmando mais a cada dia no mercado. Segundo ele, a razão de ter optado por um negócio nesse ramo foi unir o gosto pelo estilo musical com o trabalho, profissão. O tipo de produto mais procurado pelos clientes em sua loja são as roupas, tendo como maioria as camisas de bandas e personagens afins. Foi perguntado também sobre o que mais influencia o cliente no momento da decisão de compra, tendo como resposta o atendimento, ele acredita que se o seu cliente sai satisfeito com o tratamento que recebe em sua loja certamente irá voltar posteriormente. Sobre o que leva seus clientes a escolherem produtos de rock, ele respondeu que é o fato de querer reforçar sua identidade, mostrar sua personalidade, o estilo a que aderiu. Segundo proprietário da loja o estilo que tem maior predominância entre seus clientes é o Heavy Metal. Perguntado sobre a avaliação que ele faz sobre o cenário do rock, o mercado na região em que ele atua, foi considerado muito difundido pois apesar de não ser um estilo que domina a grande massa, sua evolução através dos anos é bastante nítida e hoje consolida-se pela quantidade de adeptos da região. 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente artigo, ao longo de seu desenvolvimento, tornou-se bem mais que um trabalho, mas um desafio, pela complexidade do tema e pelas poucas referências encontradas, já que é um assunto pouco abordado em trabalhos acadêmicos. Daí a boa oportunidade de trazer um assunto diferente, inovador e que sirva de base para outras pesquisas, não só tendo o consumo do rock como tema, mas abordando demais assuntos de mesmo cunho desafiador. Assim, foi traçado o perfil dos consumidores que estão na faixa etária de 19 a 26 anos, moram na cidade de Juazeiro do Norte – CE, são em maioria do sexo masculino, e tem como grau de instrução o ensino médio. A problemática do artigo foi solucionada, pois o motivo dos consumidores escolherem produtos de rock para consumir está relacionado à satisfação pessoal, necessidade de auto-afirmação de personalidade, busca por uma identidade própria, já que os consumidores de forma geral compram bem mais que produtos, compram satisfação, buscam sentir-se únicos, especiais ao adquirirem determinado produto, e o rock traz isso de uma forma muito mais forte, já que lida com um mercado consumidor bem mais seletivo, bem mais restrito. Os objetivos foram alcançados, pois o rock influencia muito o consumo, uma vez que existe um seguimento de mercado inteiro dedicado apenas a esses consumidores, assim só compra determinados artigos aqueles adeptos ao estilo, como CDs, camisas de bandas, roupas características, sapatos e etc. Os consumidores fazem suas escolhas de compra através da seleção de preferências e da identificação de referências artísticas como bandas, por exemplo, isso porque necessitam de aceitação do grupo ao qual desejam participar, então se espelham nos demais, aprendem a cultura do grupo e passam assim a pertencer à mesma classe consumidora, como, aliás, acontece em qualquer outro grupo social. O principal diferencial encontrado para as compras desses consumidores está no preço, uma vez que se aplica a lei da demanda e oferta. Como os seus produtos fazem parte de um mercado mais restrito, não são consumidos pela grande massa, adquirem um custo maior que é repassado ao consumidor final, assim a busca por produtos de qualidade que tenham um preço mais acessível está no topo como diferencial na hora da compra, cabe então as empresas o desafio de baixar os custos de seus produtos, mantendo a qualidade, para obter esse diferencial competitivo. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDRADE, Maria Margarida. Introdução à Metodologia do Trabalho Científico. 5 ed. São Paulo:Atlas, 2001. GRANDE, Sergio Vinícius de Lima. O impacto do rock no comportamento do jovem. 2006. Disponível em: http://www.bdae.org.br/dspace/bitstream/123456789/1969/1/tese.pdf. Acesso em 20 de abril de 2011. KOTLER, Philip. Administração de marketing: análise, planejamento, implementação e controle.5.ed. São Paulo: Atlas, 1998. LAKATOS, Eva Maria, MARCONI, Marina Andrade. Fundamentos da Metodologia Científica. 7 ed. São Paulo: Atlas, 2010. 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