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“Corrupção interna e conflitos de interesses”, um dos casos mais comuns.

Observações e tendências nas fraudes e outros desvios éticos que ocorrem nas empresas.

Elaborando dados de 2016 relativos às denúncias recebidas pelo sistema Disque Fraude (www.disquefraude.com.br) se confirmaram algumas tendências já conhecidas no que diz respeito às fraudes e desvios éticos nas empresas.

Uma delas é que a categoria de desvios éticos que mais recebeu denúncias é a que reúne Corrupção Interna e Conflitos de Interesses. Esta definição abrange diversos tipos de fraudes e ilícitos, desde o recebimento de propinas, ou outros benefícios, por parte de funcionários e colaboradores em troca de vantagens indevidas em favor de alguém, até a realização de atos que favoreçam interesses (econômicos ou de outro tipo) do fraudador causando algum tipo de prejuízo a empresa. Casos clássicos desta última tipologia são a adulteração de resultados (financeiros, comerciais, operacionais etc.) para obtenção de algum bônus, e o favorecimento, em algum negócio, de parentes ou pessoas próximas.

Este é um tipo de ocorrência já bem conhecida nas corporações. Diversos dos grandes casos de fraude dos últimos anos entram nesta categoria.

Também já são conhecidas as melhores práticas e medidas preventivas para se combater este tipo de desvios éticos. Ocorre, porém, que muitas empresas, sobretudo de médio porte, mas também algumas das de grande porte, ainda não aplicam tais medidas.

 É interessante lembrar que de acordo com diversas pesquisas (ACFE, KPMG etc.) o custo da implementação de medidas preventivas efetivas é sempre diversas “vezes” menor do custo das fraudes que irão ocorrer na ausência de tais medidas, podendo até chegar a proporções na ordem de 1/100, ou seja, um excelente investimento !

Então, porque as empresas continuam a ignorar estes fatos e a sofrer fraudes conhecidas e antiga, para a quais existem medidas mitigadora igualmente conhecidas ??

Acredito que, em alguns casos, isso seja devido a uma falta de conhecimento e ausência de governança apropriada, em outros, infelizmente, se trata de relutância em implementar medidas que, devido a falta de conhecimento das diretorias, são vistas como um “gasto” sem retorno e dificilmente justificável.

A luta dos responsáveis pelas áreas de fraudes (controladoria, auditoria, compliance etc.), para demonstrar o ROI dos investimentos que solicitam, é clássica e, infelizmente, muito difícil.

Quem sabe um pouco mais de crise, balanços ruins e necessidade de cortar perdas não possam ter êxito onde muitas pesquisas, evidências e demonstrações não conseguiram até hoje ?

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