Empresas do Simples entram em fase decisiva com a reforma tributária: o que isso significa para pequenos negócios

Créditos: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
A decisão que as empresas do Simples precisam tomar até setembro não deve ser feita no automático
A reforma tributária em andamento está mudando profundamente o sistema de tributos no Brasil. Embora o Simples Nacional continue existindo, a introdução dos novos tributos IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e as novas regras de apuração exigem que as empresas optantes pelo Simples repensem sua estratégia tributária e a decisão precisa ser tomada até setembro deste ano, antes da implementação plena em 2027.
Para quem administra uma micro ou pequena empresa, essa não é apenas uma mudança de formulário ou data no calendário fiscal: é um momento de planejamento estratégico que pode impactar competitividade, relacionamento com clientes e fornecedores, e o próprio resultado financeiro.
Por que setembro é uma data decisiva
Com as mudanças trazidas pela reforma tributária, as empresas do Simples terão a oportunidade de optar por um regime híbrido até setembro. Isso significa escolher se querem continuar a apurar os tributos dentro do regime unificado do Simples ou se optam por apurar CBS e IBS de forma separada, no chamado regime regular.
Essa escolha não é meramente burocrática: ela influencia diretamente o acesso a créditos tributários, especialmente para empresas que vendem para outras empresas (modelo B2B).
Empresas que vendem principalmente para pessoas jurídicas podem se beneficiar mais quando os tributos CBS e IBS são apurados de forma regular fora do DAS, possibilitando gerar créditos para seus clientes e melhorar sua competitividade.
O que essa decisão exige das empresas
Essa não é uma escolha que se faz de forma intuitiva. Antes de tomar qualquer decisão é preciso:
1. Fazer simulações realistas
Contar com projeções claras de como seria o custo tributário em cada cenário (Simples tradicional x Simples com regime híbrido x outro regime tributário). Isso inclui olhar para o perfil dos clientes, mix de produtos e fornecedores.
2. Revisar sistemas e processos
Os sistemas de emissão de notas fiscais precisam estar preparados para o novo padrão de informações exigidas pela reforma incluindo destaque de tributos corretos trabalhando com IBS e CBS.
3. Entender sua cadeia de fornecedores
Se sua empresa optar por regime híbrido, os créditos que você poderá aproveitar dependem da forma como seus fornecedores emitem suas notas fiscais. Se eles não estiverem adaptados, isso pode reduzir ou até eliminar os benefícios esperados.
4. Revisar contratos
Contratos com fornecedores que não considerem os impactos da emissão de tributos por fora podem trazer surpresas nos custos se não forem atualizados.
O risco de adiar essa decisão
Uma das maiores armadilhas desse processo é deixar para reagir apenas quando a reforma já estiver em vigor. Diferenças entre regimes podem parecer pequenas agora, mas podem resultar em custo tributário significativamente maior, perda de competitividade ou dificuldade para vender para outras empresas.
A lei que regula a reforma tributária ainda está em fase de transição, mas a lógica fiscal que ela impõe já começa a ser testada em 2026. Não se trata apenas de cumprir uma obrigação: trata-se de organizar sua empresa para um ambiente em que tributos deixam de ser apenas um custo e passam a ser parte da estratégia competitiva.
O que pode acontecer se você não decidir até setembro
Se a empresa não tomar uma decisão clara até o prazo estipulado, muitas vezes esse silêncio será interpretado como manutenção automática do modelo atual. Isso pode parecer seguro à primeira vista, mas sem uma análise profunda pode representar:
• pagamento de tributos mais altos do que concorrentes que optaram por regime híbrido;
• menor geração de créditos tributários, reduzindo vantagem competitiva;
• atraso na adaptação dos sistemas, gerando custos extra de última hora;
Como uma contabilidade especializada pode ajudar
A decisão que as empresas do Simples precisam tomar até setembro não deve ser feita no automático. É preciso analisar cenários, simular impactos reais no caixa e entender como cada escolha pode afetar margem, competitividade e crescimento nos próximos anos.
A Brasct Contabilidade, especializada em e-commercee empresas do varejo digital, atua justamente nesse ponto: realizando simulações tributárias, avaliando o perfil de clientes e fornecedores, revisando cadastros fiscais e preparando a empresa para a transição ao IBS e à CBS com segurança.
Mais do que cumprir obrigações, o foco é transformar essa mudança em planejamento estratégico, protegendo a margem e garantindo que a decisão tomada hoje não se torne um problema amanhã.









