CRISE: QUAIS OS EFEITOS E DESDOBRAMENTOS NA CIDADE DE CAÇADOR-SC. Thiago Augusto Duarte1 Ana Luisa P. Marini2 Resumo Este artigo trata de um trabalho de pesquisa sobre a crise e seus efeitos e desdobramentos na cidade de Caçador-SC. Em especifico tenta elucidar a comunidade acadêmica e a comunidade em geral, propiciando uma visão mais clara da crise, das oportunidades que a mesma traz consigo, dos riscos e dos caminhos que surgem ao adentrar-mos nela. Esses questionários foram aplicados de forma simples de perguntas com respostas fechadas e objetivas, nos dando a real situação na qual se encontra as empresas de vários setores . Palavras-chaves: crise, administração, renda. Abstract This article is a research paper on the crisis and its effects and consequences in the town of Caçador, SC. In attempts to elucidate the specific academic community and the wider community, providing a clearer view of the crisis, the opportunities that it brings with it risks and paths that arise when we enter it. These questionnaires were applied in a simple closed questions with answers and objective, giving us the real situation in which it is companies from various sectors. Keywords: crisis management, income 1. Acadêmico do curso de Administração, cursando 5ª fase, integrante da equipe de projetos da Empresa Junior da Universidade do Contestado. 2. Professora orientadora do projeto. Professora do curso de administração da Universidade do Contestado Introdução A economia mundial no segundo semestre de 2008 sofreu um severo e dilatado golpe, uma verdadeira tsunami financeira global, caracterizada pelos graves problemas de liquidez e insolvência. A crise surgiu com a inadimplência ocorrida no sistema imobiliário norte-americano, sentida ainda em meados de 2007, agravando-se com a incompreensível demora das autoridades financeiras implementarem políticas visando seu impostergável controle e monitoramento (BENI, 2009). A crise teve início com muita força nas economias avançadas, porém, as economias emergentes também começaram a sofrer com a desaceleração do crescimento econômico (BENI, 2009). Como principais fatores que contribuíram para o cenário de instabilidade, devemos apontar para o longo período de taxas de juros baixos nos Estados Unidos; aumento substancial do crédito e inflação dos preços dos ativos; especialmente dos imóveis; imprudência na concessão de crédito; falta de transparência nos balanços dos bancos, entre outros (BENI, 2009). A explosão da bolha imobiliária americana caracteriza-se, por exemplo, pela forte queda nos preços das unidades residenciais e pelo significativo crescimento da inadimplência (BENI, 2009). A intensificação da crise fez com que se materializasse uma situação de pânico no mercado, caracterizado, pelo comportamento das bolsas de valores e o mercado de câmbio (BENI, 2009). Grandes turbulências econômicas abalaram o mundo e mudaram as suas relações. Dentre elas vamos citar as cinco principais contando com a que estamos vivenciando, pois atualmente a Economia Mundial vive a sua maior crise desde 1929. O portal da Rede Globo “g1.globo/notícias/economia_negócios” na internet, destacou as maiores crises do mundo em ordem cronológica que são: Crise de 1873 – A Primeira grande crise capitalista, também chamada de “Longa Depressão”, durou 23 anos. Uma das principais causas da crise veio da indústria ferroviária, que vinha crescendo em ritmo acelerado. Com a consolidação da rede de ferrovias nos países industrializados, o setor “quebrou”, derrubando preços e lucros. A Inglaterra foi o país mais afetado pela crise. As exportações caíram 23% disparando o número de falências. Nos Estados Unidos, a instituição bancária Jay Cooke quebrou, levando a Bolsa de Valores de Nova York a fechar por dez dias. O Desemprego pulou para 14% e, das 364 ferrovias do país, 89 foram à falência. França, Alemanha e Itália também foram afetados. Como resultado da crise deu-se o início de um capitalismo monopolista, com a tentativa de controle da concorrência, formando monopólios e cartéis. Crise de 1929 – Também chamada de “Grande Depressão”, foi a maior de todas da história recente. Uma das explicações mais comuns aponta a forte especulação em um mercado sem regulamentação como uma das principais causas. O dia 24 de outubro de 1929 ( ‘a quinta-feira negra’ ), data da quebra da Bolsa de Nova York, é apontado o início da crise, embora a economia dos EUA já viesse dando sinais de desaceleração. Em outubro daquele ano, a Bolsa NY caiu cerca de 40%. Empresas ficaram arruinadas e cerca de um terço da população americana ficou desempregada nos anos seguintes. A crise migrou para Alemanha, que na época estava se reconstruindo com o dinheiro dos EUA, saindo da Primeira Guerra. A França, que por sua vez, recebia reparação de guerra da Alemanha, também sentiu o baque. A grande queda do consumo nos EUA teve reflexo em todo o mundo, inclusive no Brasil, particularmente nas exportações cafeeiras. Os EUA buscaram a saída da crise no ‘New Deal’, aumentando os gastos públicos para contê-la. No Brasil, os efeitos foram contidos pela compra, por parte do governo, da produção de café, impedindo um aprofundamento da baixa dos preços. Como resultado surge um estado mais intervencionista, ou seja, com maior presença na economia. Choque do Petróleo – Ocorreu em dois momentos diferentes – 1973 e 1979 – os preços do petróleo dispararam, atingindo quase todas as economias mundiais. O primeiro choque se deu quando países produtores suspenderam exportações aos aliados de Israel na guerra do Yom Kippur – Estados Unidos, Europa e Japão. Só em um ano, o preço do barril quadruplicou para US$ 12. Em 1979, a revolução islâmica liderada pelo aiatola Khomeini tira o xá Reza Pahlevi do governo do Irã. Os protestos desorganizaram toda a produção petrolífera do país, elevando o preço do barril em 250% nos EUA. Altamente dependentes do petróleo importado, EUA e Europa viram a inflação disparar e a economia entrar em recessão por conta dos altos custos de produção. Os bancos centrais cortaram taxas e juros para conter a inflação, agravando a crise. Então, os países se preocuparam em buscar fontes alternativas de energia – o que no Brasil resultou a criação do Proálcool. No Japão, a economia se voltou para as indústrias menos dependentes do petróleo, incentivando o setor elétrico. Estouro da Bolha da Internet – Crescendo rapidamente desde 1995, as empresas de internet viram o fim abrupto dessa trajetória em março de 2000. O crescimento do setor e as especulações levaram as ações empresas “pontocom” a altas espetaculares e muitas atingiram um valor de mercado muito superior ao real. Segundo economistas, balanços maquiados e gastos para prevenir o “bug do milênio” também ajudaram a impulsionar o estouro da bolha. Em cinco dias, a Nasdaq, Bolsa de Tecnologia dos EUA, caiu 10%. Com pesadas dívidas contraídas para sua expansão, várias empresas quebraram, entre elas a WorldCom, na maior falência da história dos EUA até então. Antes do fim do ano 2000, as empresas do setor já haviam perdido mais de US$ 1,7 trilhão em valor de mercado, com quedas de mais de 90% no valor das ações. No ano seguinte, os atentados de 11 de setembro espalharam desconfiança nos mercados, ressaltando os efeitos da crise. O estouro da bolha forçou a revisão de regulamentações do mercado e a reorganização das empresas. Crise Imobiliária – Também chamada de crise de crédito, é a crise atual pela qual passam os mercados mundiais – a maior desde 1929. No início da década, com o crédito em abundância, milhares de americanos contraíram empréstimos para comprar seus imóveis, ou hipotecaram o que já possuíam. Em 2006, os preços dos imóveis desabaram – e muitos dos mutuários deram calote nos empréstimos contraídos. Bancos que compraram esses créditos sofreram fortes prejuízos, o que se refletiu no mercado mundial. A falta de confiança dos bancos “enxugou” o dinheiro do mercado, criando problemas de liquidez. Muitos bancos quebraram, culminando com o pedido de concordata do Lehman Brothers, um dos maiores dos Estados Unidos. Houve uma desaceleração no crescimento dos países desenvolvidos, gerando temores de recessão. O FMI calcula as perdas da crise em mais de US$ 1 trilhão. No Brasil, listadas na Bovespa sofreram fortes perdas. Tentando evitar o aprofundamento da crise, os bancos centrais de vários países injetaram recursos no mercado. Entidades reguladoras coordenam essas operações de “salvamento”, auxiliando empresas mais saudáveis a adquirir outras em piores condições. Os EUA estudam novas regulamentações para o mercado de crédito imobiliário. Materiais e métodos Foi elaborado questionário para pesquisa de campo tendo como público alvo vinte e três empresas da cidade de Caçador-SC, escolhidas aleatoriamente, desde as microempresas até as grandes empresas. Este questionário continha questões fechadas sobre as medidas adotadas para contenção da crise. Os dados coletados foram tratados em Excel para melhor visualizar as respostas obtidas. Resultados e Discussão Grandes turbulências econômicas abalaram o mundo e mudaram as suas relações. Dentre elas vamos citar as cinco principais contando com a que estamos vivenciando, pois atualmente a Economia Mundial vive a sua maior crise desde 1929. Viemos acompanhando periodicamente os reflexos da crise financeira global sobre as empresas caçadorenses. O último levantamento foi realizado de fevereiro a dezembro de 2009. Os principais resultados obtidos através de 10 respostas estão a seguir. Onde procuramos saber as dimensões das empresas envolvidas na pesquisa, com relação à estrutura física, a quantidade de colaboradores, o ramo de atividade, se faz controle de gastos de seus executivos, se já enfrentou alguma das cinco maiores crises que ocorreram no mundo e se essa crise (imobiliária de 2008) afetou o mercado na qual sua empresa está inserida e seu impacto. Realizamos essa pesquisa em vinte e três empresas de tamanhos e ramos diversos. E percebemos que a maioria delas, 61% possui até trinta colaboradores, 35% possui acima de cento e um colaboradores e que a minoria, 4% de setenta e um a cem colaboradores. Dessas vinte e três empresas apenas 48% possui controle de gastos e investimentos de seus executivos e que 52% possui parcialmente esse mesmo controle, ou seja, a diferença do empresário que planeja melhor seus gastos e investimento para aquele que planeja pouco é muito pequena, mas ainda é necessário que haja uma maior conscientização dos mesmos para que estejam preparados para enfrentar futuras crises. Entre os pesquisados 65,21% eram de ramos diversos (comércio, farmácia e etc.), 17,39% prestadoras de serviços (informática, turismo e etc.), 8,70% papel e celulose (indústria), 4,35% do ramo madeireiro ( indústria) e também 4,35% do setor de embalagens plásticas. Grande parte dessas empresas não foram afetadas por alguma crise, ou, pela atual. Ou seja, 43,48% diz que ao longo de sua história não foi afetada por crises. Porém, 39,13% confessam terem sido afetadas por mais de uma crise e 17,39% sofreram com a crise de 1995 (bolha da internet). E ainda, 95,65% alegam terem o mercado no qual sua organização está inserida, afetado por essa atual crise, contra 4,35% que nem sequer o mercado em que atuam se abalou. Segundo o levantamento, os reflexos da crise se intensificaram do início do ano para cá. Atualmente, 97% das indústrias sentem impactos da crise em seus negócios, contra 88% no mês de fevereiro. Os principais problemas apontados pelas indústrias caçadorenses em decorrência da crise são: retração do mercado externo e interno, aumento da inadimplência, altos custos de produção (insumos, matérias primas), dificuldade em reajustar preços, falta e custo elevado do crédito para capital de giro e para investimentos, redução de vendas, dificuldade para pagar impostos, queda nas margens de lucro, concorrência acirrada, taxa de câmbio desfavorável e direcionamento da demanda para alguns setores beneficiados com a redução de IPI em prejuízo dos demais. A burocracia, o alto custo do dinheiro, as garantias e documentações exigidas, os elevados juros e spreads bancários foram algumas das dificuldades citadas pelos empresários para a captação de recursos no sistema financeiro. O prejuízo obtido no período anterior e baixo faturamento prejudicam a aprovação do crédito. No entanto, dos vinte e três pesquisados, 47,83% acham que as pessoas envolvidas diretas ou indiretas ao seu negócio, possuem a real visão sobre a atual crise. Mas, ainda é expressivo o número de pessoas que tem uma visão parcial da crise. As expectativas para as vendas melhorarem são grande e a proporção de empresas que apostam em uma alta de vendas nos próximos meses não é relativamente grande quanto a expectativa. De acordo com os industriais consultados, as medidas adotadas pelo governo diante da crise têm surtido efeitos positivos na economia. A percepção dos benefícios está melhor atualmente do que em fevereiro, mesmo que esses efeitos sejam moderados. De acordo com o levantamento da pesquisa, várias indústrias continuarão realizando ajustes nos próximos meses para contornar os efeitos da crise. Algumas sinalizam férias coletivas, outras, demissões, redução de jornada e redução de produção. Para a maioria dos empresários os negócios irão melhorar apenas em 2010. Entretanto, na visão dos executivos pesquisados, o setor em nossa região mais atingido pela crise foi o madeireiro com 73,90% de voto, seguido pelos setores de prestação de serviços e outros com 8,70% dos votos. Logo abaixo com os setores de metalurgia e papel e celulose com 4,35%. Conclusão Podemos concluir com esta pesquisa que há muito ainda a ser feito e planejado pelos empresários da região para que possam passar por essa e por futuras crises. E que os efeitos maiores surtiram nas madeireiras exportadoras, prestadoras de serviços ligadas às mesmas e também nos setores de exportação devido ao câmbio. Vimos que inevitavelmente houve uma reação em cadeia, ou seja, aumento da inadimplência, redução do quadro de funcionários, troca de fornecedores buscando um preço menor da matéria-prima e por fim a redução da lucratividade. Muitas empresas aproveitaram a crise para se reestruturar demitindo ou realocando o colaborador em outra função, ou, até mesmo investindo em outro mercado. Referências Bibliográficas CARDOSO, Fernando Henrique. A crise dos mercados globais. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?gl=US&v=bYLOLP0ANEg>. Acesso em 02/03/2009. Portal Globo. Conheça as maiores crises financeiras da história. São Paulo. Disponível em:<http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL787428-9356,00-CONHECA+AS+MAIORES+CRISES+FINANCEIRAS+DA+HISTORIA. html>. Acesso em 24/02/2009. Portal Globo. Entenda a crise dos mercados financeiros. São Paulo. Disponível em: <http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL787398-9356,00-ENTENDA+A+CRISE+DOS+MERCADOS+FINANCEIROS.html>. Acesso em 24/02/2009.