RESUMO: As empresas familiares buscam cada vez mais planejar e organizar as tomadas de decisões, com a finalidade de passar pelo momento sucessório com maior eficiência. Mediante a análise dessas informações, o presente estudo tem como objetivo verificar as estratégias adotadas por gestores de empresas familiares na preparação de seus sucessores. Como metodologia, a pesquisa adota uma abordagem qualitativa, de cunho bibliográfico. Foi realizado uma entrevista como instrumento de pesquisa para a coleta de dados com cinco gestores responsáveis por empresas familiares de segmentos diferentes na cidade de Groaíras, Ceará. Os resultados da pesquisa foram concluídos a partir de trechos dos relatos obtidos por meio das entrevistas e divididos em quatro categorias: Categoria I – vantagens e desvantagens; Categoria II – Cultura familiar; Categoria III – Desafios e dificuldades; e Categoria IIII – preparação de seus sucessores. Através dos resultados, percebeuse que os gestores utilizam diversas estratégias para preparar seus sucessores. Palavras-chave: Empresa familiar. Sucessão. Estratégia. 1 INTRODUÇÃO O Brasil apresenta uma variedade de empreendimentos familiares, dos quais representam cerca de 90%, de porte pequeno ou grande, gerenciados por membros da mesma família (SOUZA, 2017). Portanto a sucessão em empresas familiares não é um acontecimento raro, ocorrendo, em média, a cada trinta ou trinta e cinco anos (SCHLEPPHORST & MOOG, 2014). A grande preocupação no que diz respeito a sucessão mostra que uma grande porcentagem de empresas familiares bemsucedidas: Apenas 30% conseguem alcançar a primeira sucessão. Com esses dados, é possível concluir a importância da preparação de quem irá ocupar a gerência. As empresas familiares têm grande valor no atual contexto, pois grande parte do mercado global é formada por empresas familiares. Segundo Bernhoret (2011) as empresas familiares são de grande importância na economia, sociedade e na política mundial e representam a maioria em todos os países. Isto é, são organizações que possuem seu começo e sua história ligados a uma família e que sustenta os componentes da família na gerência. Apesar de ser considerado o tipo de empresa que mais predomina no mercado brasileiro, as empresas familiares possuem peculiaridades que podem induzi-la a crescer e se tornar uma grande organização. Entretanto, também estão sujeitas a problemas e ameaças próprias que afetam não só a sobrevivência da organização em si, mas também refletem no âmbito familiar, implicando em muitas das vezes a falência da organização. É necessário manter um clima favorável e muito bem elaborado para falar sobre os conflitos existentes que possam surgir durante o processo (FERRARI, 2014). É inegável que esses conflitos existentes nas empresas familiares têm relação com uma problemática própria desse tipo de instituição. Essas problemáticas envolvem questões como características, gestão e sucessão. O processo sucessório é um dos principais conflitos a se trabalhar, ao mesmo tempo que é um grande desafio, pois a continuidade da empresa depende desse processo. O sucesso ou fracasso da sucessão está no entendimento dos membros de que habitam dois ambientes distintos: Empresa e família, que se confunde, se entrelaçam e, através dessa percepção tornam o processo sucessório uma etapa de suma importância para sua evolução entre os mundos Corporativos, Societário e Familiar. Leone (2010) aponta que sucessão familiar, bem como a transferência das responsabilidades e das obrigações de uma empresa para os futuros herdeiros, costuma encontrar uma certa resistência por parte dos fundadores com receio de transferir a responsabilidade para o sucessor. Várias dificuldades são encontradas durante a transição, por isso a importância de ter uma boa preparação para chefiar a sucessão. Diante desse contexto, a presente pesquisa busca responder o seguinte questionamento: Quais estratégias adotadas por empresas familiares para a preparação de seus futuros sucessores? Com essa abordagem, este estudo pretende identificar quais as estratégias adotadas pelos fundadores de empresas familiar no processo de sucessão. Esse estudo está composto pelo referencial teórico, relatando a situação das empresas familiares e os conflitos durante a gestão. Logo em seguida, é discutido sobre conflitos nas empresas familiares, e em sequência é apresentado a metodologia do trabalho. Por fim, são apresentados a análise dos resultados e as considerações finais. 2 EMPRESAS FAMILIARES Um dos modelos mais antigos de formação de sociedades é a empresa familiar. Elas são originadas, usualmente, sob a forma de pequena empresa, representando importantes agentes econômicos e sociais com geração de postos de trabalho e maior distribuição de renda e, consequente, aumento do mercado consumidor. Alguns autores identificam esses tipos de empresas sendo aquelas que têm sua origem e história vinculada a uma família ou aquela que mantém parentes na administração da organização. Ricca (2007) cita que as empresas familiares são formadas por quatro pilares primordiais como a 'palavra/credibilidade, perseverança, carisma/liderança e cultura'. Pilares esses que devem se perpetuar de geração para geração. Sob esse enfoque, o simples envolvimento de familiares na constituição e nos primeiros anos de vida da empresa não pode caracterizá-la como familiar, pois não houve a perpetuação da família nos negócios. Apesar de conceitos aparentemente diferentes, sabe-se que em todos os casos há o envolvimento da família nos negócios da empresa, mas definir a empresa familiar como sendo aquela que possui membros da família em sua administração parece muito superficial. Entretanto existem outros autores que possuem diferentes concepções para essas organizações. Adachi (2006) comenta que empresa familiar é aquela que possui o envolvimento de dois ou mais membros da família na gestão. A ideia é que seja constituído um negócio que será marcada pelo controle dos sócios que pertencem a uma ou mais famílias. O processo sucessório é definido por Macedo (2008) como a transferência de poder do administrador geral para o líder da mesma família através das gerações. Dessa forma, a hereditariedade passa a ser um critério de classificação para essas empresas e o processo de sucessão bem mais complexo do que o esperado. Nesse sentido existem alguns fatores que necessitam ser analisados para ocorrer o treinamento do sucessor com a finalidade de identificar se o sucessor está preparado para assumir um cargo de extrema importância. Deve se avaliar em todos os sentidos, principalmente as suas tomadas de decisão e o seu comportamento. além de estar bem preparado, o sucessor deve respeitar sempre as crenças e valores da organização. Com isso, é necessário também levar em consideração o aspecto comportamental vivenciado na empresa no momento em que um profissional assuma a responsabilidade de auxiliar o seu fundador durante o processo de sucessão. Segundo Lourenzo (2006), esses aspectos tornam a empresa do tipo familiar muito mais do que o grau de parentesco envolvido numa relação entre indivíduo e empresa. Além de estar consolidada entre as gerações, a instituição deverá estar intimamente ligada com os interesses da família. Na maioria dos casos, a evidência conceitual recai sobre três aspectos: A propriedade, a gestão e a sucessão. Leone (2010), define empresa familiar como três grandes vertentes: a primeira está em nível autoritário, quando a autoridade da empresa encontra- se no poder de integrante da família, que controla a maior parte do capital; A segunda está no nível da gestão, onde os lugares de cargos importantes da organização estão ocupados pelos membros da família; A terceira vertente encontra-se no nível da sucessão, sabendo-se que a segunda geração familiar assume os cargos deixados vagos pelos parentes e, assim, sucessivamente. 2 CONFLITOS NA GESTÃO DE EMPRESAS FAMILIARES Os conflitos em empresas familiares podem ocorrer de diversas formas, tornando um clima desagradável e destrutivo nas relações empresariais. Há diversos conflitos por se tratar de famílias, e quanto mais rápido for identificado, mais fácil será de elaborar uma estratégia para solucionar. Em um primeiro momento parece claro que a empresa surgiu para gerar benefícios para a família, mas como toda organização possui suas vantagens e desvantagens. Logo abaixo, SEBRAE (2016) apresenta as principais vantagens e desvantagens da Micro e Pequenas Empresas. Quadro 1: Diferenças entre Micro e Pequenas Empresas Vantagens Desvantagens Administração única e centralizada Dificuldade em separar o emocional/intuitivo e racional Tomadas de atitudes rápidas Decisões autoritárias Organização dedicada e leal Forte resistência a mudança. Grupo interessado e unido Muita exigência dos familiares Forte valorização, confiança mútua. Expectativa de alta fidelidade Responsabilidade ao bem-estar dos funcionários. Atitudes de paternalismo Fonte: SEBRAE (2016) Nascimento e Teixeira (2014) cita que as empresas familiares possuem suas vantagens e desvantagens significativas e que devem ser avaliadas com a finalidade de conhecer os pontos negativos para se resguardar e melhorar ao máximo os pontos positivos. Por mais harmonioso que seja o grupo familiar, sempre irá existir divergências, necessidades e concessões a fazer. Diversas ações praticadas pelos membros da família podem ser consideradas como desencadeadoras de conflitos. Um exemplo bastante comum é quando os familiares ocupam cargos de gestão tomando decisões de forma autoritária. O desejo e a opinião pessoal tornam-se lei, em uma reprodução do que acontece no ambiente doméstico. Os estrategistas devem ficam sempre atentos as mudanças de mercado, agindo e raciocinar de forma diferente, criando algo rápido para obtenção de estratégias como as vantagens competitivas. Saraiva e Dantas (2014) ressaltam que o empreendedor por necessidade não tem visão para o futuro e para as mudanças, alavancando assim o aumento do índice da mortalidade das empresas familiares. Conforme Balcão (2011), a profissionalização em empresas familiares são dois momentos delicados sob variados aspectos. A ruptura com os ideais e os valores familiares ou a luta pelo poder entre os herdeiros pode desencadear trajetórias conturbadas, tanto do ponto de vista econômico-financeiro como do aspecto comportamental. Os problemas da empresa atravessam as paredes da casa e viceversa, e a intimidade pode atrapalhar o comportamento empresarial. Algumas empresas familiares quando estão em busca pelo seu futuro sucessor enfrentam o seu maior desafio. Uma organização que não possui o sucessor em vista se torna ainda mais difícil de se manter competitiva no mercado, pois para a garantia da empresa o sucessor deve entender como funciona a cultura da empresa, os valores, a visão e ter estratégias para se diferenciar no mercado. Pode-se notar que a gestão está vinculada às pessoas e a sua forma de comunicação. Quando a gestão de uma empresa é bem gerida, a organização fica próxima aos seus colaboradores e os mesmos se unem para atingir as metas estabelecidas. Petry e Nascimento (2009) descrevem o processo de gestão como um método ou uma forma de se realizarem harmonicamente com ações conjuntas para se atingir um fim organizacional desejado. 4 METODOLOGIA A metodologia aplicada neste estudo envolve uma abordagem qualitativa. Quanto ao procedimento técnico, é do tipo bibliográfico. O objetivo do estudo é identificar as estratégias adotadas por gestores de empresas familiares na preparação de seus sucessores. Godoi e Balsini (2010) destaca que a pesquisa qualitativa engloba diversas perspectivas, buscando compreender os indivíduos e os motivos que levaram a agir de determinada forma. A amostra foi realizada em cinco empresas familiares na cidade de Groairas/CE. Foram entrevistados cinco gestores responsáveis pelas empresas familiares nos quais os sucessores são filhos dos gestores. Os ramos das empresas pesquisadas foram classificados da seguinte forma: (A) Gênero Alimentícios; (B) Material de Construção; (C) Vestuário; (D) farmacêutico; (E) Restaurante e Lazer. O instrumento adotado para a coleta de dados foi uma entrevista semiestruturada baseada no modelo utilizado no estudo adaptado de Moreira et al. (2013). Esse estudo trata sobre as dificuldades durante o processo sucessório envolvendo o segmento de transporte. A entrevista foi composta por oito perguntas abertas, questionando os pontos fortes e as vantagens da empresa, bem como os pontos fracos e as desvantagens, além de uma abordagem sobre a influência da cultura familiar na administração da empresa e os desafios encontrados. As entrevistas foram feitas de forma individual, durando cerca de quarenta minutos. De acordo com Gerhardt e Silveira (2009) a entrevista é uma forma de diálogo assimétrico que busca obter dados e os apresentar como fonte de informação. A categorização de dados será feita através de quadros, baseado no método de Bardin (2011) que busca analisar os dados obtidos nas entrevistas e classificá-los em temas ou categorias que auxiliam na compreensão do que está por trás dos discursos. Esse método de análise está exposto na figura 1. Figura 1: Técnica de pesquisa baseada em Bardin (2011) Fonte: Silva e Fossá (2013) Segundo Silva e Fossá (2013), a categorização trata-se de um processo que promove a saída de elementos representativos de um documento, de modo que sua essência possa ser utilizada na identificação de similaridades e na geração de categorias. Na seção seguinte, serão apresentados os resultados da pesquisa. 5 RESULTADO E ANÁLISE DOS DADOS Os resultados coletados na entrevista com gestores serão apresentados em forma de categorias, onde será apresentado a fala de cada gestor que foi obtida na entrevista. Em seguida, os autores que embasaram sua teoria. Nesse contexto temos as seguintes categorias: Categoria I: trata-se das vantagens e desvantagens da empresa com objetivo de coletar benefícios e malefícios de ter parentes na administração de empresa familiar. Quadro 1: Categoria I – vantagens e desvantagens GESTORES VANTAGENS DESVANTAGENS GESTOR 1 Respostas e uma tomada de decisão rápida Ter uma administração autoritária GESTOR 2 Equipe leal e dedicada Conflitos familiares GESTOR 3 Participação do filho em gerenciar o negócio da família. Excesso de intimidade GESTOR 4 Confiança entre os colaboradores Gerar grandes expectativas GESTOR 5 A grande flexibilidade na gestão Difícil decisão em contratação e demissões Fonte: Pesquisa direta (2019) A categoria I, para os cinco gestores, as vantagens são claras em saber que se trata de empresa familiar, tendo uma maior confiança por parte dos colaboradores e, assim, conseguir tomar decisões rapidamente. Por outro lado, essa confiança e interesse familiar pode levar os colaboradores a confundir as obrigações. Como não há uma separação entre o familiar e o profissional, ocorre uma desmotivação por não ter autonomia nas tomadas de decisões em razão do autoritarismo no comando do gestor. Nascimento e Teixeira (2014) relatam que as empresas familiares têm suas vantagens que podem alcançar o sucesso, mas existem vantagens e desvantagens em relação à administração, podendo levar a empresa à falência, principalmente problemas familiares. Entretanto em meio as vantagens percebem-se que as pessoas da família que participam dos processos na empresa possuem lealdade e zelo ao nome de seu gestor, garantindo assim o sucesso da empresa (OLIVEIRA; SILVA, 2012). Categoria II – relata a cultura familiar no processo de sucessão. QUADRO 2: Categoria II – Cultura familiar GESTORES CULTURA FAMILIAR NO PROCESSO DOS SUCESSORES GESTOR 1 Repassou todo ensinamento e incentivo para que o sucessor possa dar continuidade à geração da empresa familiar. GESTOR 2 Usa a cultura familiar como base para repassar toda informação e ser um grande profissional. GESTOR 3 Forma um diferencial através de técnicas familiares e empresariais para se destacar diante dos concorrentes. GESTOR 4 Relata que a cultura familiar vai além de técnicas profissionais. GESTOR 5 Deixa bem claro que a cultura familiar precisa ser seguida independente da geração. Fonte: Pesquisa direta (2019) O questionamento da Categoria II refere-se como são ensinados os conhecimentos adquiridos pelos gestores aos seus sucessores. Como resposta, os gestores 1, 2 e 3 relatam que sempre repassaram todo ensinamento e incentivo, além de informações profissionais. Em contrapartida, os gestores 3 e 4 relatam que a cultura familiar vai além das técnicas empresariais e deve ser seguida independente da geração. Ferreira (2013), explica que a cultura organizacional é uma competência única da empresa que incide na forma como a organização realiza suas atividades internas e externas e o relacionamento entre si dos colaboradores. Russo (2010) apresenta a cultura organizacional como uma ferramenta que tem o poder em ajudar a prever comportamentos para conhecer a organização e permitir alcançar estratégias eficazes de intervenção. A categoria III: expõe os desafios encontrados diante a sucessão. QUADRO 3: Categoria III – Desafios diante a sucessão GESTORES DESAFIOS ENCONTRADOS NA PREPARAÇÃO DO SUCESSOR. GESTOR 1 Respeito a hierarquia/Consultar antes de tomar decisões GESTOR 2 Demonstrar que existe um processo de sucessão, apesar de ser tomado decisões sem comunicação ao gestor. GESTOR 3 Ter um sucessor que cause credibilidade GESTOR 4 Fazer com que seu sucessor possa perceber que as decisões precisam ser avaliadas antes de qualquer coisa, evitando riscos a empresa. GESTOR 5 A escolha do sucessor gerar conflitos entre os demais membros da família. Fonte: Pesquisa Direta (2019) Referente a categoria III, delimitou-se os desafios percebidos durante o processo de preparação. Em resposta, os gestores 1, 2 e 4 relataram que um dos grandes desafios seria orientar seus futuros sucessores que eles não devem tomar decisões sozinhos, pois ainda estão em preparação para o processo. Já para os gestores 3 e 5 encontrou desafios envolvendo conflitos familiares e a aceitação dos clientes da empresa. O processo sucessório para muitas empresas é sempre um momento tenso, um momento decisivo em sua história, devendo ser considerado um acontecimento mais complexo de sua existência. É nesse momento que a mesma conseguirá enxergar o seu futuro e viver a inconstância do presente. Nóbrega (2012) descreve que esta passagem promove medidas que permita a transição do poder, envolvendo a interação, comunicação e o amadurecimento como forma de facilitar as tomadas de decisões nesse processo. É de extrema importância que a sucessão ocorra ainda com a presença do fundador dentro da empresa, pois ele terá tempo e experiência para avaliar e preparar seu futuro sucessor. Duarte e Oliveira (2010) relata a importância em escolher o modelo de sucessão que será implementado na empresa para poder iniciar o planejamento e preparar o processo de sucessão. A categoria IV: Trata das medidas que as empresas executaram para preparar seus sucessores, buscando de maneira detalhada os processos de treinamentos com os seus sucessores. QUADRO 4: Categoria IV – preparação de seus sucessores GESTORES MEDIDAS TOMADAS PARA PREPARAR SEUS SUCESSORES. GESTOR 1 Foi feito um planejamento de sucessão dando atenção a todos os processos envolvidos na parte administrativa. GESTOR 2 Realizou-se um planejamento de sucessão, focando nos principais pontos da gestão de negócios GESTOR 3 Além do planejamento e dias de esforço dentro da organização, pode contar com sua profissionalização acadêmica. GESTOR 4 Realizou-se uma capacitação por meio de treinamentos ligados diretamente as principais áreas da empresa. GESTOR 5 Passou por um treinamento para conhecer todos os processos administrativos da organização Fonte: Pesquisa direta (2019) No questionamento da categoria IV, foi avaliado sobre as medidas tomadas para o processo de sucessão. Em resposta, o gestor 1 e 2 relatou que aconteceu um planejamento focando nos processos da organização como uma forma de troca de experiência para que este sucessor futuramente viesse a ser o novo gestor. O gestor 3 afirma que além de um planejamento, o sucessor pôs em pratica aprendizados da sua formação acadêmica, sendo um diferencial em relação aos seus concorrentes. Para o gestor 4 e 5, houve capacitações e alguns treinamentos. Ferrari (2014) comenta que o processo sucessório é um planejamento que permite estabelecer os caminhos que devem ser seguidos, preparando seu sucessor para a transferência de funções. O planejamento para as medidas referentes ao processo sucessório é o desenvolvimento de dados, informações, crenças e valores da gestão e propriedade da empresa familiar, considerado como parte crítica para se alcançar sucesso na sucessão da gestão e garantir a sobrevivência da organização. 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS A pesquisa teve como objetivo identificar as estratégias tomadas por gestores de empresas familiares da cidade Groaíras, interior do Ceará, para a preparação de seus futuros sucessores. De acordo com os resultados apresentados, observou-se a existência de estratégias desenvolvidas nas empresas familiares para preparar os herdeiros à sucessão do dirigente. Como limitação de pesquisa, encontrou-se a falta de tempo dos gestores para participar do processo de coleta de dados, como também a dificuldade de entender alguns termos debatidos na entrevista. Contudo, depois de algumas tentativas, foi possível coletar as informações necessárias para dar continuidade à pesquisa e explicar minuciosamente todas as categorias e teorias aqui estudada. Sugere-se a realização de novas pesquisas em forma de estudo de caso único em empresas de outros segmentos, para que se possa ter dados mais claros quanto as relações estratégias que podem vim a ser adotadas por gestores de uma empresa familiar, na preparação de seus sucessores. REFERÊNCIAS ADACHI, P. P. Família S.A.: gestão de empresa e solução de conflitos. São Paulo – SP: Atlas, 2006. BALCÃO, Y. F. Organograma: representação gráfica da estrutura. Revista HSM Management. Ed. 87, 2011. BARDIN, L. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2011, p. 229. BERNHORET, R. Programa gestão eficaz – Estação Business School. Entrevista feita por Paula Weidlich, 2011. DUARTE, F.D.; OLIVEIRA, L. R. de. Análise de maturidade de processos sucessórios em empresas familiares. Artigo – Estratégia empresarial, 2010, p. 135-150. Estratégias de Sucessão em uma Empresa Familiar: o Caso Rsm Pneus. Gestão e Tecnologia para a Competitividade – Outubro de 2013. FERREIRA, P. I. Clima organizacional e qualidade de vida no trabalho. (organização) Andrea Ramal. – Rio de Janeiro: LTC, 2013. il. ; 23 cm(MBA Gestão de Pessoas) FERRARI, G.M.M. Empresa familiar: O desafio da sucessão. Pindamonhangaba, 2014. LEONE, N. M. C. P. G. (Org.) e outros. Empresa familiar: desvendando competências, racionalidades e afetos. São Paulo: Atlas, 2010. LOURENZO, A. Estratégias de governança na empresa familiar: modelo para redução de conflitos familiares e perpetuação da empresa. São Paulo, 2006. GERHARDT, T. E. SILVEIRA, D. T. Métodos de Pesquisa. Universidade Aberta do Brasil – UAB/UFRGS – ISBN 978-85-386-0071-8 – 1a edição: 2009. GODOI, C. K.; BALSINI, C. P. V. A pesquisa qualitativa nos estudos organizacionais brasileiros: uma análise bibliométrica. In: GODOI, C. K.; BANDEIRA-DE-MELO, R.; SILVA, A. B. Pesquisa qualitativa em estudos organizacionais: paradigmas, estratégias e métodos. São Paulo: Saraiva, 2010. p. 89-112. MACEDO, J.F. de. Ciclo de Vida das Organizações e Transição de Liderança na Empresa Familiar. 2008. 152 f. Tese (Doutorado em Engenharia de Produção) – Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis/SC. MUNDO CARREIRA. (2014). Entenda as vantagens e as desvantagens das empresas familiares do Brasil. Disponível em: . Acessado em: 20 de fevereiro de 2016. MOREIRA, J. M; ALTAF, J. G; FALCO, G. P; TROCCOLI, I. R. CURZIO, P. H. Estratégias de Sucessão em uma Empresa Familiar: o Caso Rsm Pneus. Gestão e Tecnologia para a Competitividade – Outubro de 2013. NASCIMENTO, A. T. C. N.; TEIXEIRA, J. G. Empresas familiares: Vantagens, desvantagens e o processo de sucessão-estudo de caso na empresa de transportes viação Raissa. Revista da Escola de Negócios, n. 1, p. 33-49, 2014. NÓBREGA, J. R. F. F. (2012), A sucessão da empresa familiar: importância dos pactos paras sociais e outros instrumentos relevantes para a preservação da empresa e da propriedade familiar. Dissertação (Mestrado em Direito Constitucional). UNIFOR, Fortaleza, CE. OLIVEIRA, L. G. M.; SILVA, G. A. V. Sucessão em uma empresa familiar: valores, racionalidades e dilemas. Revista de Administração FACES Journal, v. 11, n. 2, p. 28-42, 2012. PETRY, L. I.; NASCIMENTO, A. M. Um estudo sobre o modelo de gestão e o processo sucessório em empresas familiares. Revista Contabilidade & Finanças, volume 20, número 49, São Paulo, 2009. RICCA, Domingos. Sucessão na empresa familiar: conflitos e soluções. São Paulo: Cla, 2007. 158 p. RUSSO, G. Diagnóstico da Cultura Organizacional: O Impacto dos Valores Organizacionais no Desempenho das Terceirizações. Rio de Janeiro: elsevier, 2010, SCHLEPPHORST, S. & MOOG, P. (2014). Left in the dark: Family successors' requirement profiles in the family business succession process. Journal of Family Business Strategy, 5(4), 358-371. SARAIVA; P. M.; DANTAS, F. L. Empreendedorismo na prática: estudos realizados na região metropolitana do Cariri. Olinda: Livro Rápido, 2014. SEBRAE. Abertura de Empresa. As características de negócios familiares. jun.2016. SILVA, A. H; FOSSÁ, M. I. T. Análise de Conteúdo: Exemplo de Aplicação da Técnica para Análise de Dados Qualitativos. Encontro de Ensino e Pesquisa em Administração e Contabilidade – Novembro – 2013. SOUZA, E. O. de et al. Cultura Organizacional em Empresa Familiar: Uma Revisão Sistemática. Id on Line Revista Multidisciplinar e de Psicologia, vol.11, n.36, p.1336, maio de 2017.