Várias são as razões para se buscar compreender os fatores que interferem na expressão da criatividade no ambiente de trabalho. Compreender a criatividade é essencial a fim de que possamos descobrir e saber como, quando e onde podemos fazer uso dela. “Imaginação é o inicio da criação. Nós imaginamos o que desejamos; nós seremos o que imaginamos; e, no final, nós criamos o que nós seremos”. George Bernard Shaw A criatividade compreende a habilidade de produzir coisas e conhecimentos novos, diferenciando-se da inteligência que pode ser definida como a habilidade de raciocinar e aprender e tem papel de suma importância nos dias atuais, principalmente no ambiente corporativo. Em tempos de competitividade, quando as soluções precisam ser encontradas de forma cada vez mais intensa, as empresas começam a valorizar o potencial criativo de seus colaboradores. Embora ainda exista resistência, os programas oferecidos para o desenvolvimento da criatividade, sejam em equipes ou individualmente, já começa a fazer parte do dia-a-dia das organizações. A criatividade é um fenômeno complexo que requer a atenção de todos os que se dedicam à gestão de pessoas, pois essas necessitam encontrar espaços propícios para a expressão de suas idéias e valores. As pessoas necessitam de condições para criar no ambiente de trabalho, o que se daria de uma forma complexa. Não se pode, porém, generalizar e concluir que todas elas, sob as mesmas condições de trabalho, apresentem ações criativas. Desenvolver a criatividade passou a ser um desafio para a gestão de pessoas nas organizações, pois não existe receita pronta. O esforço requer adoção de políticas organizacionais que valorizem as pessoas, preparando gestores e condições de ambiente favorável a esse desenvolvimento. Segundo Araújo (2003), criatividade é “uma função psicológica. Tem apenas que ser reativada, reanimada, treinada”. Todos nós somos criativos, sem exceção. O que vai diferenciar uma pessoa da outra é a forma como conviverá com este “software” dentro dela. Num mercado fortemente competitivo, ser criativo não é apenas uma habilidade desejável, mas requisito fundamental para conquistar o sucesso. Hoje, a criatividade é, cada vez mais, sinônimo de empregabilidade. Para Maslow (2003), “O homem criativo não é um homem comum ao qual se acrescentou algo. Criativo é o homem comum do qual nada se tirou”. Ele chama a atenção para a influência poderosa das forças adversas presentes na nossa cultura e a criação que nos impedem de desenvolver e realizar o nosso potencial de criação. No mundo dos negócios, associa-se inovação à área de pesquisa e desenvolvimento, não se percebendo que essa pode se dar em qualquer área da organização. O ideal é que a inovação seja incorporada de maneira sistêmica e de continuação aos processos e a cultura da empresa. Empresas bem sucedidas sabem da importância de proporcionar e manter a criatividade no ambiente de trabalho, porém a maneira de cultivar isso não é somente olhando à frente, mas também ao redor. A inovação muitas vezes não vem de competidores mais fortes e mais ricos, mas de iniciativas ousadas, com pequenos passos que acabam provocando grandes mudanças, ou seja, a organização não deve procurar valorizar só o que gira em torno da empresa. Segundo Teixeira (2002), uma das características universais das empresas inovadoras é a cultura aberta, que procura proporcionar um ambiente desafiador decorrente de idéias brilhantes de pessoas que atuam num ambiente estimulante. Marcelo Petrelli, em artigo para o Sebrae (2006), comenta que para se ter colaboradores mais criativos dentro da empresa, é preciso estimulá-los a pensar de forma criativa. O autor cita, abaixo, algumas das atitudes que estimulariam as pessoas a se “arriscar” e expor suas idéias com mais naturalidade: Reconhecimento público; Liberdade de expressão; Flexibilidade nos horários de trabalho – com atenção voltada a resultados; Apoio às iniciativas de expor idéias, mesmo que não sejam aproveitadas; Recompensas financeiras. A criatividade é uma forma de contestar o modelo que existe, ou seja, é apresentar algo novo, independente das críticas que poderão existir pela ousadia. Para ser criativo é fundamental que se acredite no que se está propondo e ter, acima de tudo, confiança. Enfim, devemos ser criativos até na hora de mostrarmos o que criamos. Deste processo criativo resultarão novos conhecimentos que passarão a fazer parte dos bens intangíveis da empresa e que necessitarão ser gerenciados adequadamente. Portanto, concluo que não existe uma receita milagrosa para gerar idéias criativas no trabalho, existe, sim, a necessidade de se pensar ações que apóiem e estimulem a criatividade dos colaboradores e grupos, respeitando a individualidade cultural de cada organização. Profissionais acomodados e vencidos pela rotina pagarão um preço muito alto por esta estagnação. A criatividade pode fazer a diferença entre o sucesso e o fracasso. É ela que irá selecionar e destacar pessoas. Referências Bibliográficas Araújo, Geraldo. F. – A criatividade corporativa na era dos resultados. São Paulo: ISBN, 2003. Maslow, Abraham H.- Diário de Negócios de Maslow. São Paulo: Qualimark, 2003. Petrelli, Marcelo.- Criatividade Organizacional – Acesso em: 25/11/2006. Revista Espaço Acadêmico. Acesso em: 25/11/2006. Teixeira, Elison A. – Criatividade, Ousadia e Competência. São Paulo: Negócio Editora, 2002. Grace Camassola Wyse, Graduada em Administração, com ênfase em Talentos Humanos pelo Centro Universitário Ritter dos Reis – Porto Alegre/RS.